Videochamadas

 

 

 

 

 

A chamada é encerrada com você sorrindo pra mim como uma criança e — devo admitir — eu também. Mais um convite direto do banheiro de onde você me pede para te “ajudar” no sexo solitário que — confissão sua — é uma prática cultivada desde a sua mais tenra infância. Só não fiquei mais surpresa com esse seu segredo, porque

 

 

 

conheço a rotina de sua vida. Se, por um lado, é uma brincadeira anômala, por outro, não deixa de ser inofensiva. Válvula de escape, transgressão sem culpa. Culpa? Sim, a culpa é componente incontornável nessa nossa história. Difícil imaginar como não seria assim, se a mentira constrói boa parte das verdades sociais.

Nunca imaginei que essas suas chamadas secretas fossem se tornar frequentes. Em parte, a curiosidade superou a opinião bastante negativa que tenho acerca desse tipo de encontro sexual. Interessante é que aconteceu justamente depois de havermos tomado certas medidas de distanciamento. Não que não seja bom ter você na cama. É bom até demais. O problema é que o seu papel na minha vida é outro. E sabemos disso desde aquela sua inusitada visita, com direito a chuvas e a trovoadas. Enfim, sou eu e meus racionalismos. E tem a culpa, etc. e tal. Conversamos. Não nos vejo sobrevivendo como amantes. O receio de darmos alguma pista, o medo de sermos flagrados em alguma inconsistência e até mesmo o fato de sermos amigos tão leves e alegres. Quando estamos juntos, brincamos o tempo todo. Tipo aquela vez que me assustei quando dei com você debaixo da mesa alisando as minhas pernas. E o que fiz? Me enfiei lá embaixo também, só pra brincar com você. Nada de mais, não fosse uma tarde de trabalho no escritório, com gente séria do outro lado da porta. Isso sinaliza um bem-estar que alguém sempre pode notar, maliciosamente. Melhor parar, dar um tempo. Mas então você argumentou que gosta de sexo também quando está sozinho, e que sozinho não faz mal, porque não seria traição. Coisa de criança, retruquei. Você apenas sorriu e balançou a cabeça como quem diz: me aguarde.

Chamadas de vídeo são uma rotina de trabalho para nós dois, razão pela qual não me assustei ao aceitar mais uma, mesmo fora de hora. Só que não era mais uma. Em lugar do republicano ambiente onde você trabalha quando está em casa, vi o seu rosto bem de perto, tomando todo o écran do celular, com o dedo indicador sobre os lábios me pedindo silêncio. Estranhei a princípio, e só entendi depois, ao perceber que você foi afastando a câmera de seu rosto, aos poucos, bem devagar. Pude ver então que você estava sem camisa. Mais abaixo, você parou, para me mostrar, em close, o tamanho e o estado do seu desejo. Tudo aquilo era tão inusitado que encerrei a chamada, não sem assistir um pouquinho mais do seu show. A coisa toda se deu tarde da noite. Depois de um jantar em família que acontecera horas antes.

 

Eu, de convidada, estava até bonita, usando roupas que raramente uso, tipo aquela calça branca justa, saltos altos e batom. Um pouco culpa sua esse meu reencontro com a vaidade. De fato, me preparei naquela noite para causar surpresa. E causei. Afinal, minha regra básica de elegância não dispensa a discrição. Mas, naquela noite, de caso pensado, eu fui, sim, mais ousada que de hábito. E fiz questão de lhe contar que, entre a roupa e o meu corpo, não havia mais nada. Divertido constatar quantas vezes você, acidentalmente, me tocava de leve sempre que podia, embora mal nos olhássemos no cerimonioso jantar. Só mais tarde, porém, você fez questão de me mostrar o tamanho do seu desejo, por vídeo, e em close.

 

Dias depois, uma chamada com direito a susto. Você arrumando o celular para que eu pudesse, de baixo para cima, contemplar toda sua tesão, quando soou uma batida fortíssima na porta do banheiro onde você estava. Deu para ouvir o seu nome pronunciado com força e irritação, com a frase: “Vai demorar muito ainda?!” Seguiu-se daí o imediato encerramento da transmissão.

 

 

 

Outra vez, você me chamou da praia, enfiado no banheiro, contornando família, hóspedes e convidados. Escondido de todos, fazia das suas, silenciosamente. E eu só observando, rindo por dentro e por fora, enquanto fingia que ia tirar a roupa na sua frente, até tirar mesmo, só pra ver sua cara e a minha, ambos dando risada de nossa tão condenável transgressão.

 

 

Aliás, segundo você, fazendo assim, não há nenhuma transgressão. Traição virtual não existe. Quando entendi que esta era a sua justificativa, me lembrei de ter lido alguma coisa sobre transação de consciência. É uma espécie de negociação que acontece sempre que a culpa de alguém se torna mais leve. O sujeito se convence de que, embora agindo mal, poderia ter feito pior, mas não fez. Tipo a prostituta que se admite como tal, mas assevera ao cliente que sempre respeitou o alheio: “Verdade que sou puta, mas não sou ladra, não!”. Ou o ladrão que, admitindo roubar, ressalta o fato de não ser assassino. Exemplos fortes, mas didáticos. Há outros mais leves, tipo a torta que comi inteira, porém acompanhada de refri diet e seguida de cafezinho sem açúcar. Seu raciocínio acerca de sexo é uma operação muito semelhante: somos absolvidos de um pecado que só acontece na consciência e, é claro, no instante virtual, em que pese nada virtuoso.

 

Hoje não foi diferente. De bem longe desta vez, você me chamou de manhã. Caprichando no zoom, mostrou-se todo, sem roupa alguma, dando a entender que queria me ver de perto também. Coisas que se passaram ao som do chuveiro ligado, para disfarçar de todo mundo o que você apronta fechado no banheiro com seu celular.  Tudo isso tranquilamente. Afinal, não se trata de traição. De jeito nenhum! Porque sexo por videochamada pode, não é? Sem culpas então. Negócio fechado.

