Por onde anda o Nêgo que veio do céu?

 

Em matéria produzida em maio de 2012, contei um pouco da bela história de um euclidense que fez muito por muita gente dessa terra. No difícil momento que a humanidade atravessa, é bom lembra de quem já estendeu a mão a quem precisava, inflamou palanques políticos e se doou à cidade. Por isso, é bom perguntar: por onde anda Judival Araújo, o Nêgo da Lindaura?

Dobrava o sino da velha igreja com o repicar solene convidando para a missa de domingo. O severo Padre Jackson paramentava-se na estreita sacristia onde descansavam o sono eterno, figuras ilustres que construíram o Cumbe ganhando o direito de ali repousar. Entre os frequentadores mais assíduos da casa, o comerciante Pedro Quirino sempre elegante com sua gravata borboleta e o saquinho de veludo verde como qual recolhia donativos para a causa vicentina.

A Praça da Bandeira onde foi erguida a primeira Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, já nasceu

com o apelido de Rua da Igreja. É nessa “rua” então habitada por boa parte da classe média local, que vamos encontra o menino Judival Araújo, o Nêgo da Lindaura. Nascido em Canudos, então distrito de Euclides da Cunha, migrou por várias cidades da região acompanhando o pai, soldado PM Agnaldo Augusto Araújo. “Meu pai era sempre chefe de destacamento. Como ele era o único soldado, era o chefe dele mesmo”, conta Nêgo aflorando sua impressionante veia humorística.

 

 

 

 

Em 1959 o soldado Agnaldo e sua mulher Lindaura fixaram-se na Rua da Igreja na casa onde hoje funciona o Martelinho de Ouro. O casal gerou 18 filhos. Seis morreram ainda criança. Dos doze restantes, me lembro especialmente do Nêgo e do Juarez.

 

A pequena igreja construída no final do século XIX por um metre de obras chamado de Conselheiro (não se trata do beato de Canudos), também construtor do Cemitério de São José e de outras igrejas na região, ocupava uma lateral da praça com os fundos mais ou menos em frente à casa de Pedro Agres de Carvalho, o Pequeno, pai de Joaninha Parteira e avô de Bodoiô, a poucos metros do local onde hoje está Churrascaria da Carminha. Lamentavelmente demolida, a antiga igreja que servia de cemitério para pessoas ilustres, levou com o entulho, uma boa parte da história da cidade.

 

Juarez, o irmão do Nêgo tem uma história muito peculiar. Dono de inteligência privilegiada e de um gênio indomável, construiu na Policia Militar da Bahia uma carreira brilhante, porém cheia de altos e baixos. Ao contrário do que conta a história, foi ele o primeiro Euclidense a chegar ao posto de Coronel através de formação regular. Entre brigas, episódios envolvendo álcool e outras ocorrências não elogiáveis, concluiu brilhantemente o curso de oficial e percorreu todas as etapas até atingir o posto de Coronel. Morreu aos 65 anos.

Na Rua da Igreja, reunia-se com o Nêgo para partidas de futebol e diversas traquinagens, um grupo formado por Rivaldo, hoje comerciante na Avenida Ruy Barbosa, Zué, Bodoiô, Reginaldo e Totinho, filhos de Miguel Fogueteiro, e os saudosos Domingos de Guilherme, Aderno e Gildão.

Ente as traquinagens do Nêgo, a mais carregada de adrenalina consistia em correr sobre as paredes da nova igreja em construção e ainda sem teto a mais de 15 metros de altura. A plateia se enfileirava entre assovios e aplausos.

 

Em 1961, uma tragédia ceifa a vida Miguel Fogueteiro e a família Maia, muito ligada à família de Nêgo muda-se para Salvador e junto vai o traquina procurando melhor condição de vida. Todos os Maia conquistaram espaços importantes nas atividades que abraçaram. Nêgo não decepcionou. Em 1964 ingressou no Corpo de Fuzileiros Navais onde se aposentou como sargento em 1969 ao se ferir gravemente em um salto de paraquedas, divisão na qual atuava.

E foi após cair do céu que Nêgo retornou a Euclides da Cunha, juntou seu soldo e economias para tentar melhorar a vida dos familiares que aqui ficaram.

Inteligente, bem informado e líder por natureza, colaborou em diversos projetos ajudando a melhorar a qualidade de vida de parentes, amigos e até de simples conhecidos.

 

Participou de diversas campanhas políticas sem nunca se candidatara a qualquer cargo eletivo e, em várias administrações, atuou como responsável por algum setor, sem nunca receber um tostão de salário. “Sou aposentado. Já recebo do Governo Federal e por isso, acho que devo dar a minha contribuição sem receber mais nada”, justifica ele.

 

Irreverente e cheio de tiradas humorísticas e filosóficas, consegue com graça dizer tudo que pensa das pessoas sem nunca as ofender. Chama alguns de velho, outras de feia, alguns de analfabetos… diz o que bem quer sempre com um sorriso franco e uma carga de humor que só ele sabe fazer. Dito por qualquer outra pessoa, as palavras dele soariam como ofensas.

Somos resultados de um estrato social atípico. Fui criado em Euclides da Cunha que tinha uma população predominantemente parda, uma grade quantidade de brancos notadamente da família Abreu e negros que foram amigos de infância e que na nossa cabeça nunca fez e faz qualquer diferença. Entre outros que aqui residem, o Nêgo da Lindaura (na foto com o saudoso Zeca Dantas) é um desses para quem racismo é apenas uma piada que ele utiliza com frequência. E é essa irreverência inteligente que faz dele um ser impar que transita em qualquer ambiente, em qualquer classe social, em qualquer tendência política sempre se impondo como um cara que caiu do céu e sabe tanto olhar para cima como para baixo.

Homem de muitas amizades. Na sequência de fotos, com a amiga Lucinha, em desfile cívico ao Lado do prof. Delço Matias e com Tonheco Dantas.

 

A Visita

 

O som agudo de sinos vinha de longe. Estranhei a insistência. Levou um tempo para eu me lembrar de que era o som da nova campainha da porta de casa. Feriado nacional, e alguém chegava sem me avisar em dia de faxina. Descomposta, abri a porta, e você entrou todo molhado da chuva. Estava sério. Estranhei. Porque você nunca é sério. Você insistiu então que estava me procurando desde cedo em outro endereço, no mercado, no shopping, na chuva, na rua. Disse que tinha ido e vindo porque não queria desistir. Não daquela vez. — Desistir de quê? — Disse que tinha me ligado. Falei que não ouvi. Tão estranho você bater na minha porta e me falar, olhando sério para mim, que me procurava. Procurar por mim soava estranho. Como se eu não estivesse sempre aqui.

Como assim? De novo? Outra vez aquela história de você me querer. Falando desse tal desejo que era assunto encerrado faz tempo. Pedi pra você voltar duas casinhas e me dizer qual foi a parte do não vai rolar que estava desentendida. Você me olhou. E continuou me olhando, muito sério, enquanto tirava os óculos. Nunca conheci você como uma pessoa séria. Somos assim, de rir muito de tudo. Mas, sem óculos, parado ali, eu tinha de olhar para os seus olhos. Meio incômodo você na minha frente todo molhado. E sem óculos. Naquele instante, era como uma espécie de nudez toda sua diante de mim. Eu, descomposta, roupas soltas de faxina, descalça e descabelada. Ia nisso também outra nudez: a minha diante de você, parado ali, absurdamente me querendo naquele dia feriado. E com chuva.

