Cooperativas de crédito: um banco diferente

Além das instituições convencionais, destacam-se as chamadas cooperativas de credito, que embora muitos não saibam, hoje, mais 10 milhões de pessoas em todo o país fazem parte de cooperativas de crédito. E descubra porque.

 

E no momento difícil que o mundo atravessa em consequência da COVID19, profundas mudanças estão se processando em todos os segmentos do gênero humano. Na forma de comprar, na forma de vender, de se locomover, de se relacionar. Além das questões de saúde, a economia do planeta entrou em parafuso, atingindo, naturalmente, os pequenos e médios empresários. Nesse momento, cresceu mais ainda, a importância das instituições de créditos, sejam no momento de pagar os auxílios proveniente dos governos, seja no apoio às atividades chamadas de “não essenciais”.

Além das instituições convencionais, destacam-se as chamadas cooperativas de credito, que embora muitos não saibam, hoje, mais 10 milhões de pessoas em todo o país fazem parte de cooperativas de crédito. Além desse montante de cooperados, quase 70 mil pessoas trabalham para as 909 cooperativas de crédito brasileiras registradas.

Sobre o Sicoob – Instituição financeira cooperativa, o Sicoob tem mais de 5 milhões de cooperados e está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Oferecendo serviços de conta corrente, crédito, investimento, cartões, previdência, consórcio, seguros, cobrança bancária, adquirência de meios eletrônicos de pagamento, dentre outras soluções financeiras, o Sicoob é a única instituição financeira presente em mais de 300 municípios. É formado por mais de 370 cooperativas singulares, 16 cooperativas centrais e pelo Centro Cooperativo Sicoob (CCS), composto por uma confederação e um banco cooperativo, além de processadora e bandeira de cartões, administradora de consórcios, entidade de previdência complementar, seguradora e um instituto voltado para o investimento social. Ocupa a segunda colocação entre as instituições financeiras com maior quantidade de agências no Brasil, segundo ranking do Banco Central, com 3.480 pontos de atendimento. 

Presente em 1.923 dos 5.568 municípios do País, e única Instituição financeira em 307 desses municípios, o volume de ações de crédito alcançado por Sicoob e Sicredi coloca o sistema de cooperativas à frente de instituições financeiras públicas e privadas. Uma das possíveis justificativas para a maior facilidade na obtenção de créditos nas cooperativas pode estar na natureza jurídica dessas instituições. Diferentemente dos bancos tradicionais, focados no lucro, as cooperativas têm como objetivo geração de valor para todos os cooperados. Se a cooperativa for do tipo livre admissão, qualquer pessoa física ou jurídica pode fazer um pedido para compor o quadro de associados. Além disso, as cooperativas oferecem toda a segurança nos processos, que seguem as normas do Banco Central e ofertam burocracia reduzida e juros menores que o mercado comum. Para se associar a uma dessas cooperativa, o investimento inicial varia entre R$25 Reais e R$250 Reais.

Segurança – Pela falta de informação sobre o funcionamento das cooperativas, muitas pessoas têm o receio de participar e perder dinheiro. No entanto, participar de uma cooperativa é tão seguro quanto ser cliente de um banco. Isto é, os bancos são protegidos até R$250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ou seja, caso seja decretada a falência, é assegurada a restituição do valor por CPF e instituição. As cooperativas também possuem um fundo garantidor. O FGCOOP é o Fundo Garantidor das Cooperativas e funciona no mesmo formato. Garante o valor máximo de R$ 250 mil por CPF em caso de quebra da cooperativa.

Reconhecido no XIX Prêmio Efinance, realizado pela revista Executivos Financeiros em junho de 2019, o Sicob recebeu entre outros, na categoria Gestão de Risco, o reconhecimento pelos cases “Métodos eficientes ao combate à fraude”, “Cooperativismo dando show na Prevenção à Lavagem de Dinheiro” e “Processo de Classificação e Atribuição Automática de Limites”. No Sicoob, dependendo de seu porte e perfil, pessoas físicas podem abrir conta, ter cartões de crédito nacional e internacional, tomar empréstimos, entrar em consórcios, fazer operações de câmbio e investir em opções como previdência privada, renda fixa e até as chamadas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Empresas também podem ter acesso aos investimentos, levar sua folha de pagamentos para as cooperativas, ter as populares maquininhas de cartão e oferecer vale-refeição aos seus funcionários. Representantes do sistema cooperativo e economistas ouvidos afirmaram que a grande diferença das cooperativas é que elas não visam ao lucro e, por isso, podem oferecer juros menores às pessoas e às empresas. Como os cooperados são “donos do negócio”, os resultados financeiros, que são chamados de “sobras”, e não de lucro, podem ser divididos anualmente entre eles a partir de decisão em assembleia.