 

 

                                                                                                           

 

 

                                                                                                                                             Por Beatriz Basto

Fiat 8V Supersonic 1953: essa raridade foi leiloada por mais de U$2 milhões

O carro, leiloado pela Bonhams, original de 1953, é um dos 15 modelos 8V da Fiat com o visual Supersonic produzidos junto à Ghia – famosa empresa italiana de design automobilístico. É um bólido antigo!

Edição limitada original da década de 1950 passou por uma restauração que levou oito anos para ser concluída, o Fiat 8V Supersonic, modelo que foi leiloado recentemente, tem visual aeronáutico do Supersonic é assinado pela Ghia. Colecionar carros é uma tarefa difícil: eles geralmente são maiores, muitas vezes mais raros e tão caros quanto quadros e esculturas – tudo porque alguns tiveram edição limitada e poucos sobreviveram ao tempo. Daí, quando uma edição única aparece à venda ela vira febre entre os amantes das quatro rodas.

 

O carro, leiloado pela Bonhams, original de 1953, é um dos 15 modelos 8V da Fiat com o visual Supersonic produzidos junto à Ghia – famosa empresa italiana de design automobilístico. Ele permaneceu por 36 anos nas mãos do mesmo proprietário e passou por uma restauração de oito anos que custou US$ 600 mil.

Na parte técnica, o 8V Supersonic tem embreagem manual de quatro velocidades, suspensão independente nas quatro rodas e dois carburadores Weber 36 DCF, além da válvula Fiat 8V que dá nome ao modelo. O layout segue o padrão aeronáutico dos Supersonic e tem pintura em azul com o interior em couro.

 

 

 

O motor é um original do 8V Supersonic com dois carburadores Weber 36 DCF e a válvula 8V da Fiat que dá nome ao modelo.

 

 

 

 

 

Um dos modelos mais famosos da Ghia, o Supersonic não era apenas uma questão de moda  brilhante; foi em muitos aspectos o resultado de necessidade econômica. Nos anos imediatamente seguintes a Segunda Guerra Mundial, os construtores italianos enfrentaram terríveis circunstâncias. Os principais fabricantes do país estavam lutando para retornar às condições normais de funcionamento, a economia era um modelo de instabilidade, e alguns veículos em produção eram adequados para uma Itália vitoriosa.

 

 

Em 1950, um designer talentoso, o engenheiro, Savonuzzi começou sua carreira no setor aeronáutico da Fiat, onde desenvolveu uma estreita relação de trabalho com Dante Giacosa, o homem por trás do projeto 8V.

Para a Fiat 8V, Savonuzzi criou um cupê de duas portas com base em suas experiências anteriores. Em ambos, conceito e detalhe, ele abandonou influência tradicional e olhou em direção as tendências contemporâneas na indústria aeroespacial, um campo familiar para o designer.

Em maio de 1953, o Supersonic chegou aos Estados Unidos aclamado pela crítica. Nos meses seguintes à sua chegada, foi destaque em várias publicações automotivas, incluindo todos os carros do mundo, 1954 Carros e Motor Trend.

É seguro dizer que esse Supersonic levou uma existência extraordinariamente protegida e isolada. No momento da catalogação, o velocímetro marcava apenas 26,700 km – pouco menos de 17.000 milhas. Este número espantoso é suportado pelo estado do carro altamente original, uso mínimo e proveniência hermética.

 

A pintura parece ser 80% original e possui uma bela aparência, uniforme, com todos os traços maravilhosos que vêm com décadas de uso contínuo e interação com seu cuidador em longo prazo. O Supersonic é, literalmente, original voltado para baixo para as rodas e pneus Pirelli Cinturato instalados de fábrica, e os discos originais de rodas polidas são o único conjunto original conhecido por ter sobrevivido intacta.

A raridade alcanço no leilão, mais de US$2 milhões (mais de R$10milhões).

Amores e desamores

Joane e Gil Dionisio comemoram no último sábado, idade nova dela. Falando sobre vinhos no Excelsior Gourmet, o querido Maurício Ferreira. Anatália e William Riley estiveram em Salvador, onde comemoram 53 anos de feliz união. Jennifer Aniston e Adam Sandler são vistos gravando sequência de filme no Havaí. Zilu Godoi, de 63 anos, compartilhou uma foto para desejar um bom-dia aos seus seguidores nas redes sociais nesta quinta-feira (3). Luiz de plantão, recebemos a visita da querida amiga Karol Mariano, que veio colocar a conversa em dia. E por falar em Restaurante Amado, a casa que tem uma das mais belas vistas e um dos ambientes mais agradáveis de Salvador, está deixando muito a desejar A decisão de dispensar teste negativo ao vírus COVID19 para entrar em Portugal, bastando apresentar o certificado di

gital ou um comprovante de vacinação. Eliana e Miguel Abreu comemoraram em Salvador, no Restaurante Pedra do Mar –Rio Vermelho, 47 anos de muito amor.

 

Niver – Joane e Gil Dionisio comemoram no último sábado, idade nova dela. Na bela vivenda do casal, amigos e familiares cantaram parabéns em clima de muita alegria e com a discrição que permeia as relações do casal. Nota 10 em tudo!

 

 

Ela é um luxo – Jennifer Aniston e Adam Sandler são vistos gravando sequência de filme no Havaí. Eles gravam a sequência do longa Mistério no Mediterrâneo, filme muito assistido na Netflix. Para a ocasião, a atriz, de 52 anos de idade, usava saia estampada, chapéu e um top verde, que deixou à mostra seus braços torneados enquanto ela caminhava pelo set de filmagens.

 

 

From Rio to Salvador – Anatália e William Riley estiveram em Salvador, onde comemoram 53 anos de feliz união. Revisitaram os pontos tradicionais da capital baiana, se deliciaram com a boa cozinha do Maximo Cremonini, curtiram a tarde de domingo na Casa Mia do incrível Alessandro Narduzzi e encerraram a visita com um jantar iniciado ao pôr do sol, no Restaurante Amado, encerrado com passos de dança ensaiados na saída do belo espaço gastronômico.