 

Expliquei-lhe então tudo outra vez. Você é só uma pessoa para mim. E pessoas não têm sexo. Pessoas estão aquém ou além da sexualidade, e desta eu já nem me lembrava mais, desde que me fora cirurgicamente removida. Não adiantou explicar. Nem falar pra você sobre o meu olhar agudo lançado ao mundo. Minhas vontades e minhas não vontades. Tentei mais uma vez retornar aos fatos, racionalmente. Minha lógica, naquele momento, não dispensava argumentos. Falei e cansei, porque, o tempo todo, você só me olhava. E olhava para a minha boca enquanto eu falava. Ia chegando perto, mais perto.  Parei de falar por conta dos seus beijos. Um pouco tímidos primeiro. Depois mais insistentes. Não correspondi. Mas fui deixando que você me beijasse. Você não ia me ouvir mesmo. Não quis lhe dar um daqueles empurrões estilo chega pra lá, como sempre, porque desta vez você estava sério. Das outras vezes, tudo era riso e brincadeira.

Beijos. Só isso. E a chuva. E o feriado. Você me beijando era quase um pecado, mas beijava. Com ansiedade, sim, mas vagarosamente. Na hora pensei que, afinal, era só você e que ia passar. Mas estava demorando tanto. Comecei a perceber que sua boca era macia e que a pressão estava certa. Deixei que você colocasse sua língua dentro da minha boca, e você fez isso bem devagar. Eu espreitava cada movimento seu. ― Maldita lucidez! ― Percebia os seus músculos sob a roupa molhada, o seu cheiro e as batidas do seu coração. Me aproximei um pouco mais do seu corpo e senti que os seus braços me puxavam. Você era firme, me atraía para perto de você, mas fazia isso delicadamente. Como se soubesse calcular as forças e, sem me arrastar para muito perto, não deixava, de jeito nenhum, que eu fosse para mais longe. Não fui. Deixei que o meu corpo chegasse muito perto do seu. Notei o quanto de desejo havia ali, entre as suas pernas. Sorri naquela hora, porque era tudo muito inusitado. O feriado, a chuva, a surpresa, seus beijos, seu desejo explícito e eu, bem ali, no meio de tudo aquilo.

Notei que o seu tamanho combinava com o meu, mesmo que você seja bem maior. O seu beijo passou a ser também o meu beijo, e o seu corpo se somou ao meu corpo. Sua barba um pouco crescida me arranhava deliciosamente. Depois percebi que não estava mais sentindo o chão e que você estava me levando para o meu quarto. Via as paredes da casa ficando atrás de nós. A porta estava aberta. A cama, arrumada.

A chuva então despencou com força. Era musical. Eu tinha, sim, muito presente todos os meus discursos, todas as minhas teses, toda a arrogância que me distanciava do corpo há tanto tempo. Tinha tudo isso presente, tão presente quanto o absurdo daquela situação que não era para ser. Maldita lucidez. Era você bem ali, e também eu, e estávamos nos beijando, no meu quarto, diante da minha cama. Era algo meio surrealista. Pensei afinal que, se fosse pra ser, teria preferido um dia no qual eu pudesse estar menos vulnerável. Porque eu estava vulnerável naquele momento: descomposta, descalça e descabelada. Você só parou de me beijar quando, de pé, na minha frente, com as mãos pressionando os meus ombros, me fez sentar à beira da cama, prendendo meus joelhos entre as suas pernas. Sem deixar de olhar para mim, você tirou o seu blusão molhado. Depois, a camisa. Pude olhar pra você em detalhes. Não falamos mais nada, mas percebi, pelo seu olhar, que você me pedia para não lhe dizer não. E eu sei que, se lhe pedisse para parar, você pararia. Mas eu não pedi, e você não parou. Também não impedi que você tirasse o resto das suas roupas, nem que você tirasse todas as minhas, nem que me visse nua. Não importava mais àquela altura o meu corpo, porque eu via, sim, era o seu corpo bem de perto e todo o seu desejo que, naquela hora, ia todo para mim. Eu não disse nada. Apenas dei lugar para você se deitar do meu lado na cama. A chuva não parava, e eu via que, se ela não parava, eu também não ia pedir para você parar, porque as águas da chuva lá fora inacreditavelmente vieram ter comigo. Percebi então que o seu desejo era o meu desejo. Simplesmente eu também estava ali querendo que você continuasse a me abraçar daquele jeito. Não havia planos. Só aquele instante. E a chuva. Deixei que você percorresse meu corpo. Me enterneceu perceber que você me descobria como criança diante de um brinquedo desconhecido, que você me olhava, me examinava, e me acariciava docemente. Depois, com força, me abraçava como se eu fosse fugir. Não fugi. Sempre pensei que você seria o último homem com quem eu me deitaria. Tinha absoluta certeza de que você não saberia como me tocar, nem onde. Mas a cada gesto seu, eu me descobria múltipla. Suas mãos e sua boca percorreram regiões do meu corpo de cuja existência eu nem suspeitava. Eu sentia o seu desejo, e ele era o meu desejo também, e a chuva era o ritmo daquilo tudo. Ora forte, com trovões e relâmpagos, ora sossegada, quase uma garoa. Comecei então a tocar no seu corpo e senti que, sob as minhas mãos, seu desejo respondia mesmo aos toques mais sutis. Ao final, algo se criou ali. Espécie de nós dois, tão descompensados, tão desiguais. Quando passou, nos encostamos um no outro. Breve olhar que selou mais uma cumplicidade: vamos selecionar essa última hora, deletar tudo e fechar sem salvar nada. Atentos, ouvíamos a chuva e o tempo que, em breve, ia recomeçar sua contagem. Sempre em silêncio, porque não havia nada para dizer. Depois tudo aquilo pareceu distante e estranho. Só me lembro dos sinos, que tocavam insistentemente ao longe, e depois mais de perto. Era a campainha da porta de entrada. Olhei em volta da cama e percebi ao meu lado apenas um livro aberto. Anoitecia. A chuva molhava as cortinas do quarto. Uma janela aberta batia com vento. O sino da campainha soou outra vez.

Sonolenta me sentei na cama. Acendi a lâmpada de cabeceira. Descalça, segui pelo corredor e fui até a porta. Era você. Todo molhado. Viera na chuva dizendo que precisava me ver. Respondi então que eu, naquele instante, só precisava mesmo era de um bom café.

 

PorBeatriz Basto

A Confraria dos Puros

Alexandre Avellar, Cezar Villar de Melo, Wilson Minhoca, Vivi e Ramaldes da XYZ em reunião agradável no Pier

O Espírito Santo sempre foi pródigo em coisas boas. Mármore, granito, bom café, transporte e por aí vai. Em boas novidades sofisticadas também: importação de automóveis e especialmente no consumo de bons vinhos iguarias e charutos. Quanta saudades da Casa do Porto da Aleixo Neto, sob o comando do querido Péricles, que hoje brilha nos Jardins da Pauliceia. Mas vamos falar aqui de charutos e focar nas confrarias, lugar onde pessoas que têm ótimo gosto e um bom trocado no bolso, já que um Cohiba Robusto, um dos meus prediletos, precisa de cerca de U$40 para ser abatido, ou queimado, se reúnem para harmonizar discussão sobre o sentido da vida, da forma mais agradável possível, ou seja, entre longas e saborosas baforadas.

Charuto Cohiba Robusto

Pois, em Vitória, capital do Santo Estado, um grupo seleto fundou a Confraria dos Puros, a primeira da cidade. Para conhece-la, nada melhor do que dar uma baforada no texto de um dos seus fundadores e presidente, o brilhante advogado Carlos Augusto da Motta Leal. Vai ter início a sessão:

Apreciadores de charutos exalam convivência, inspiram-se por boas conversas e encantam-se com as melhores histórias, ainda que sejam estórias. Crescer pessoalmente é conviver e conviver é ouvir, falar, rir e aprender. Isto, no amálgama em que consiste o hábito de degustar um bom charuto com amigos, é uma das ótimas coisas da vida.