A agência do Sicoob em Euclides da Cunha, por exemplo, ligada à Sociedade Cooperativa de Crédito Coopere Ltda. Sicoob Coopere, que foi fundada há quase 30 anos e tem na presidência do Conselho de Administração a senhora, Maria Vandalva Lima de Oliveira, atua com uma equipe enxuta de apenas 7 funcionários. O gerente Uilson e seus auxiliares, Pedro, Fabiana, Cristiane, Laila, Luana Oliveira e Luana Gama conhecem pelo nome, quase todos os associados (em vez de clientes mo são chamados nos bancos convencionais), criando um clima de mutua confiabilidade.

 

Em depoimento a VB, o empresário Betão Canário´, proprietário de uma distribuidora de alimentos, afirmou que utiliza os serviços do Sicoob em Euclides da Cunha desde a fundação da agência. Segundo ele, além do ambiente confortável e bom atendimento que recebe de todos os funcionários, gosta da quase nenhuma burocracia, a agilidade nas tomadas de decisões por parte da gerência e destaca a praticidade do aplicativo. “É melhor do que o dos outros bancos”, ressalta.

 

 

Curiosamente, o empresário e vitivinicultor, Renato Savaris, sócio proprietário da Maximo Boschi, uma premiadíssima vinícola que produz vinhos altamente sofisticados em Bento Gonçalves – RGS, a 3 mil quilômetros de distância, faz referências similares às ouvidas sobre a agência de Euclides da Cunha. “Ali pelo ano dois mil, nós tínhamos conta em um dos maiores bancos d o País. Ocorre que resolvemos partir para uma ampliação e esse banco ficou nos enrolando, prometendo um empréstimo com juros baixos que nunca saía. Um dia, nos sugeriram abrir uma conta no Sicoob. Fui lá e rapidinho com muita objetividade e pouca burocracia, fomos atendidos. É tudo muito tranquilo, a tecnologia deles é mais avançada do que a dos outros bancos e tem tudo que o outro banco tem”. Afirma entusiasmado.

                                                                            Por Celso Mathias

Gioielli d’Arte: vinhos encantadores da Serra Gaúcha

Mauricio Ferreira, é seguramente, um dos mais importantes gourmets da Bahia.  Mais que isso; Maurício é sinônimo de

Maurício Ferreira na foto como empresário Ivo Barbosa, leia-se rede Bel Cosméticos, outro grande apreciador de vinhos, pilotam um Château Pontet-Canet em comemoração de fim de ano

bom gosto e refinamento em tudo que o cerca e confirma isso, com a simplicidade e a generosidade em suas atitudes. Pois,

de quem tanto conhece de vinhos, a meu pedido, fez uma avaliação de três da linha Biografia, produzido pela Vinícola Maximo Boschi. Viajemos com ele!

 

 

 

 

Na noite desta quarta-feira fui agraciado com a oportunidade de degustar, por generosa indicação de meu amigo Celso Mathias, três rótulos de vinhos nacionais de um produtor incrível e que cada vez me impressiona por sua proposta de oferecer vinhos de excelência até mesmo para os padrões mais elevados. Refiro-me à coleção Biografia da Maximo Boschi, que harmonizou à nossa mesa do Yacht Clube em uma noite que contou com o belíssimo show de Flavio Venturini.

 

Os rótulos, sem exceção, muito me impressionaram, a começar pelo espumante Maximo Bosch Biografia Brut elaborado pelo método tradicional com as clássicas Chardonnay e Pinot Noir e amadurecimento por, pelo menos, 36 meses em contato com as leveduras. O resultado é a releitura perfeita para um verdadeiro champagne produzido em um pais tropical. Aliás, em todos esses anos degustando espumantes de todas as partes, sobretudo os nacionais, posso assegurar tratar-se de um dos espumantes que mais se assemelham a um Champagne legitimo. Seja pelo sabor, seja pela estrutura, seja, ainda, pela complexidade de aromas. Simplesmente soberbo e beirando à perfeição.