 

Oncinha – Zilu Godoi, de 63 anos, compartilhou uma foto para desejar um bom-dia aos seus segui

dores nas redes sociais nesta quinta-feira (3). Na imagem — tirada na sala de sua casa, nos Estados Unidos — ela aparece deitada em uma poltrona, vestindo uma camisola e um robe com estampa de oncinha e renda.

 

 

 

 

Com Karol – Luiz de plantão, recebemos a visita da querida amiga Karol Mariano, que veio colocar a conversa em dia. Como sempre, elegante e atenciosa, trouxe um delicioso Ceviche, que apreciamos acompanhado do excelente Espumante Vezzi.

Desamor – E por falar em Restaurante Amado, a casa que tem uma das mais belas vistas e um dos ambientes mais agradáveis de Salvador, está deixando muito a desejar no serviço e mesmo no cardápio. Lugar que já mereceu nota 10, hoje, não passa de 7, com ressalvas. O couvert é inqualificável e, no que nos foi servido, nada especial que justificasse, por exemplo, os preços. As cadeiras da varanda precisam e urgentemente ser trocadas. São muito desconfortáveis. Tudo isso pode ser corrigido com um olhar mais atento e cuidadoso do renomado Chef Edinho Engel!

 

Liberado em Portugal – A decisão de dispensar teste negativo ao vírus COVID19 para entrar em Portugal, bastando apresentar o certificado digital ou um comprovante de vacinação reconhecido, entra em vigor nesta segunda-feira, 7 de fevereiro, anunciou Governo.

Na última quinta-feira, o Governo decidiu acabar com a medida em vigor desde 1 de dezembro do ano passado, que impunha que todos os passageiros que chegassem a Portugal por via aérea eram obrigados a apresentar um teste negativo ou um certificado de recuperação no momento do desembarque.

A medida foi publicada hoje no Diário da República e “as regras nela constantes estarão em vigor a partir das 00:00 de segunda-feira, dia 7 de fevereiro”, acrescenta o comunicado. No que diz respeito à entrada em território nacional, “passa a ser exigida apenas a apresentação do Certificado Digital covid da UE nas suas três modalidades ou de outro comprovativo de vacinação devidamente reconhecido”.

 

 

 

Savoir-Vivre – Falando sobre vinhos no Excelsior Gourmet, o querido Maurício Ferreira, o homem que sabe tudo sobre o tema e exerce como ninguém, o “Savoir-Vivre”!

 

 

 

Os primeiros 47 anos – Eliana e Miguel Abreu comemoraram em Salvador, no Restaurante Pedra do Mar –Rio Vermelho, 47 anos de muito amor, carinho e cumplicidade. Convivência bonita de se ver!

A vida nos anos 50 quando eu era feliz e não sabia

Muitos dos contratos de bairro entre o comerciante e o cliente começavam pela palavra de honra e um aperto de mão. As mãos tinham a sua importância nos anos 50. Não só porque se faziam muitas coisas com as mãos; também porque as pessoas que faziam coisas com as mãos ainda não tinham começado a ser desrespeitadas e substituídas por máquinas. Não existiam retiros para idosos. Nem creches.

Não existiam retiros para idosos. Nem creches. Não falo desse tempo como de um tempo ideal, meia dúzia de coisas dos anos 50 necessitavam dessa introdução à modernidade que se chama igualdade dos direitos civis. Andamos um longo caminho. E agora, que perdemos tantas coisas, talvez fosse bom recuperar algumas…

 

Pela janela entra o som do amola-tesouras, um som de gaita de boca que me recorda a infância. A cidade antiga, com mulheres que apregoam fava-rica (uma sopa que era vendida nas ruas de Lisboa) nas esquinas e vendedores do folhetim da “Rosa do Adro”, uma novela de cordel contrabandeada nas traseiras.

 

 

 

 

Recordo o desenho da cara da Rosa do Adro, esboçado a lápis. Nunca descobri o que significava isto, Rosa do Adro. Nem idade do entendimento devia ter quando estas coisas existiam. Nasci nos anos 50. Década prodigiosa em que as pessoas, no rescaldo de duas guerras mundiais, descobriam a torradeira e o frigorífico, o DDT e a vacina da poliomielite.

 

Em breve os anos 60 tomariam conta da imaginação, com a Swinging London e os Beatles, o rock e os movimentos sociais, os hippies e as drogas. Nunca mais nada seria como era nos anos 50, em que os homens eram os chefes da família, usavam bigode e gravata, guiavam o carro (as mulheres não tinham carta) e iam para o emprego todas as manhãs para sustentar o ‘lar’. Era um mundo admiravelmente ordenado segundo a convenção, bafejado pelo bem-estar e a expansão econômica, a paz e a primeira revolução tecnológica (a televisão, a batedeira, o aspirador). Os códigos de honra eram apertados e as pessoas davam a palavra. Os mais pobres compravam açúcar amarelo e sapatos a prestações e os remediados compravam a primeira aparelhagem com som estereofônico — “this is stereo sound”, dizia um homem em basso profondo no LP de demonstração. E o primeiro eletrodoméstico. Compravam e davam a palavra de honra de que pagavam a dívida.

Muitos dos contratos de bairro entre o comerciante e o cliente começavam pela palavra de honra e um aperto de mão. As mãos tinham a sua importância nos anos 50. Não só porque se faziam muitas coisas com as mãos; também porque as pessoas que faziam coisas com as mãos ainda não tinham começado a ser desrespeitadas e substituídas por máquinas.