Carlos Augusto da Motta Leal, Fernando Madeira, Cezar Villar, Aloísio, Leonardo Lage da Motta, Gervásio Viçosi e Wilson Minhoca

Neste propósito é que há mais de dez anos, começamos a nos reunir em Vitória para degustar um puro no fim das sextas feiras e com a alegria peculiar inaugurar o fim de semana. Eu, Cezar (Ave Cezar), Wilson Minhoca e Leo, no extinto Café Tabaco.  Muitas risadas e ótimos papos. Logo logo, nosso hábito então inusitado, incomodou os presentes, mesmo com aquele tufão (ah aquele tufão…) não permitiu que ali persistíssemos. Gentilmente convidados a não voltar com charutos, descobrimos uma Loja de Roupas na Celso Calmon, que teve a ideia de depois das 18:00 h criar um ambiente para

fumadores e bebedores: dois ótimas e harmoniosos hábitos. E lá fomos nós, já ensaiando dar corpo, pois alma já tinha e muita, ao nosso grupo. Em uma das belas e agradáveis noites, Cezar cuidou de se empolgar com um vinhozinho e passamos a ser especiais clientes do estabelecimento.  Local agradável, garçom empolgado, momentos sempre memoráveis

 

Não durou muito, a ideia comercial da casa pereceu e ficamos desabrigados novamente. Eis que o café da esquina da João da Cruz com a Aleixo Neto nos recebeu e muito bem.  Neste momento já agregava valor à Confraria o grande Gervásio

Paulo Finamore e Gervásio Viçosi

Viçosi. Dias e noites ótimos ali. Ponto especial, nós exalando muita fumaça e alegria – as mesas ao lado com aquele infeliz abanar –  e ficamos… Certa noite a atendente anunciou o pior: a casa vai fechar. Logo veio o pensamento: seremos nós os destruidores de estabelecimentos? Algum otimista pautou a ideia: vamos comprar o ponto, fumar tranquilo aqui e ganhar um cascalho, pois aqui falta é gestão… coisa da terceira taça e do segundo doble corona. Logo o racional subiu e se viu que era furada. Resultado: desabrigados novamente. Mas aí, da mente poderosa de Wilson Minhoca nasceu a ideia: vamos criar nome, marca e logo para merecer a devida valorização e vamos para a calçada da Cachaçaria em Camburi. E lá fomos nós de casa nova. Muito bem recebidos, ficávamos no cantinho na área externa. E não é que demos fama e público ao

local? Qual não foi a surpresa a turma do abanador apareceu. Mesmo sentando depois sempre um infeliz a reclamar e com ousadia: – “tá fedendo a charuto aqui. ” Opa! Aí ofendeu! Charuto tem aroma, perfuma o ambiente e jamais pode ser

agravado com esta injúria. Mas como bom fumador quer paz, alegria e não gosta de incomodar, Minhoca, sempre ele, o

Wilson  (Minhoca)

criador e Embaixador da confraria dos puros, citou o Amadeu e sua casa, o Canto do Vinho. E lá fomos nós: enfim um porto seguro. Canto nosso, atendimento especial, mesa marcada, cinzeiro albergado e só alegria. Achegaram-se com muito valor Fernando Madeira, Aloisio e Luizinho. Muitas e muitas sextas, até que Amadeu falou em vender a casa e pediu para vender junto, para agregar valor, o registro de que era o loc da Confraria dos Puros.  Permitimos sem royalties pois

somos gratos à especial acolhida … nesta época Fernando Mattos já cerrava nossas fileiras com vigor. Habanos, off Cuba e baianos de escol pululavam à mesa. Eis que Ronaldo comprou a casa (Pier Aleixo) e manteve a mesma pegada, com um adendo, ele aprecia bons puros. E lá estamos e continuamos, inaugurando os fins de semana com ótimos puros e bons papos, às sextas-feiras as 18:30h.

Confraria dos Puros, sinônimo de bons papos e memoráveis momentos. É só chegar, sentar, acender um puro de boa índole que a alegria é certa!

                                                                   Por Carlos Augusto da Motta Leal

 

Os confrades, Fernando Madeira, Fernando Mattos, Gervásio e Carlos Augusto

A noite em que Waldick Soriano redesenhou o society carioca

Encontrei esse delicioso texto de Renzo Mora, que me fez viajar ao início dos anos 60 e recordar o meu primeiro “copo” de vinho, o abominável – não naquela época –  Liebfraumilch, aquele da garrafa azul, importado diretamente da Alemanha. Waldick Soriano, então casado com uma tucanense que seria parente do meu pai, viera a Euclides da Cunha, para se apresentar no Cine Maria da Graça. Fui recepciona-lo no Hotel do Guinho, que ficava na Rua da Bomba, onde hoje está instalada a loja Canário Materiais de Construção. Calça de veludo cotelê marrom, camisa xadrez, sapato mocassim, chapelão de cowboy e o indefectível óculos escuros, subimos a pé para a Praça Duque de Caxias e fomos ao Café Society, o bar de Zezito, pai do popular Nei Campos, localizado onde hoje funciona o Bar Princesinha. Ali, retirou da sacola, aquela linda garrafa e me ofereceu um copo com o “leite da mulher amada”. Foi o primeiro de milhares de outros copos de vinho que até hoje venho degustando e aprendendo. Obrigado WaldicK!

                                                                                                                                            Celso Mathias

Há dois Rios – O de antes e o de depois da passagem de Waldick Soriano pela boate Flag

Janis Joplin foi barrada na porta da Flag, um dos templos da boêmia e da boa música do Rio de Janeiro nos anos 1960. Em compensação, Elis, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Sarah Vaughan não apenas passaram pelo porteiro do festejado club do Chef José Hugo Celidônio em Copacabana como deram canjas memoráveis, acompanhadas ao piano pelo mestre Luís Carlos Vinhas.

Com esse finíssimo pedigree, deve ter provocado alguma espécie o show agendado para aquele dezembro de 1971: O rei da cafonice, Waldick Soriano. Nos dias de hoje, quando milionários com déficit proteico na infância (fator identificado como inibidor de QI) ouvem abominações neo-sertanejas à guisa de música, talvez a mistura não provocasse tanta estranheza. Mas, naqueles tempos, o dinheiro não se limitava a exibir grifes: tinha que mostrar refinamento – ou pelo menos alguma imitação relativamente passável. O show de Waldick no Flag tinha sido um arranjo de Beki Klabin, a extravagante milionária turca que animava as noites cariocas. A ex do cirurgião plástico Hosmany Ramos (mais tarde preso por tráfico internacional de drogas), conhecida pela ausência de atrativos não monetizáveis, estava nos bastidores do programa do Chacrinha (onde era – vá lá – “jurada”) quando encontrou o intérprete baiano e rendeu-se ao seu charme rústico, iniciando um comentado romance.

Waldick foi agendado como um freak show, uma piada para milionários entediados, uma espécie de atração de safári fotográfico pelo subúrbio. Mas eles, obviamente, não sabiam com quem estavam lidando e cometeram o erro de menosprezar nosso Johnny Cash. Vamos começar, bem, pelo começo: Waldick teve uma origem tão pobre quanto Cartola, por exemplo. Angenor de Oliveira foi, como ele, servente de pedreiro (usava um chapéu-coco para se proteger do cimento que caía de cima, o que lhe valeu o apelido).