 

Em seguida, degustamos um Chadonnay da mesma linha Biografia, datado de 2014, já com sete anos, o que levou a um certo receio que já apresentasse sinais de fadiga e decrepitude, ledo engano… o vinhaço estava em plena forma. De corpo bem formado, com farta estrutura, se apresentou cremoso e suculento, com notas de frutas tropicais, especiarias, anis e amanteigado, bem ao estilo Bread and Butter californiano, do qual sou um grande aficionado!

Por último, para consagrar a experiência enológica, finalizamos o Maximo Boschi Biografia Merlot… confesso que hoje, 24 horas depois, ainda estou pasmo! O vinho ê maravilhoso, corpulento, saboroso, com notas frutas de cereja negra e morango, discreta tosta que emergia diante de taninos macios e enorme persistência. Enfim, um vinho amistoso, saboroso e cativante… para mim o melhor Merlot produzido no Brasil, desde a saudosa safra de 2005 do icônico Lote 43.

Enfim, vinhos incríveis que emolduraram a noite.

Maurício Ferreira

E para completar a linha de Espumantes Biografia, a Maximo Boschi, aproveitando o frio da Serra Gaúcha, que proporciona às castas cultivadas para a produção dos espumantes se desenvolverem na sua plenitude, alcançando um sabor e dulçor incomparáveis, produz, a partir dessa combinação de clima favorável e um cultivo de altíssima qualidade o Espumante Biografia Brut Rosé, a nova Gioielli d’Arte da Maximo. Um espumante de aromas marcantes, visual rosado e intenso perlage.

Um vinho com história

Teor alcoólico: 13.5%. Cor: Granada. Aroma: Complexo a passas de frutos e essências das madeiras de estágio, grande finura e profundidade. Vinho encorpado, rico, com certo frescor e um aveludado em harmonia com um tanino de grande qualidade que lhe confere estabilidade natural e longevidade. Estamos falando Pêra-Manca Tinto safra 1990, elaborado pelos enólogos Colaço do Rosário e Pedro Baptista com as castas Trincadeira e Aragonez, disponível em alguns importadores por meros R$ 3900,00 a garrafa, dependendo da safra!

Os vinhedos de Pêra-Manca pertenceram, durante os séculos XV e XVI, aos Frades do Convento de Espinheiro, em Évora. A fama destes vinhos permitiu que fizessem parte dos mantimentos de muitas naus que viajaram para a Índia, no tempo dos descobrimentos.

 

 

Teria sido o vinho que Cabral serviu aos índios quando descobriu o Brasil!

 

 

Recuperado no século XIX pela próspera Casa Soares, que o transformou num vinho sofisticado. Devido à filoxera, praga que devastou as vinhas de toda a Europa, deixou de se produzir. Foi o herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares quem, em 1987, ofereceu o nome do vinho à Fundação Eugénio de Almeida.

Significa pedra manca, ou oscilante, e é uma característica de uma formação granítica de blocos arredondados soltos sobre uma rocha firme (muita gente boa achava que era um defeito na pata do cavalo do rótulo…) -, outro tanto pela tradição, já que seria este o vinho trazido pela nau de Pedro Álvares Cabral. A verdade é que a fama do vinho se deve à soma das curiosidades anteriores aliadas a alta qualidade da bebida.

Provenientes das vinhas da Fundação Eugénio de Almeida, as castas utilizadas (alentejanas, consagradas e recomendadas para a Denominação de Origem Controlada Alentejo) nos Pêra-Manca branco e tinto conferem a estes vinhos personalidades bem marcadas e estilos muito próprios.

O Pêra-Manca tinto é sempre elaborado com duas castas, as portuguesas Trincadeira e Aragonês (lembrando, Aragonês é o mesmo que Tinta Roriz no Douro e Tempranillo, na Espanha). As vinhas, localizadas na região do Alentejo, mais precisamente em Évora, têm mais de 25 anos (a idade das vinhas é sempre mencionada, pois é um sinal de qualidade; as plantas mais velhas possuem raízes mais profundas que trazem mais nutrientes para as uvas) e só viram mosto para o Pêra-Manca em safras consideradas excepcionais pela Adega Cartuxa. A bebida estagia por 18 meses em barricas de 3.000 litros e mais um ano na garrafa antes de chegar ao mercado. O perfil comum dos vinhos é sua força, intensidade de sabores e aromas, o toque da madeira bem integrada as frutas mais para compota e a longevidade. Como bom representante do Alentejo, são vinhos quentes.