Os homens cuidavam do jardim, manejavam pincéis e tintas, consertavam coisas elétricas, subiam ao telhado e sabiam de canalizações. As tarefas não eram delegadas, eram distribuídas. Tudo se consertava: uma vareta de guarda-chuva, um rádio fanhoso, uma mesa manca, uma fechadura romba, uma persiana encalhada. Os rapazes ajudavam os pais (e a garagem era um momento iniciativo) e as raparigas ajudavam as mães na casa e cozinha. Os sapatos levavam meias-solas

e ninguém deitava nada fora, nem ricos nem pobres. Deitar fora era um sinal de má-criação e desperdício. O

s novos-ricos de pele descartável ainda não tinham nascido. O dinheiro era velho ou não era. As pessoas eram bem-educadas e ensinavam os mais novos a não desrespeitar os mais velhos. Não existiam lares de terceira idade. Nem creches. Não falo desse tempo como de um tempo ideal, meia dúzia de coisas dos anos 50 necessitavam dessa introdução à modernidade que se chama igualdade dos direitos civis. Eu não queria ficar pelos lavores femininos nem pela prepotência do velho código do Visconde de Seabra, em que as mulheres deviam obediência como animais domésticos. Andamos um longo caminho. O problema é que destruímos e substituímos tudo o que estava para trás e algumas das coisas que destruímos precisamos delas. Sentido de honra e de decência. Respeito pela duração.

Tudo isto me veio à cabeça quando fui ver esse filme bem escrito e inteligente que é “Gran Torino”, de Clint Eastwood (e a América de Eastwood dava um livro). O filme não é sobre violência urbana nem tolerância nem racismo nem nenhum dos temas modernosos. O filme é sobre os anos 50 e o que deles sobra. Sobre um modelo de sociedade em que a pessoas eram responsáveis por si e não dependiam dos outros nem do Estado. Em que não precisavam de ser salvas e conviviam com os seus erros e fracassos sem desculpas. A vitimologia ainda não tinha sido inventada. Muito menos o reality show e a venda da dignidade. Nem os antidepressivos para curar a mania das compras ou do sexo. Do the right thing. Faz a coisa certa. Andamos um longo caminho. E agora, que perdemos tantas coisas, talvez fosse bom recuperar algumas. Respeitar mais as concretas mãos e menos o dinheiro abstrato. Deitar menos coisas fora. Consertar outras. Respeitar o planeta e a rua, deixando de usá-los como lixeira à espera que o Estado venha atrás com o aspirador. Poupar os carros. Comprar menos tecnologias que nos despersonalizam e nos tornam twittering pardais afogados em pios irrelevantes. Escrever com a mão. Ler um livro com páginas de papel. Mexer na terra. Cozinhar com tachos e com colheres de pau. E contratar a melancolia do amola-tesouras para nos afiar as navalhas. Vamos precisar delas.

 

 

                                                                                        Autor: C.A/Agpress

 

 

 

 

Da parceria à cumplicidade

 

Saí do banho e parei para olhar você, que vinha na minha direção, recolhendo, uma por uma, peças de nossas roupas caoticamente espalhadas pela casa. Retenho a cena na memória, cada detalhe. Você caminha em um recorte de luz que te ilumina por detrás no corredor. Observo seus movimentos sempre apressados. Seu caminhar é o de quem avança pela vida com pressa. Sempre fazendo duas, três, tantas coisas ao mesmo tempo. Indo e vindo. Você não é um felino. Desfoca seus alvos. Simplesmente atira, descarrega a munição, e festeja o que acertar. Faz jus ao apelido de ogro. Um ogro alegre e brincalhão. Desajeitado até. Quem diria que não? Impossível imaginar de quanto requinte você é capaz quando fica a menos de um metro de mim. Precisamente. A menos de um metro você muda.

Volto duas casinhas e penso na cena clichê de há pouco. Ensaios eróticos. Filme talvez: o cara chega, abraça a mulher, os dois se beijam com vontade, sentem desejo imediato e começam a tirar a roupa na sala. Um chavão batido, caso o cara não fosse você e o lugar não fosse a sala de estar da minha casa. Uma poltrona serve de base para um ensaio das mais diversas posições. Você tirou parte de minha roupa mais facilmente do que eu conseguiria fazer sozinha. Não me reconheço. Mas já me habituei a deixar o meu corpo responder aos seus gestos como ele quiser. Você empurra a mesa de centro. — O meu vaso chinês sobrevive. — Depois embola o tapete enquanto me vira e me desvira de um lado para outro. Lembro da porta que pode deixar passar algum som para o lado de fora. Convido você para continuar no quarto. Impossível parar de fazer o que estamos fazendo. Você me explora com tantas mãos e bocas que não consigo atinar quantos nervos tem o meu corpo, nem quantas partes há nele que te obedecem cegamente. Depois você me acalma, sorrindo dos efeitos que o seu feito provoca em mim. Vaidade merecida. Me recomponho, ainda ofegante, e tento mudar o

ritmo. Do allegro ao andante, rumo ao adagio. Somos musicais.  No quarto, peço pra você ficar quieto e deitado. Ajeito meus travesseiros e neles faço com que você se recoste. Ainda não abri a veneziana nem as cortinas. A luz é confortável. Não faz frio nem calor. Você me olha então, esperando para saber o que vou fazer. Subitamente me dou conta de que você é outra consciência. Não é como o barro que eu modelo sob minhas mãos. Não é tampouco como as tintas que aplico sobre o papel. Mas é — pressentimento — pura matéria prima que me convida à criação.

Não tenho pressa. Agora é a minha vez. Analiso seu corpo. — Maldita lucidez! — Estou ali e estou aqui também, neste futuro de dias depois, que é o agora desta escrita. Estou com você, e estou nestas palavras. Nas linhas de seu corpo desenho letras bonitas. Toco você, e decifro, no braille de suas formas, os substantivos e a substância que te conformam. Conjugo os verbos e fico atenta aos seus suspiros de meias palavras. Nessa gramática erótica que inventamos para nós dois, quase me perco em pensamentos. Mas você me resgata. Me faz voltar ao corpo que eu não tinha mais, abandonar alma e mente para viver a realidade da carne. Você me humanizou, mas nem desconfia. No seu jeito prático, não há lugar para literatura. Você habita o mundo real, onde só existem os corpos, a pressa, a agenda, os compromissos e os prazos. As mentes são secundárias, meros veículos do desejo. O que me importa é estar na sua intimidade e ter você na minha, alternando domínios até perceber que o tempo não havia parado de todo. Um abraço, e o que somos dá lugar ao que seremos dentro de uma hora no máximo.