Eurípedes Waldick Soriano iniciou sua vida profissional no mundo não exatamente cordial do garimpo, onde qualquer mínima desavença pode terminar em assassinato. Ele próprio por pouco não matou o novato desavisado que deu um tiro em seu bicho de estimação – uma jiboia de nome Índia (a tristeza com a morte da cobra teria sido a razão dele ter abandonado as pedras preciosas da baiana Serra da Coruja). De lá, juntou seus trocados e partiu para as ruas de São Paulo, determinado a virar cantor. Antes disso, foi engraxate – e não seria impossível que pouco tempo antes ele tivesse lustrado o sapato de alguns de seus espectadores daquela noite na Flag. Cartola escreveu sambas memoráveis, como “As Rosas Não Falam” e “O Mundo é Um Moinho”. Mas Waldick compôs – entre outras pérolas – “Tortura de Amor”,    genial bolero eternamente ignorado pelos estudiosos de música, o que deixa claro: o andar de baixo pode fazer música, desde que circunscrita a um gênero devidamente chancelado pela intelligentsia. O resto é brega e não falamos mais nisso.

Para aprisioná-lo ainda mais no último círculo do folclore nativo, o visual de Waldick era produto de sua tentativa duvidosa de emular o estilo de seu ídolo das telas, Durango Kid – terno preto, chapéu e óculos escuros. A primeira aparição de nosso man in black devidamente paramentado provocou o que ele chamou de “mangação” por parte da cafajestada de um bar em sua Caetité natal. Ele colocou seu cavalo para cima dos “mangadores”, espancou os desajuizados que não fugiram e impôs seu look definitivamente. E foi de cowboy de matinê que ele venceu as portas da Flag. O início foi frio. Waldick não conhecia o público – e este ignorava qualquer canção de seu repertório que não fosse a icônica “Eu Não Sou Cachorro Não”. Mas sua química começou a funcionar. As mulheres começaram a beber. E, bebendo, começaram a sentir a combinação mortal de Scotch 12 com os feromônios fermentados com cal no pátio de uma construção. Ao final, como ele próprio contou em suas memórias “…a festa chegou ao máximo. Tirei o paletó, abri a camisa e subi no piano. As granfinas vinham me cumprimentar, abraçando-me, beijando-me… uma delas, quando me beijava boca-com-boca, língua-com-língua, deu-me uma sensação de loucura tão grande que caímos ali no meio do salão e fomos apartados, porque senão a briga era feia, naquela hora o troço seria imprevisível”. Sergio Bitencourt registrou em sua coluna no jornal O Globo de 22/12/1971: “Foi uma loucura. Não dava nem para periquito voar. De repente virou histeria. Gente que, sinceramente, eu nunca pensei, entregou-se”. Aquela noite no Flag deve ter deixado marcas indeléveis na sociedade carioca. Madames no Country Club passaram a ser julgadas com base em sua falta de resistência ao cantor. Reputações quatrocentonas devem ter desmoronado. Senhoras até então respeitáveis guardaram seus maiôs e desapareceram da piscina do Copacabana Palace. Casamentos estremeceram. Namoros viraram pó. Beki Klabin passou a ser – pela primeira vez – alvo da inveja de seus pares. Sócios de longa data podem ter rompido aos tapas depois de ouvir uma das partes comentar inocentemente “sua mulher, hein, como gosta do Waldick…” A piada da noite era Waldick. Mas ele riu por último.

 

 

 

Por Renzo Mora – escritor e roteirista. Publicou os livros “Cinema Falado”; “Sinatra – O Homem e a Música”; “Fica Frio – Uma Breve História do Cool” e “Frank, Dean & Sammy: 3 Homens e Nenhum Segredo”.

 

Ele desafiou a morte e viveu 256 anos

 

 

 

Quando uma pessoa chega aos 100 anos é considerada como célebre, por conseguir viver tanto tempo. Dercy Gonçalves e Oscar Niemeyer são dois exemplos de personalidades brasileiras que avançaram para além da marca do primeiro centenário. Mas o que você diria que teve um chinês que viveu 2 séculos e meio? Pode parecer mentira ou até mesmo contagem errada de idade, mas fato é que o mestre taoísta chinês, Li Ching Yuen chegou aos 256 anos de idade e muito bem vividos.

Conheça um pouco mais da história desse metre e como ele conseguiu a proeza de se manter lúcido e vivo por tanto tempo.

Li Ching Yuen – O chinês bicentenário era um herbalista e praticante de Chi Kung. Ele nasceu em 1677 e só morreu em 1933 de causas naturais. Apesar de parecer impossível de acreditar que um ser humano pode viver por tanto tempo, há alguns documentos que provam o fato.

Além disso, algumas técnicas espirituais praticadas por Li Ching Yuen são conhecidas por poderem prolongar e melhorar a qualidade de vida. Aliás, ele é o único homem, do qual é provado através de documentos, que viveu tanto. Não se tem registro de outra pessoa que tenha chegando à mesma idade ou ultrapassado em vida Li Ching Yuen em toda a história da humanidade.

Niemeyer e Dercy, são exemplos brasileiros de longevidade e lucidez

Práticas espirituais – O taoísmo, por exemplo, é uma tradição chinesa com ênfase na vida em harmonia com o Tao, ou seja, harmonia com o caminho, ou vida. Já o Chi Kung é um exercício de cultivo de energia. Essas práticas estimulam a circulação da energia Chi, ou energia vital do corpo.

 

A longevidade do mestre Li Ching Yuen é atribuída, além de outras coisas, justamente a essas práticas espirituais. Foi a partir desses exercícios e de estudos sobre alquimia e Medicina Tradicional Chinesa, que Li ching Yuen começou a doutrinar a mente e o corpo. Ele também passou a fazer exercícios, praticar meditação, aprender e aplicar a filosofia e a medicina na vida cotidiana.

O mestre chinês também mudou os hábitos alimentares e vitais. Ele passou a usar plantas medicinais com mais frequência, dormia e acordava cedo e não utilizava drogas, nem bebia, ou fumava. Com uma mudança desse tipo, tanto o corpo físico como o mental faz com que uma pessoa ganhe mais força e forma para viver.

O segredo da longevidade – No ano de sua morte, em 1933, a revista Time publicou um artigo intitulado “Tartaruga – Pombo – Cão” (Tortoise-Pigeon-Dog) sobre o mestre. Nele, Li Ching Yun foi questionado sobre qual seria o seu segredo da longevidade. Sem pensar na hipótese de negar o pedido, o mestre responde com veemência.

“Manter o coração calmo; Sentar como uma tartaruga; Andar vigorosamente como um pombo; E dormir como um cão”.

Ainda de acordo com este artigo, o professor chinês Wu Chung Chieh, que era diretor do Departamento de Educação da Universidade de Chengtu e o autor de texto, encontrou alguns registros sobre o chinês bicentenário relatando sua vida e o feito de viver por mais anos do que o comum.

Wu Chung Chieh conta que encontrou uma nota do Governo Imperial da China de 1827, que parabenizava Li ching Yuen pelo aniversário de 150 anos. Segundo o artigo, Li Ching Yuen teria se casado 23 vezes e tido mais de 180 filhos.

Outra referência sobre o mestre Li Ching Yuen é feita no livro Ancient Secrets of Youth, de Peter Kelder. No livro, um dos discípulos do mestre, chamado Da Liu, conta que quando Li Ching Yuen completou 130 anos, ele encontrou um eremita ainda mais velho que ensinou práticas de Chi Kung.

Essas práticas incluíam exercícios de respiração, movimentos com sons e recomendações de comidas e ervas medicinais. Tudo isso seria para aumentar, ainda mais, sua longevidade. Segundo o discípulo, o mestre atribuía a sua longa vida a todos esses exercícios.

Ele dizia que a longevidade “é devido ao fato de que realizei esses exercícios a cada dia, regularmente, corretamente, e com sinceridade, por 120 anos”!

A alimentação – Quanto à alimentação, os pesquisadores de humanos centenários – e nesse caso bicentenário – não chegaram a conclusão de Li Ching Yuen era totalmente vegetariano, mas se sabe que a carne vermelha foi abolida de sua dieta.