As safras que não são consideradas excepcionais são engarrafadas com o rotulo do Cartuxa (também um excelente vinho) e vendido a preços bem mais em conta do que o Pera-Manca.

A propósito, a última oferta no Mercado Livre, uma de coleção com 12 safras de Pêra-Manca Tinto por apenas R$ 23.500,00. Para quem gosta e pode; boa pedida!

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                Por Celso Mathias

100 anos de Hélio: uma história de amor

Acordei hoje com a alma leve e, após ler uma postagem da Flavia Carvalhinho sobre um centenário, fiz um rápido passeio pelo Google e olha eu aqui novamente na minha querida Chapot Presvot, a rua mais glamorosa da Praia do Canto. Mais uma olhada, dessa feita, no Facebook e olha ele lá; o Hélio, ele mesmo, na mesma janela e o mesmo poderoso saxofone ao entardecer. Ele completou 100 anos hoje! E aí foi um turbilhão de lindas lembranças dos dois quarteirões entre a Eugênio Neto e a Saturnino de Brito.

Ente os núcleos do trecho, o Edifício Elvira Maria, o primeiro construído pelo grande incorporador e homem público, Crisógono Teixeira da Cruz, prefeito de Vitória, quando mudei para aquele pequeno paraíso. Os meus vizinhos, o agitado inglês, Bruce Hines, o vereador Hélio Machado, O incrível professor de matemática, Eder Machado e sua linda Luciana Thomé, a chic loja de calçados da Leila, que com o marido, nos deixou tão cedo em um acidente automobilístico, o incrível Hélio Abreu Moraes e seus dois filhos. Helinho, à época um jovem estudante de Medicina e Helder, filho caçula do casal que tinha como matriarca, D. Irene, doce poetisa que contrastava com a irreverência do Hélio.

Solteiro, mudei para o Elvira Maria e ocupei o apartamento 01, no térreo e francamente, nunca fui o vizinho mais civilizado. Exagerava na altura do som. Logo nas primeiras noites, o síndico, Sr. Hélio desceu para reclamar. Em uma crônica da ainda na edição impressa da Revista VidaBrasil, usei da licença poética para contar que o Hélio descera para reclamar e amanhecera o dia na festa. Na verdade, ele desceu, reclamou, foi convidado a entrar, viu que eram apenas jovens bebendo cerveja e lá ficou até certa hora da madrugada. Daí em diante, nunca mais parou de descer para reclamar e, para a alegria de todos; ficar.

E que surpresa agradável, descobrir que o Hélio, que há quarenta anos, embora com idade de ser meu pai, me tratava como amigo, bebíamos juntos, muitas cervejas e caipirinhas, continua saudável e lúcido, nos presenteando hoje, 09 de novembro de 2021, com 100 anos de sapiência, encantando a todos com seu bom humor, talento musical, contando histórias que só ele pode contar e me ajudando a contar histórias de um lugar e de um tempo tão bom!

 

Na casa à direita em sentido da Aleixo Neto, a família Coelho. D. Maria de Lourdes que era só simpatia, o marido Argemiro, que todos chamavam de Zezinho, a menina Isabel, uma bela teenager, o menino Bell e Marcos, que entrou para o mundo da moda com a vitoriosa etiqueta Jimmy Lapin. Na sequência, a Banca do Japonês, o querido Flávio, que nos deixou tão cedo. A banca continua por lá até hoje, no antigo prédio, se não me engano, da família Fernandes Moça.

Em frente ao Elvira Maria, a Rosa Amarela, a boutique feminina de Nely que depois recebeu um setor masculino sob o comando de Nagé, seu marido e grande praça. Além de ótimos no que faziam, eram pessoas muito queridas da cidade.

No mesmo imóvel da Rosa Amarela, no primeiro andar, pouco mais do que um menino, Wildson Pina dava os primeiros passos para se transformar no grande profissional de beleza e bem-sucedido empresário. À época, já o acompanhava na batalha do dia a dia, o não menos querido Emílio Frizzera. Eles continuam fazendo história e deixando as pessoas mais belas e felizes.

Na mesma calçada, Dr. Carlos Schwab e D. Maria Agar, ela saudável e lúcida aos 95 anos, criavam os filhos Antônio Carlos (Gugui), Nando, as filhas Carminha, Inês e Irene, hoje médica e casada com o namorado da época, o sempre gentil Ítalo Baldi, que generosamente me supriu de informações para reconstruir o trecho da rua.