O relógio insiste, mas não nos importamos. Sabemos que podemos compensar esse tempo roubado às nossas rotinas. Pouco a pouco, creio que estamos aprendendo a lidar com isso. Você, como sonso, e eu, como quem vive o que houver para viver, um dia de cada vez, olhando apenas para o momento presente que eternizo depois como palavra.

Volto ao instante. Você ali no corredor em meio àquela luz, inconsciente das minhas reflexões. Roupas recolhidas e arrumadas sobre a minha cama: cueca, bermuda, camisa. Meu abrigo e a minha roupa íntima que você manipulou carinhosamente. No chão, ao lado da cama, minhas sandálias, que parecem tão pequenas perto dos seus tênis.

Você pega as toalhas que usei e entra no banho. Enquanto me visto e me recomponho, penso que não somos um casal viável na ficção. Ninguém desconfiaria de que mantemos um caso, se é que podemos falar de um “caso”, dado o peso dessa palavra, tão datada e significativa no vocabulário conservador. Não serviríamos para enredo de nenhum romance. Não temos cara de casal. A gente só acontece na vida real, a portas fechadas. Não combinamos em nada, exceto no amor ao trabalho, no companheirismo, na devoção do tentar fazer certo, na disposição em manter sempre o bom humor, em não se levar muito a sério, porque já temos, em nossas vidas, a dose de seriedade que basta.

Estamos prontos, banhados e vestidos.

Atravessamos a porta e saímos à rua como aqueles amigos de sempre.

A hora avançou. Nos apressamos. O telefone toca. Você atende normalmente enquanto dirige. Um compromisso social tipo família & cia. Eu também converso com uma voz tão firme quanto a sua. Aceito o convite. Sim, vamos todos jantar, naturalmente. Trocamos um olhar que vai da parceria à cumplicidade. Digo pra você que eu vou, sim, usando uma calça justa sem nada por baixo. Você me olha  e sorri. Dia de semana como outro qualquer. Vida que segue. Atrasos justificados. O mundo se distraía, muito ocupado, enquanto a gente transava. Penso na minha casa e nas toalhas molhadas que ficaram por lá, na mesa de centro que continua de lado e no tapete embolado. Sorrio comigo mesma, mas só por dentro. Por fora, eu continuo séria e respeitável, assim como você.

                                                                        Por Beatriz Basto

 

 

Cooperativas de crédito: um banco diferente

Além das instituições convencionais, destacam-se as chamadas cooperativas de credito, que embora muitos não saibam, hoje, mais 10 milhões de pessoas em todo o país fazem parte de cooperativas de crédito. E descubra porque.

 

E no momento difícil que o mundo atravessa em consequência da COVID19, profundas mudanças estão se processando em todos os segmentos do gênero humano. Na forma de comprar, na forma de vender, de se locomover, de se relacionar. Além das questões de saúde, a economia do planeta entrou em parafuso, atingindo, naturalmente, os pequenos e médios empresários. Nesse momento, cresceu mais ainda, a importância das instituições de créditos, sejam no momento de pagar os auxílios proveniente dos governos, seja no apoio às atividades chamadas de “não essenciais”.

Além das instituições convencionais, destacam-se as chamadas cooperativas de credito, que embora muitos não saibam, hoje, mais 10 milhões de pessoas em todo o país fazem parte de cooperativas de crédito. Além desse montante de cooperados, quase 70 mil pessoas trabalham para as 909 cooperativas de crédito brasileiras registradas.

Sobre o Sicoob – Instituição financeira cooperativa, o Sicoob tem mais de 5 milhões de cooperados e está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Oferecendo serviços de conta corrente, crédito, investimento, cartões, previdência, consórcio, seguros, cobrança bancária, adquirência de meios eletrônicos de pagamento, dentre outras soluções financeiras, o Sicoob é a única instituição financeira presente em mais de 300 municípios. É formado por mais de 370 cooperativas singulares, 16 cooperativas centrais e pelo Centro Cooperativo Sicoob (CCS), composto por uma confederação e um banco cooperativo, além de processadora e bandeira de cartões, administradora de consórcios, entidade de previdência complementar, seguradora e um instituto voltado para o investimento social. Ocupa a segunda colocação entre as instituições financeiras com maior quantidade de agências no Brasil, segundo ranking do Banco Central, com 3.480 pontos de atendimento. 

Presente em 1.923 dos 5.568 municípios do País, e única Instituição financeira em 307 desses municípios, o volume de ações de crédito alcançado por Sicoob e Sicredi coloca o sistema de cooperativas à frente de instituições financeiras públicas e privadas. Uma das possíveis justificativas para a maior facilidade na obtenção de créditos nas cooperativas pode estar na natureza jurídica dessas instituições. Diferentemente dos bancos tradicionais, focados no lucro, as cooperativas têm como objetivo geração de valor para todos os cooperados. Se a cooperativa for do tipo livre admissão, qualquer pessoa física ou jurídica pode fazer um pedido para compor o quadro de associados. Além disso, as cooperativas oferecem toda a segurança nos processos, que seguem as normas do Banco Central e ofertam burocracia reduzida e juros menores que o mercado comum. Para se associar a uma dessas cooperativa, o investimento inicial varia entre R$25 Reais e R$250 Reais.

Segurança – Pela falta de informação sobre o funcionamento das cooperativas, muitas pessoas têm o receio de participar e perder dinheiro. No entanto, participar de uma cooperativa é tão seguro quanto ser cliente de um banco. Isto é, os bancos são protegidos até R$250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ou seja, caso seja decretada a falência, é assegurada a restituição do valor por CPF e instituição. As cooperativas também possuem um fundo garantidor. O FGCOOP é o Fundo Garantidor das Cooperativas e funciona no mesmo formato. Garante o valor máximo de R$ 250 mil por CPF em caso de quebra da cooperativa.