Pelos relatos, no entanto, percebe-se que um papel muito importante na nutrição do mestre era das plantas e raízes – in natura, ou chá. Os pesquisadores afirmam também que ele provavelmente consumia muito leite e derivados, para manter o cálcio nos ossos.

Essa fotografia foi feita por um membro do Exército Nacional Revolucionário Chinês em 1927, na cidade de província de Sczechuan. O mestre Li_chingYuen1 foi retratado por esse membro do exército como “sua visão era perfeita e sua pele firme; Li tinha cerca 2m. de altura, unhas muito longas e compleição forte.”.

 

                                                                Por Celso Mathias/Agpress

Mr. Vegas: o Ciro que eu conheci

 

Há dois anos, na data de hoje, perdíamos o empresário Ciro Batelli. Eu, perdi um amigo! E, pelas circunstâncias que Ciro nos deixou, fiquei esses dois anos imaginando que recado deixar para a família Batelli e para outros

inúmeros amigos, que como eu, apesar dos 85 anos de ele tinha, a morte foi uma surpresa. Ciro era um homem do mundo, um cidadão do mundo, mas com o temperamento e a postura da gente boa de Ribeirão Preto, onde nasceu e chegou a exercer a advocacia, profissão que abraçara na juventude. Versátil, foi além de advogado, produtor de fotonovelas, empresário da noite em São Paulo, até que a força do destino o levou para a direção do Caesars Atlantic City, onde o conheci por volta de 1985, durante show de Roberto Carlos.

Em Atlantic City, Ciro fez o inimaginável. Multiplicou as receitas do Casino, divulgou a atividade na Europa e no Oriente Médio, ali, transformou-se na maior autoridade do mundo, naquele ramo e também, uma grande autoridade em gente, no ser humano. Dali, para a vice-presidência da rede de hotéis-cassino Caesar Palace, em Las Vegas, foi um pulo, levando ao lugar uma leva de brasileiros para conhecer, curtir e gastar na cidade, o que lhe valeu o apelido de Mr. Vegas.

Com o ator Tony Curtis, amigo e vizinho em Las Vegas

O Ciro era um vetor de amizades. Conseguia transformar seus amigos em amigos entre si. Se relacionava com os garçons, crupiês, gerentes e pessoal da limpeza, da mesma forma como se relacionava com os bilionários donos e/ou acionistas dos grandes casinos, como Steve Winn do Bellagio e Sheldon Adelson do Venetian.

 

 

 

De 1985 em Atlantic City até 2002 quando deixei os circuitos internacionais, encontrei com Ciro  mais uma dezena de

Em Vitória na festa de VidaBrasil, com Gilberto e Mara Amaral, eu e o legendário Aramis Maia e o saudoso Paulo Cabral, presidente dos Diários Associados.

vezes, sempre em grandes eventos. Em Nova Iorque, em São Paulo, em Brasília, em Las Vegas, em Vitória, quando participou do aniversário da Revista Vida Brasil, da qual já fora capa e em Montevidéu, onde em companhia, entre outros dos grandes amigos dele e meus, Gilberto Amaral, Amauri Jr e Nelson Sardelli, entertainer brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de cinquenta anos e morador de Las Vegas.

 

 

 

Com o grande amigo Gilberto Amaral e a diva do jazz Dione Warwick

Nelson é uma figura impressionante e dono de uma trajetória que merece destaque. Na linda capital uruguaia, fomos participar, em um hotel de luxo da cidade, de um Casino de Ciro, em sociedade com o filho Fernando Batelli, à época, com pouco mais de 20 anos, um jovem que herdara o melhor do pai e da mãe Cristina!

Ciro com Vicent Falcone e o grande amigo Nelson Sardelli que aparece no detalhe com Mariska Hargitay.

O brasileiro Nelson Sardelli, morador de Las Vegas era também um dos grandes amigos de Ciro. Nelson tem uma história que merece um capítulo à parte. Famoso no mundo inteiro pelo romance que teve nos anos 60 com a grande atriz norte-americana Jayne Mansfield, fez carreira artista por lá e brilhou em importantes palcos e filmes. Há quem diga que ele seria o pai da premiada atriz Mariska Hargitay, nascida em 1964, filha de Jayne com Mickey Hargitay.

 

 

De Las Vegas, conheci o strip, através da Vênus Alada do Rolls Roice Corniche Branco, que Ciro ganhara dos acionistas do Caesars Palace, onde reinara como principal executivo. O “brinquedo inglês”, somava-se à Ferrai vermelha e a outros bólidos que Ciro guardava na garagem da mansão da Rua Batelli, onde morava e onde me recebeu na imensa sala com um autorretrato pintado por nada mais nada menos do que o ator Anthony Quinn e a ele dedicado.

Naquele dia, conheci também a ainda muito jovem Flávia, sua filha, o filho Fernando a sogra, Tata Lorichio, a quem Ciro dedicava um carinho muito especial e finalmente, a mulher Cristina, que comandava o Trilussa, luxuoso restaurante do casal, no Las Vegas Strip, onde almoçamos com muitas histórias, risadas e bons vinhos. Sendo amigo do marido, ela também me recebeu como se nos conhecêssemos a longos anos.

Roberto Carlos, Silvio Santos e a mulher, Isis, Faustão, Arnold Schwarzenegger, Cher, Dione Warwick, Ringo Star, Shirley MacLaine, Rudolf Nureyev, o então vice-presidente do Estados unidos, Dan Quayle e muitos outros do mesmo naipe, faziam parte do rol de amizades dele. Mas se você pensa que isso fazia de Ciro alguém presunçoso, comete um enorme equívoco. Com a mesma naturalidade que frequentava os lugares mais sofisticados do planeta e tinha amigos tão influentes e poderosos, tive a oportunidade de ir com ele em pequenos casinos arredores de Las Vegas, onde durante o dia, os mais simples empregados dos grandes Casinos, crupiês, seguranças, garçons e faxineiros, iam fazer suas apostas, comer sanduiches baratos e conversar. Talvez essa simplicidade foi que o tornou tão sábio para fazê-lo conquistar o que conquistou nessa passagem terrestre.

Sardelli, Lorraine, Ciro, Cristina, Tata e um amigo
Reportagem na Revista VidaBrasil em novembro de 1998

Pois, falar em sofisticação, brilho, luzes, boa música, carros de luxo, bons vinhos, bons conhaques, boa gastronomia e principalmente, boas amizades, Ciro era mestre em tudo isso, além de ser bom pai, bom filho, bom marido, bom genro e amigo inigualável. Tanto que, a sua partida aos 85 anos, pareceu precoce a todos nós. Eu, particularmente levei um grande susto. Por volta de maio de 2019, seu filho, Fernando postara nas redes sociais, uma foto num leito do INCOR e, embora recebendo soro, não tinha aparência de que estivesse padecendo de uma doença grave. Imaginei que aquele jovem de apenas 43 anos, tivesse sofrido um pequeno acidente de carro ou moto, sem gravidade. Em 05 de agosto do mesmo ano, tive a notícia da morte de Ciro. Ao ler sobre o assunto, descobri que Fernando Batelli morrera em 10 de junho vítima de câncer. Me dei conta então da tragédia que envolvera a família Batelli. Imaginei a grande dor do pai já no final da vida e mais ainda a de Cristina, Flávia e Tata ao perder em tão pouco tempo, duas pessoas tão queridas.

Que os dois estejam em paz, bem assim os que aqui ficaram!