 

Tudo pertinho. À direita no sentido da Saturnino de Brito, uma das lojas do Supermercado São José, ponto de compras e de encontros. No quarteirão seguinte, à esquerda, o Bar do Valdecir Lima e do Gil Quintela Torres onde as serestas varavam a madrugada. Na sequência a encantadora Chácara Von Schilgen. À esquerda, com a brisa do mar da Praia do Canto soprando no rosto, uma visita ao varandão do Iate Clube para um bate-papo com os Coser, Gersino, Otacílio e filhos, Edgarzinho Rocha, Zé Carlos Gratz, Carlos Guilherme Lima, Taca Paiva, Aécio Bumachar e tantos outros que marcaram a vida da cidade.

Muitos desses, já são apenas saudades. Outros dessa encantadora Praia do Canto, continuam fazendo de Vitória, a capital mais humana e encantadora do país, além de ter marcado definitiva e positivamente a minha existência!

 

 

 

                                                                         Por Celso Mathias

 

Au revoir Bernard!

Bernard e Zenaide no River Side

 

 

Tempos depois, num festival de comida francesa no River Side, ali na Estrada do Coco, conheci o tal francês que fundara o Chez Bernard. Que cara simples! Legal, um baiano mesmo desses que a gente encontra num botequim e engata um papo inteligente. E o Bernard era inteligente e gracioso, mordaz, irônico. Conversa para rolar a noite.

REEDIÇÃO DE TEXTO PUBLICADO EM 13/02/2009

 

 

O ano eu lembro bem, era 1968. Havia na Rua Senador Costa Pinto uma boate chamada Ballroom. Ali Caetano e Gil deram uma canja de despedida e/ou tomaram um porre despedindo-se da Bahia para iniciar o seu autoexílio em Londres. Eu morava em frete, no número 109, hoje parte da área de à época, um pequeno posto de gasolina ainda hoje existente. Meu lar era a pensão de D. Margarida, mãe de Raimunda, tia de Agnelo, de Dadá, de Creusa…com exceção de D. Margarida, todos estão aí, ainda belos, saudáveis e bem-sucedidos.

Na Gamboa, havia já há alguns anos um restaurante de nome pomposo “Chez Bernard”. O que significaria isso? Será que um dia eu ainda poria os pés naquela casa. E os carros estacionados à frente? Nossa! Sequer me lembro dos importados. Lembro muito dos Dodges, dos Landaus e dos Aero Willis. Será que algum dia entraria em um daqueles? Fecha o pano.

Saí da Bahia em 1972 e fiquei fora por exatos 30 anos. Em 2002 quando voltei, já havia realizados muitos sonhos e agora pisava o tapete vermelho do Chez Bernard. Conversando com os garçons fiquei conhecendo um pouco da história da casa e do seu fundador, Bernard Goethals.

Tempos depois, num festival de comida francesa no River Side, ali na Estrada do Coco, conheci o tal

Hotel River Side, hoje transformado em um Centro Para tratamento de COVID

francês que fundara o Chez Bernard. Que cara simples! Legal, um baiano mesmo desses que a gente encontra num botequim e engata um papo

 

inteligente. E o Bernard era inteligente e gracioso, mordaz, irônico. Era conversa para rolar a noite toda.

 

Confessei-lhe que havia morado em Paris num estúdio da Rua Pierre Charron onde estão ícones como o Chateau Frontenac o Pershinghall, e que sou fã de Piaf. Ele, não era tanto e diz que quando criança vivera nos arredores da Charron. Emenda perguntando a minha naturalidade. Respondo, Euclides da Cunha. “Olha, faz tanto tempo que não volto a Paris e já fui tantas vezes a Euclides da Cunha, que é provável que eu conheça mais a sua cidade do que você e, você mais a minha do que eu”.

Como? Indago meio espantado. “Celso, minha mulher, Zenaide teve tios queridos que casaram por lá e lá viveram até a morte. Divina Maia, por exemplo, era tia de minha mulher Zenaide. ” Gelei! Divina Maia Siqueira, mulher de Dominguinhos, mãe de Hidelbrando, nora da professora Erotides e cunhada do legendário Ioiô da professora. Divina fora minha madrinha e uma espécie de mãe adotiva mesmo quando a minha mãe, que morreu muito jovem, ainda era viva. “Dindinha” como eu a chamava, convidava-me para o almoço uma vez por semana. No quintal da casa que ainda está lá intacta, havia uma pequena horta onde se plantavam, tomate, alface, coentro, couve, cenoura e outros legumes que a cidade ainda não adicionara ao seu cardápio. Foi “Dindinha quem me ensinou as noções básicas da boa alimentação.