Reconhecido no XIX Prêmio Efinance, realizado pela revista Executivos Financeiros em junho de 2019, o Sicob recebeu entre outros, na categoria Gestão de Risco, o reconhecimento pelos cases “Métodos eficientes ao combate à fraude”, “Cooperativismo dando show na Prevenção à Lavagem de Dinheiro” e “Processo de Classificação e Atribuição Automática de Limites”. No Sicoob, dependendo de seu porte e perfil, pessoas físicas podem abrir conta, ter cartões de crédito nacional e internacional, tomar empréstimos, entrar em consórcios, fazer operações de câmbio e investir em opções como previdência privada, renda fixa e até as chamadas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Empresas também podem ter acesso aos investimentos, levar sua folha de pagamentos para as cooperativas, ter as populares maquininhas de cartão e oferecer vale-refeição aos seus funcionários. Representantes do sistema cooperativo e economistas ouvidos afirmaram que a grande diferença das cooperativas é que elas não visam ao lucro e, por isso, podem oferecer juros menores às pessoas e às empresas. Como os cooperados são “donos do negócio”, os resultados financeiros, que são chamados de “sobras”, e não de lucro, podem ser divididos anualmente entre eles a partir de decisão em assembleia.

A agência do Sicoob em Euclides da Cunha, por exemplo, ligada à Sociedade Cooperativa de Crédito Coopere Ltda. Sicoob Coopere, que foi fundada há quase 30 anos e tem na presidência do Conselho de Administração a senhora, Maria Vandalva Lima de Oliveira, atua com uma equipe enxuta de apenas 7 funcionários. O gerente Uilson e seus auxiliares, Pedro, Fabiana, Cristiane, Laila, Luana Oliveira e Luana Gama conhecem pelo nome, quase todos os associados (em vez de clientes mo são chamados nos bancos convencionais), criando um clima de mutua confiabilidade.

 

Em depoimento a VB, o empresário Betão Canário´, proprietário de uma distribuidora de alimentos, afirmou que utiliza os serviços do Sicoob em Euclides da Cunha desde a fundação da agência. Segundo ele, além do ambiente confortável e bom atendimento que recebe de todos os funcionários, gosta da quase nenhuma burocracia, a agilidade nas tomadas de decisões por parte da gerência e destaca a praticidade do aplicativo. “É melhor do que o dos outros bancos”, ressalta.

 

 

Curiosamente, o empresário e vitivinicultor, Renato Savaris, sócio proprietário da Maximo Boschi, uma premiadíssima vinícola que produz vinhos altamente sofisticados em Bento Gonçalves – RGS, a 3 mil quilômetros de distância, faz referências similares às ouvidas sobre a agência de Euclides da Cunha. “Ali pelo ano dois mil, nós tínhamos conta em um dos maiores bancos d o País. Ocorre que resolvemos partir para uma ampliação e esse banco ficou nos enrolando, prometendo um empréstimo com juros baixos que nunca saía. Um dia, nos sugeriram abrir uma conta no Sicoob. Fui lá e rapidinho com muita objetividade e pouca burocracia, fomos atendidos. É tudo muito tranquilo, a tecnologia deles é mais avançada do que a dos outros bancos e tem tudo que o outro banco tem”. Afirma entusiasmado.

                                                                            Por Celso Mathias

Gioielli d’Arte: vinhos encantadores da Serra Gaúcha

Mauricio Ferreira, é seguramente, um dos mais importantes gourmets da Bahia.  Mais que isso; Maurício é sinônimo de

Maurício Ferreira na foto como empresário Ivo Barbosa, leia-se rede Bel Cosméticos, outro grande apreciador de vinhos, pilotam um Château Pontet-Canet em comemoração de fim de ano

bom gosto e refinamento em tudo que o cerca e confirma isso, com a simplicidade e a generosidade em suas atitudes. Pois,

de quem tanto conhece de vinhos, a meu pedido, fez uma avaliação de três da linha Biografia, produzido pela Vinícola Maximo Boschi. Viajemos com ele!

 

 

 

 

Na noite desta quarta-feira fui agraciado com a oportunidade de degustar, por generosa indicação de meu amigo Celso Mathias, três rótulos de vinhos nacionais de um produtor incrível e que cada vez me impressiona por sua proposta de oferecer vinhos de excelência até mesmo para os padrões mais elevados. Refiro-me à coleção Biografia da Maximo Boschi, que harmonizou à nossa mesa do Yacht Clube em uma noite que contou com o belíssimo show de Flavio Venturini.

 

Os rótulos, sem exceção, muito me impressionaram, a começar pelo espumante Maximo Bosch Biografia Brut elaborado pelo método tradicional com as clássicas Chardonnay e Pinot Noir e amadurecimento por, pelo menos, 36 meses em contato com as leveduras. O resultado é a releitura perfeita para um verdadeiro champagne produzido em um pais tropical. Aliás, em todos esses anos degustando espumantes de todas as partes, sobretudo os nacionais, posso assegurar tratar-se de um dos espumantes que mais se assemelham a um Champagne legitimo. Seja pelo sabor, seja pela estrutura, seja, ainda, pela complexidade de aromas. Simplesmente soberbo e beirando à perfeição.

 

Em seguida, degustamos um Chadonnay da mesma linha Biografia, datado de 2014, já com sete anos, o que levou a um certo receio que já apresentasse sinais de fadiga e decrepitude, ledo engano… o vinhaço estava em plena forma. De corpo bem formado, com farta estrutura, se apresentou cremoso e suculento, com notas de frutas tropicais, especiarias, anis e amanteigado, bem ao estilo Bread and Butter californiano, do qual sou um grande aficionado!