Lendo a Revista VidaBrasil com a gerente internacional do Le Bristol de Paris, Gabrielle Hirn

 

 

Por Celso Mathias

Alberto o mulherengo

Eu o conheci há mais de 20 anos. Não no sentido bíblico, bem entendido, mas como uma boa amiga do querido Alberto. É claro que o nome dele não é este, mas serve perfeitamente para designar alguém que me impressionou como o tipo clássico do mulherengo, absolutamente romântico e invariavelmente infiel. O mais interessante, todavia, é que vim a descobrir esse traço tão vívido de sua personalidade só alguns anos depois de o conhecer. A princípio, Alberto foi sempre um elegante e educado cavalheiro. E continua sendo, porque recentemente conversei com ele e pudemos recordar um pouco dos velhos tempos. Inspirada na conversa, surgiu-me a ideia de dividir com os leitores minhas impressões sobre o que considero um clássico mulherengo, dos quais Alberto, sem dúvida, é por excelência um bom exemplo.

Embora muitos (e muitas) se perguntem se um mulherengo precisa ser bonitão, estou para lá de certa que não absolutamente. Alberto, por exemplo, não era, creio que nunca foi nem é agora tampouco. Ao vê-lo pela primeira vez, nenhuma mulher iria suspirar, porque se trata de um homem comum. Nada de olhos verdes, sorriso perfeito, corpo atlético. Sem ser feio, não chegava a ser bonito. Todavia, uma vez estabelecidas as relações sociais, e ultrapassadas as devidas apresentações, sabe-se estar diante de um cavalheiro: alguém que ultrapassa em muito os parâmetros médios da boa educação e que, do ponto de vista feminino, trata todas as mulheres como damas, independente da idade ou da condição social delas.

É importante explicar a ênfase que estou emprestando ao termo clássico. É para deixar bem claro que existem os mulherengos comuns, nada interessantes. São tão óbvios, os coitadinhos. Passam cantadas, dizem bobagens, elogiam demais. Integram a tribo dos galãs de parquinho ou paqueradores de ocasião. São muito chatos. Abordam mulheres na rua e até quando fazem compras em supermercados. Dizem gracinhas completamente inoportunas e não é raro que sua conduta ultrapasse os limites da tolerância média, ainda que não se comportem necessariamente como assediadores sexuais. Os mulherengos clássicos se conduzem de outra maneira. Mostram-se tão discretos que a gente deveria sempre suspeitar que, na verdade, são sonsos. Conseguem deixar claro seu interesse sem recorrer aos lugares comuns utilizados pelo paquerador vulgar. Valorizam a mulher, sabem como prestigiá-la, de sorte a fazer com que elas o julguem interessante exatamente porque parece quase desinteressado. Em resumo: o mulherengo clássico é um jogador de cartas, que investe muito em apostas crescentes com sucessivas rodadas. O paquerador vulgar, em compensação, não passa de um apostador que não vai além dos caça-níqueis.

 

 Conheci Alberto socialmente. A impressão deixada era de elegância, confiabilidade e discrição. Com o tempo, no círculo de amigos comuns, aos poucos ele foi revelando fatos sobre sua vida. Os laços de amizade se estreitaram, e ele jamais desmentiu aquela primeira impressão. Amigo de fé, absolutamente confiável nos negócios, excelente profissional e dono de um senso de humor capaz de transformar tardes de cafezinho no meu antigo escritório em grandes momentos sempre divertidos. Nosso pequeno e restrito grupo de amigos era, à época, bem fechado.

Com o passar dos anos, as tardes de café repetiam-se, e Alberto acabou falando mais de si próprio, no sentido íntimo mesmo, até que, em um dia qualquer que não tenho mais como precisar, o assunto recaiu nas coisas do coração. Até então eu tinha por certo que o pacato pai de família tivera uma vida comum, até porque vivia bem com esposa, filhos e um adorável poodle toy. Pensava eu que talvez houvesse casado como maioria, seguindo os protocolos: conhecer, apaixonar, namorar, noivar e casar. Depois é só seguir com a vida real e portar-se como todo mundo. Alberto não me pareceu nunca um tipo arrebatado. Quando me falou sobre amor e sobre uma paixão do passado, pensei comigo que se referia à mulher dele em tempos de namoro. Qual não foi, porém, a minha surpresa ao descobrir que a história ― uma longa e complexa história de paixão ― ele vivera com outra! O caso prolongou-se por muitos anos, mas houve desencontros e, por contingência, foram separados. No fim, ambos terminaram casados, com filhos, e mantiveram-se distantes, embora continuassem perdidamente apaixonados. Segundo Alberto, sofreram, choraram, mas mantiveram-se íntegros, como nos filmes de Hollywood, mesmo após um dramático reencontro que os colocou face a face.  Achei aquilo muito interessante, porque jamais teria imaginado um Alberto capaz de amores tão castos, quase heroicos.

 

 

Desde essa conversa, passei a prestar mais atenção àquele que começava a se revelar como um mulherengo, porém, a meu ver, do tipo clássico, porque, mesmo quando é infiel, não consegue ser cafajeste. Não! De modo algum! A traição deles é sempre compreensível, e acredito que mesmo a esposa o teria perdoado. Um mulherengo clássico é incapaz de uma traição. Ao contrário dos mulherengos comuns, ― que se confundem com os paqueradores vulgares e que chegam, no máximo, a cafajestes rodriguianos ―, os clássicos não mentem, não enganam nem simulam. Cafajestes, por exemplo, empenham-se muito na conquista da mulher só para abandoná-la depois. Gostam de lágrimas e se sentem homens quando fazem com que a mulher sofra. Agem como Dom Juan. Os mulherengos clássicos não. Eles sabem intuitivamente como evitar traumas, talvez porque seduzem sem mentir. Dizem a verdade, porque sentem de verdade aquilo que dizem, mesmo que seja mentira.

Nenhuma mulher se sente feia diante de um mulherengo clássico. Por algum feliz acidente que talvez só se explique pela combinação de planetas, eles gostam de mulheres e sabem bem como atiçar mesmo a mais inexpressiva das feminilidades. O romantismo é neles tão natural que a impressão que fica é a de que são os mais fiéis dos homens. Alberto revelou-se bem assim: fiel a todos os amores que colecionou ao longo da vida. Conquistava as mulheres, relacionava-se com elas, mas jamais permitia que a chama se apagasse. Para minha surpresa, aquele cavalheiro educado, respeitável pai de família, mantinha, além da esposa, vários relacionamentos amorosos, alguns com décadas já.  Apesar de surpresa, não havia como não rir daquela situação e da justificativa que ele dava ao seu comportamento: nunca se deve fechar uma porta atrás de si. Seja.

Contudo, apesar de cuidadoso, algo deu errado com seu casamento. Indiscretos comentários deram conta de que Alberto havia se separado da esposa, que o expulsara do lar conjugal, acusando-o de manter um caso com a mulher de um amigo da família recentemente falecido. Como eu soube do maldoso boato, na primeira oportunidade em que nos encontramos, não resisti à curiosidade e fui direto ao assunto:

― Então, Alberto. Ouvi dizer que você se separou. Fala sério! Verdade que você pegou a mulher de um amigo? ― perguntei.

Ao contrário do que se pode esperar da maioria dos homens, ele não estranhou a minha pergunta e tampouco se mostrou embaraçado com tamanha indiscrição. Apenas abriu seu sorriso mais simpático, balançou a cabeça e adotou a expressão da mais pura inocência:

― Mas eu jamais desrespeitaria a mulher de um amigo! Ainda mais a mulher do falecido João! Infelizmente, minha esposa — agora ex — se tornou uma mulher ciumenta e não entendeu o que nunca foi além de um gesto de solidariedade.

Embora achasse a história muito estranha, escutei a versão dele, que se sentia ainda injustiçado. A separação acontecera de modo dramático, com a expulsão de casa do suposto adúltero.

― Mas, então, e agora? Estás como? Morando onde?

― Estou morando com ela, respondeu-me.

― Com ela quem?

― Com ela…

Esse ela veio acompanhado de um sorrisinho, de sorte que compreendi então que a esposa efetivamente teve lá os seus motivos para enciumar-se. Ele, elegantemente, foi peremptório. Negou qualquer envolvimento com a mulher do amigo ao tempo da separação. ― Um cavalheiro jamais comprometeria uma dama! ― Passado algum tempo, porém, Alberto não teve como não se mostrar solidário com a viúva do amigo. Muito compreensível, naturalmente. Dessa solidariedade, então, teria nascido o novo relacionamento. Ou seja: ele permanecia inocente. Alberto e a viúva do amigo João foram ambos injustiçados. Se terminaram juntos, foi culpa do destino. Afinal, Deus sabe o que faz.

Assim, o irrepreensível cavalheiro mostrava enfim outros aspectos de sua personalidade. Devo confessar que me sentia absolutamente privilegiada. Afinal, eram confidências vedadas ao mundo feminino em geral. O mais interessante era observar que ele conseguia sempre permanecer com pleno domínio das circunstâncias: não se contradizia nunca, não se embaraçava nem se constrangia. Seu discurso, porém, sempre impecável, dava a entrever que se divertia muito entre amores e amadas.

 

O tempo passou. Minha vida mudou e também mudaram os amigos. Nesse ínterim, porém, aconteceu de nos encontrarmos uma vez apen

as, e isso, seguramente, há uns oito anos atrás. Alberto ocupava então um cargo importante. Perguntei onde estava morando e ele me respondeu estar sem endereço certo, porque morava, simultaneamente, com três namoradas que não sabiam umas das outras e na casa das quais ele dormia. Elas acreditavam que ele viajava muito e que só dispunha de um, no máximo dois ou três dias de amor por semana. Com esse engenhoso arranjo, ele era sempre esperado por suas namoradas, uma por vez, em clima de romantismo e de saudade a cada retorno das cansativas viagens de trabalho. Mais uma vez me senti privilegiada. Afinal, um mulherengo não costuma se revelar com tanta clareza. A lamentar que não nos encontramos desde então, até alguns dias atrás, quando conversamos virtualmente durante um encontro com amigos. Conversa divertida sobre os velhos tempos que recaiu, naturalmente, sobre o assunto mulheres.

 ― Então, Alberto? Ainda com três namoradas? Não, disse ele, rindo.

Pelo que pude perceber, agora são apenas duas namoradas que dividem pacífica e insuspeitadamente a posse do glamouroso Alberto. Sorte dele que residem ambas em cidades, na verdade em estados diferentes.  Desde então venho me perguntando quem são as mulheres que os mulherengos conseguem deslumbrar ou mesmo cegar por completo? Belas adormecidas talvez, que o mulherengo faz sonhar. Assim como os libertinos, os mulherengos ― os clássicos notadamente ― são tipos em franca extinção. Com eles, vão desaparecer também as belas adormecidas, os cavalos brancos, o glamour dos envolvimentos amorosos, os cavalheiros gentis que entregam seu coração, jurando amor ardente. E enquanto tudo isso aos poucos cai no esquecimento, à medida que desaparecem os mulherengos e suas amadas, a vida lá fora corre apressada, com relógios, compromissos, prazos e boletos.  

Da conversa sobre os velhos tempos, uma bela impressão. Ao me ver pelo vídeo, Alberto não me poupou do clássico: você não mudou nada nesses anos todos. Na despedida, uma promessa de vir a Porto Alegre. Parece que ele virá em algumas semanas. Mulherengos! Eu, hein?

Por Maristela Bleggi Tomasini

 

Gostei mas não me chame mais!

 

 

Atravessei nervosamente o enorme salão da Associação Cultura e Recreativa de Euclides da Cunha – ACRE e me dirigi à fila de cadeiras onde as daminhas ficavam sentadas durante o matiné de domingo e timidamente convidei para uma dança, a mais simpática, comunicativa e habilidosa nos passos de bolero. “Você aceita dançar comigo”, disse-lhe eu com a voz tremulo e olhar pidão. Ela mediu discretamente a minha pequena e desajeitada estatura e quase com pena prometeu-me a próxima dança.

 

 

 

 

 

Estávamos em meados dos anos 60. O espaço que posteriormente foi adquirido pelo saudoso Edmundo Esteves de Abreu que inteligentemente aproveitou a sigla ACRE e a transformou em Alvorada Clube Recreativo Euclidense, clube particular que fez histórias que encantam e marcaram a vida das gerações posteriores à minha.

 

O antigo ACRE era frequentado pela elite da cidade. Só os sócios (Importantes cidadãos que precisavam de certos requisitos para fazer parte do clube) e seus filhos podiam frequentá-lo. Na verdade, o clube não era conhecido pela sigla ACRE. Era a “Sociedade”. A Sociedade era uma espécie de galpão com várias janelas e uma única porta na sua extremidade direita. Durante os eventos que lá ocorriam, as janelas ficavam abertas para que a população que não tinha acesso ao clube pudesse assistir o que se passava nas festas, observar o comportamento das pessoas, em especial das moças e no dia seguinte comentar na cidade o que ali se passara.

 

À época, a Av. Ruy Barbosa era um misto de comércio e boas residências. Entre elas a de Pedrinho dos Campos,

sergipano de Simão Dias que se estabeleceu com comercio e residência na casa onde até hoje vive alguns dos seus herdeiros e é uma das poucas que se encontra absolutamente preservada embora sofra algumas desvantagens do progresso como denotam as grades que aprecem na foto atual do imóvel. Sr. Pedrinho e D. Argemira tiveram sete filhos. Entre eles, Aidê que reside até hoje no mesmo local e é figura querida na cidade. Sua idade é indefinida. Mas quem a vê de domingo a domingo correndo pelas ruas da cidade entre quatro e cinco horas da manhã, arrisca a lhe atribuir cerca de 70 anos.

 

Outro dos filhos do casal é o brilhante jurista Elieze

 Santos que ganhou essa grafia por obra e graça do saudoso escrivão Zuca Moura. Elieze é uma figura emblemática da Justiça Baiana. Como advogado de uma instituição bancária e no cumprimento do dever, foi vítima de um atentado que quase o deixa inválido. Para a felicidade dos amigos e do direito, Elieze continua atuante e respeitadíssimo nos círculos jurídicos do país. Low profile, Elieze de vez em quando aprece em Euclides da Cunha, gosta de bons vinhos, é culto, viajado e prospero fazendeiro no Sul da Bahia. Infelizmente as gerações mais recentes da cidade, sequer têm noção da importância desse cidadão.

 

 

Elieze não chegou a frequentar o Educandário Oliveira Brito. Terminou o curso primário bem antes da implantação do educandário. Eu terminei um ano antes e fui cursar o ginasial em Tucano retornando no ano seguinte para cursar aqui o segundo ano. Isso foi em 1963. Naquele ano, as meninas do educandário usavam esse uniforme que instigava e instiga até hoje os hormônios masculinos, mesmo que naquela época isso tivesse de ser escondido no mais recôndito dos nossos pensamentos. A foto das meninas é em frente ao portão principal do Educandário Oliveira Brito. A do desfile de Sete de Setembro é na Praça Duque de Caxias e o porta-bandeira à direita da foto sou eu.

 

 

 

 

Aidinha, irmã de Elieze, é outra euclidense vitoriosa. Bem-sucedida e conceituada médica em Salvador, ela passou pelos bancos do Educandário Oliveira Brito e frequentou as domingueiras da “Sociedade”. E foi numa dessas domingueiras que o menino tímido e franzino se dirigiu à bela Aidinha e fez o convite para dançar. “Olha Celso, estou um pouco cansada agora, mas me chame na próxima”, respondeu elegantemente.