Por último, para consagrar a experiência enológica, finalizamos o Maximo Boschi Biografia Merlot… confesso que hoje, 24 horas depois, ainda estou pasmo! O vinho ê maravilhoso, corpulento, saboroso, com notas frutas de cereja negra e morango, discreta tosta que emergia diante de taninos macios e enorme persistência. Enfim, um vinho amistoso, saboroso e cativante… para mim o melhor Merlot produzido no Brasil, desde a saudosa safra de 2005 do icônico Lote 43.

Enfim, vinhos incríveis que emolduraram a noite.

Maurício Ferreira

E para completar a linha de Espumantes Biografia, a Maximo Boschi, aproveitando o frio da Serra Gaúcha, que proporciona às castas cultivadas para a produção dos espumantes se desenvolverem na sua plenitude, alcançando um sabor e dulçor incomparáveis, produz, a partir dessa combinação de clima favorável e um cultivo de altíssima qualidade o Espumante Biografia Brut Rosé, a nova Gioielli d’Arte da Maximo. Um espumante de aromas marcantes, visual rosado e intenso perlage.

Você sabe mesmo fumar charutos?

 

 

Derivado da palavra Tâmil “curuttu”, enrolar em espiral, que deu origem também à palavra “cheroot” em inglês e “cheroute” em francês, a palavra pode ter chegado à Europa com os navegadores portugueses. Aqui algumas dicas para quem aprecia o sofisticado hábito de dar baforadas em “Habanos” ou nos legítimos “Baianos” que nada devem aos primeiros e permitem que não só milionários possam fuma-los. Conheça os principais formatos, medidas e tire dele o melhor proveito e porque não; a melhor fumaça.

 

1 – Você que está começando, procure manter um registro dos charutos que experimentou anotando sua opinião sobre cada um deles. O registro o ajudará a lembrar-se das suas aventuras.

2 – Nunca deixe o seu charuto apagado por mais de meia hora. O alcatrão e a nicotina acumulados na ponta o deixam amargo quando novamente aceso. Só acenda um charuto quando tiver tempo suficiente, pelo menos 45 minutos, para saboreá-lo do começo ao fim.

3 – Nunca masque ou morda a ponta de um charuto. Segure-o na mão ou apoie no cinzeiro. O ato de fumar estimula a salivação. Assim, se você deixar o charuto na boca, ele ficará molhado, entupindo o furo e prejudicando a puxada.

4 – Se você é um principiante e, não importa preço ou marca, nunca compre muitos charutos de uma só vez, pois suas preferências podem variar à medida que for aprendendo mais sobre o assunto.

5 – Se espera encontrar uma fonte confiável e consistente de charutos de qualidade – um lugar que lhe dará prioridade quando os charutos que você deseja chegarem – estabeleça um bom relacionamento com uma tabacaria e torne-se um cliente fiel.

 

6 – Bebidas e charutos combinam, por isso, alguns bares e restaurantes oferecem o produto para venda. Além disso, apesar das restrições, permitem que você leve o seu para fumar, sem cobrar por isso, diferentemente do que ocorre com as bebidas, em que é cobrada uma taxa de “rolha” caso você leve a sua garrafa.

 

7 – É muito importante, muito difícil e extremamente dispendioso classificar charutos pela consistência que apresentam de caixa para caixa. Entretanto, a capacidade que um fabricante tem de produzir grandes charutos ao longo do tempo é primordial para a classificação da marca. Os iniciantes devem se concentrar nos charutos avulsos, mas não hesitar em analisar outro exemplar da mesma marca e formato em uma ocasião posterior comparando-o.

As diversas bitolas. Uma questão de gosto e/ou aparência.

                                                                                                        Por Celso Mathias

Um vinho com história

Teor alcoólico: 13.5%. Cor: Granada. Aroma: Complexo a passas de frutos e essências das madeiras de estágio, grande finura e profundidade. Vinho encorpado, rico, com certo frescor e um aveludado em harmonia com um tanino de grande qualidade que lhe confere estabilidade natural e longevidade. Estamos falando Pêra-Manca Tinto safra 1990, elaborado pelos enólogos Colaço do Rosário e Pedro Baptista com as castas Trincadeira e Aragonez, disponível em alguns importadores por meros R$ 3900,00 a garrafa, dependendo da safra!

Os vinhedos de Pêra-Manca pertenceram, durante os séculos XV e XVI, aos Frades do Convento de Espinheiro, em Évora. A fama destes vinhos permitiu que fizessem parte dos mantimentos de muitas naus que viajaram para a Índia, no tempo dos descobrimentos.

 

 

Teria sido o vinho que Cabral serviu aos índios quando descobriu o Brasil!

 

 

Recuperado no século XIX pela próspera Casa Soares, que o transformou num vinho sofisticado. Devido à filoxera, praga que devastou as vinhas de toda a Europa, deixou de se produzir. Foi o herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares quem, em 1987, ofereceu o nome do vinho à Fundação Eugénio de Almeida.

Significa pedra manca, ou oscilante, e é uma característica de uma formação granítica de blocos arredondados soltos sobre uma rocha firme (muita gente boa achava que era um defeito na pata do cavalo do rótulo…) -, outro tanto pela tradição, já que seria este o vinho trazido pela nau de Pedro Álvares Cabral. A verdade é que a fama do vinho se deve à soma das curiosidades anteriores aliadas a alta qualidade da bebida.

Provenientes das vinhas da Fundação Eugénio de Almeida, as castas utilizadas (alentejanas, consagradas e recomendadas para a Denominação de Origem Controlada Alentejo) nos Pêra-Manca branco e tinto conferem a estes vinhos personalidades bem marcadas e estilos muito próprios.

O Pêra-Manca tinto é sempre elaborado com duas castas, as portuguesas Trincadeira e Aragonês (lembrando, Aragonês é o mesmo que Tinta Roriz no Douro e Tempranillo, na Espanha). As vinhas, localizadas na região do Alentejo, mais precisamente em Évora, têm mais de 25 anos (a idade das vinhas é sempre mencionada, pois é um sinal de qualidade; as plantas mais velhas possuem raízes mais profundas que trazem mais nutrientes para as uvas) e só viram mosto para o Pêra-Manca em safras consideradas excepcionais pela Adega Cartuxa. A bebida estagia por 18 meses em barricas de 3.000 litros e mais um ano na garrafa antes de chegar ao mercado. O perfil comum dos vinhos é sua força, intensidade de sabores e aromas, o toque da madeira bem integrada as frutas mais para compota e a longevidade. Como bom representante do Alentejo, são vinhos quentes.

As safras que não são consideradas excepcionais são engarrafadas com o rotulo do Cartuxa (também um excelente vinho) e vendido a preços bem mais em conta do que o Pera-Manca.

A propósito, a última oferta no Mercado Livre, uma de coleção com 12 safras de Pêra-Manca Tinto por apenas R$ 23.500,00. Para quem gosta e pode; boa pedida!

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                Por Celso Mathias

100 anos de Hélio: uma história de amor

Acordei hoje com a alma leve e, após ler uma postagem da Flavia Carvalhinho sobre um centenário, fiz um rápido passeio pelo Google e olha eu aqui novamente na minha querida Chapot Presvot, a rua mais glamorosa da Praia do Canto. Mais uma olhada, dessa feita, no Facebook e olha ele lá; o Hélio, ele mesmo, na mesma janela e o mesmo poderoso saxofone ao entardecer. Ele completou 100 anos hoje! E aí foi um turbilhão de lindas lembranças dos dois quarteirões entre a Eugênio Neto e a Saturnino de Brito.

Ente os núcleos do trecho, o Edifício Elvira Maria, o primeiro construído pelo grande incorporador e homem público, Crisógono Teixeira da Cruz, prefeito de Vitória, quando mudei para aquele pequeno paraíso. Os meus vizinhos, o agitado inglês, Bruce Hines, o vereador Hélio Machado, O incrível professor de matemática, Eder Machado e sua linda Luciana Thomé, a chic loja de calçados da Leila, que com o marido, nos deixou tão cedo em um acidente automobilístico, o incrível Hélio Abreu Moraes e seus dois filhos. Helinho, à época um jovem estudante de Medicina e Helder, filho caçula do casal que tinha como matriarca, D. Irene, doce poetisa que contrastava com a irreverência do Hélio.

Solteiro, mudei para o Elvira Maria e ocupei o apartamento 01, no térreo e francamente, nunca fui o vizinho mais civilizado. Exagerava na altura do som. Logo nas primeiras noites, o síndico, Sr. Hélio desceu para reclamar. Em uma crônica da ainda na edição impressa da Revista VidaBrasil, usei da licença poética para contar que o Hélio descera para reclamar e amanhecera o dia na festa. Na verdade, ele desceu, reclamou, foi convidado a entrar, viu que eram apenas jovens bebendo cerveja e lá ficou até certa hora da madrugada. Daí em diante, nunca mais parou de descer para reclamar e, para a alegria de todos; ficar.

E que surpresa agradável, descobrir que o Hélio, que há quarenta anos, embora com idade de ser meu pai, me tratava como amigo, bebíamos juntos, muitas cervejas e caipirinhas, continua saudável e lúcido, nos presenteando hoje, 09 de novembro de 2021, com 100 anos de sapiência, encantando a todos com seu bom humor, talento musical, contando histórias que só ele pode contar e me ajudando a contar histórias de um lugar e de um tempo tão bom!

 

Na casa à direita em sentido da Aleixo Neto, a família Coelho. D. Maria de Lourdes que era só simpatia, o marido Argemiro, que todos chamavam de Zezinho, a menina Isabel, uma bela teenager, o menino Bell e Marcos, que entrou para o mundo da moda com a vitoriosa etiqueta Jimmy Lapin. Na sequência, a Banca do Japonês, o querido Flávio, que nos deixou tão cedo. A banca continua por lá até hoje, no antigo prédio, se não me engano, da família Fernandes Moça.

Em frente ao Elvira Maria, a Rosa Amarela, a boutique feminina de Nely que depois recebeu um setor masculino sob o comando de Nagé, seu marido e grande praça. Além de ótimos no que faziam, eram pessoas muito queridas da cidade.

No mesmo imóvel da Rosa Amarela, no primeiro andar, pouco mais do que um menino, Wildson Pina dava os primeiros passos para se transformar no grande profissional de beleza e bem-sucedido empresário. À época, já o acompanhava na batalha do dia a dia, o não menos querido Emílio Frizzera. Eles continuam fazendo história e deixando as pessoas mais belas e felizes.

Na mesma calçada, Dr. Carlos Schwab e D. Maria Agar, ela saudável e lúcida aos 95 anos, criavam os filhos Antônio Carlos (Gugui), Nando, as filhas Carminha, Inês e Irene, hoje médica e casada com o namorado da época, o sempre gentil Ítalo Baldi, que generosamente me supriu de informações para reconstruir o trecho da rua.

 

Tudo pertinho. À direita no sentido da Saturnino de Brito, uma das lojas do Supermercado São José, ponto de compras e de encontros. No quarteirão seguinte, à esquerda, o Bar do Valdecir Lima e do Gil Quintela Torres onde as serestas varavam a madrugada. Na sequência a encantadora Chácara Von Schilgen. À esquerda, com a brisa do mar da Praia do Canto soprando no rosto, uma visita ao varandão do Iate Clube para um bate-papo com os Coser, Gersino, Otacílio e filhos, Edgarzinho Rocha, Zé Carlos Gratz, Carlos Guilherme Lima, Taca Paiva, Aécio Bumachar e tantos outros que marcaram a vida da cidade.

Muitos desses, já são apenas saudades. Outros dessa encantadora Praia do Canto, continuam fazendo de Vitória, a capital mais humana e encantadora do país, além de ter marcado definitiva e positivamente a minha existência!

 

 

 

                                                                         Por Celso Mathias