Imagem meramente ilustrativa

Esperei ansiosamente que terminasse de rolar na radiola Zilomag do clube aquela faixa do Bienvenido Granda, “El Bigode Cantante” e nervosamente voltei a estender a mão para Aidinha. Aos trancos, barrancos (meus) e muita felicidade, terminei a aquela que fora a minha primeira dança e acompanhei a daminha até   ao local do seu assento e agradecendo perguntei: “E então, dancei direitinho?” “Dançou mas não me chame mais não!”, respondeu objetiva.

Desse dia em diante, toda vez que alguém me oferece algo que não gosto, aceito e experimento. Quando me perguntam: E aí; gostou? “Gostei, mas não me ofereça mais não”. Respondo sem titubear e sempre me lembro da querida amiga Aidinha.

 

 

Celso Mathias (publicação original em 12/2013

Receber é uma arte

                           Celso Mathias

Na agradável noite dessa sexta-feira, Karol e Luiz Mariano, receberam en petit comité, na sua confortável vivenda euclidense, para comemorar idade nova dela. Por lá, Úrsula e Orlando Jones com a pequena Ana, linda filha do casal, Railda e Daniel Oliveira, Joara e Kildere Moura, Aline e Fernando Porfírio, Iane Isnaia, Marcos Mariano, Clebson Santana, Sara e Celso Mathias.

 

 

Na agradável noite dessa sexta-feira, Karol e Luiz Mariano, receberam en petit comité, na sua confortável vivenda euclidense, para comemorar idade nova dela.

 

Por lá, Úrsula e Orlando Jones com a pequena Ana, linda filha do casal, Railda e Daniel Oliveira, Joara e Kildere Moura, Aline e Fernando Porfírio, Iane Isnaia, Marcos Mariano, Clebson Santana, Sara e Celso Mathias.


As meninas, Úrsula Lorrayne, Aline, Clebson, bendito sois entre elas, Sara, Karol, Iane, Railda e Joara

                   Terrine de Salmão com Avocato

 

 

 

 

 

 

 

No cardápio, uma cozinha  soberba, produzida pela expertise de Karol e Luiz Mariano.

 

 


Roast Beef Marinado

 

Entre outras delícias, degustamos, Terrine de Salmão com Avocato e Cream Cheese. Roast Beef Marinado, Quiche de Brie com Damasco e Caprese de Camarão.


Espumante Vezzi

Para beber, além do fantástico Espumante Vezzi, vinhos de diversas nacionalidade, cerveja e Scotch 12 anos.


Na sequência, Marcos Mariano, Fernando Porfírio, Orlando Jones, Luiz Mariano, Daniel Oliveira, Kildere Moura, todo médicos e eu, um estranho no ninho

 

 

Marcos Mariano, cunhado da aniversariante, médico em Salvador e em outras cidades da região, veio exclusivamente para abraçar a aniversariante e fumar um Cohiba com o Irmão, Luiz. Recolheu-se mais cedo para clinicar já na manhã de sábado. Ossos do ofício!


Chegou a hora de apagar as velinhas

Pois, todos devidamente vacinados e começando a sair do marasmo que enevoa as nossas vidas há quase dois anos. Viva a vida, viva a amizade e bom fim de semana para todos.

Você conhece esse ator?

  “Maestro” João de Matos, regendo o seu inacreditável Brazilian Day. Em breve, VidaBrasil vai fazer uma edição eletrônica da entrevista feita há 20 anos, quando o empresário batalhava pelo nome “Little Brazil”. Aguardem!                                                                                                      

 

 

Você conhece esse ator? Ele integra o elenco do novo projeto de Martin Scorsese, ‘Killers of the Flower Moon’. É ele mesmo, Leonardo DiCaprio (quase) irreconhecível em primeira foto de novo filme. A imagem mostra o ator  e Lily Gladstone como Ernest e a sua esposa Mollie Burkhart, uma mulher da nação Índia Osage.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Karol e Luiz Mariano novo depósito de brinquedos caros: uma super adega para 140 garrafas da bebida de Baco.

Cláudia e Ivo Barbosa, leia-se rede de lojas Bel Cosméticos, com o filho Pedro Ivo (avec) e mais um casal amigo, badalaram pela Casa do Porto na Rua Lorena, o melhor lugar para beber vinho e comer bem em São Paulo.

 

 

 

Pode até não ser rico. Mas que parece, parece! Falo do meu amigo Ubirajara Formiga, aproveitando a merecida aposentadoria em seu novo apartamento em Jampa.

 

 

 

 

 

O primeiro vôo de helicóptero tinha que ser na Barreira de Corais, na Austrália. A Grande Barreira de Corais, ao largo da costa de Queensland, no

 nordeste da Austrália, é o maior organismo vivo da Terra, visível até mesmo do espaço. O ecossistema de 2.300 km de extensão compreende milhares de recifes e centenas de ilhas feitas de mais de 600 tipos de corais duros e macios. Foi lá o primeiro vô de helicoptéro do querido casal Anatália e William Riley. Cidadãos do mundo, eles estão loucos para arrumar as malas e colocar o pé na estrada, digo, no jato!

 

 

 

Quem quer ajudar a tornar Miami Beach um lugar mais agradável para visitantes e residentes (ambos tipos de duas e quatro patas) e passar tempo com muitos e muitos felinos adoráveis? O Café Café South Beach está aceitando inscrições para cargos de voluntário.

O anuncio é da querida Celyta Jackson, hoje radicada em Miami. Tudo que vem de Celyta é sagrado!

 

 

“Maestro” João de Matos, regendo o seu inacreditável Brazilian Day. Em breve, VidaBrasil vai fazer uma edição eletrônica da entrevista feita há 20 anos, quando o empresário batalhava pelo nome “Little Brazil”. Aguardem!

De novo visual, Shirley D’Oro, competente advogada e vizinha no Kubitschek Plaza. Quantas boas lembranças!

Aída e Zezé Bastos, recarregando as baterias no paraíso de Imbasayh.

 

 

 

 

Em tempos de pandemia, Selmi Oliveira recebe homenagem do filho Marcus, advogado brilhante e amigo para todas as horas. Para a mãe:  “Obrigado por tudo que fez por mim nesta jornada. Pena ainda não poder te abraçar hoje. Beijo enorme. Te amo”!

Fizestes um grande homem, Selmi!

 

 

 

 

 

Saudades dos grandes encontros na mansão do Morro da Paciência, Quando Filomena Bordalo e Rodrigo Croft moravam na Bahia. Eles aparecem na foto como o amigo Tim t’Kint  no Restaurante Juan y Andrea, nas paradisíacas nas Ilhas Baleares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Totem… cerâmica, arte fantástica de D. Clara Croft. Produzindo o consagrado Vinho Aphros, o filho dela, meu querido amigo Vasco Croft. Ambos são grandes artistas!

 

 

 

 

 

Tom Cruise, quem diria, devolve troféus do Globo de Ouro e NBC cancela transmissão de 2022. O ator supostamente devolveu seus três troféus do Globo de Ouro à Hollywood Foreign Press Association, após indignação contra os organizadores da premiação anual.

Muitos veículos revelaram que Cruise, de 58 anos, devolveu suas duas estatuetas de Melhor Ator, por Jerry Maguire: A Grande Virada, e Nascido em 4 de Julho, e seu troféu de Melhor Ator Coadjuvante, por Magnólia. O comunicado do ator surge em um momento que muitas estrelas de Hollywood criticaram a HFPA por sua falta de representação negra dentro do grupo, que vota nos vencedores do Globo de Ouro.

 

                                                                                      Por Celso Mathias