 

E aí foram tantas histórias de Paris e de Euclides da Cunha… que mal vimos o tempo passar. No final da noite, a pedidos, ensaiamos passos de dança ao som de um flautista belga que entoava La vie en rose.

 

Hoje pela manhã, minha amiga Lúcia Abreu que conhece essa história, enviou-me um e-mail perguntando se eu já tinha notícia da morte do Bernard e do Ângelo Salton, outro ídolo que se foi no mesmo barco do Bernard. Pensei então em homenagear os dois traçando estas mal traçadas linhas e imaginado que nesse momento lá no céu, estão todos se deliciando com o impagável Filet Bernaise ou o Steak au Poivre do Bernard e degustando o espumante Evidence, sabrado e servido pelo Ângelo ao som de La vie en rose.

 

Como disse o Giácomo Mancini em sua crônica 04/05/2006, Longa (eterna) vida ao Chef.

 

Au revoir Bernard!

A cidade morreu

Euclides da Cunha é uma cidade incrustada no sertão da Bahia, a 311Km de Salvador, fundada em 11 de junho de 1898 (123 anos) e emancipada em 19 de setembro de 1933 (88 anos). Nesse período, a cidade teve três administrações marcantes: no Século XX, José Camerino de Abreu e Joaquim da Silva Dantas. No século XXI, Fátima Nunes.

José Camerino, na sua primeira administração, entre 1933 e 1935, provavelmente por influência do padre Renato ou padre Pimenta, traçou o novo mapa urbano da sede, acrescentando à Rua de Cima (hoje Joaquim Lima) à Praça do Barracão (hoje Duque de Caxias e à Rua da Igreja (hoje Praça de Bandeira), as avenidas Oliveira Brito e Almerindo Rehem, além da Rua Otávio Mangabeira, (Rua do Rico). Essas vias como na Idade Média, receberam um beco paralelo, utilizado para entrada dos serviçais, manutenção e retirada de dejetos e lixo. Esse traçado recebeu no centro, os postes para transmissão de energia gerada por motor a Diesel situado em uma extensão da “Praça do Barracão”, chamada Rua da Usina, hoje, Major Antonino.

Joaquim Silva Dantas, assumiu a Prefeitura no período entre 1967 e 1971. Construiu a Praça Duque de Caxias com sua bucólica fonte luminosa, abriu ruas construiu escolas e deu o primeiro grande passo para a modernização da cidade, além de ter sido um administrador duro que utilizou na sua administração, os critérios adquiridos como Auditor Fiscal do Estado, sua profissão original.

 

De 2009 a 2016, o município foi conduzido por Fátima Nunes Soares, que com o apoio do marido, ex-prefeito 

e deputado federal José Nunes, fez a primeira grande revolução na administração do município. Calçou e urbanizou dezenas de povoados, construiu, ampliou e reformou escolas, modificou completamente o perfil urbano da sede, com a construção de diversas praças, asfaltamento de quase todo o centro da cidade, retirou barracas que enfeavam as avenidas, concluiu a obra e fez a cobertura da área externa do Centro de Abastecimento Joaquim Matias de Almeida. Na saúde, construiu do zero, uma grande estrutura com inúmeros imóveis que abrigam dezenas de unidades de saúde. Foi, até agora, a prefeita do Século!

 

Euclides da Cunha, após praticamente dois anos de pandemia, administrados pelos critérios do petista Rui Costa, aliado de primeira hora do prefeito local, lembra muito a cidade nos piores momento de Século XX. A cidade morreu. Isso mesmo! Considerada polo de negócios e dona de um forte comércio, tendo nas suas vias principais, valores de alugueis que ultrapassam os cobrados em grandes centros urbanos, o que se vê hoje, é uma cidade fantasma.

Avenida Ruy Barbosa, a principal da cidade às 15;35h de hoje, segunda-feira, dia 01/11/2021; um deserto

Apesar de não ser um desprivilegio de Euclides da Cunha, alguns agravantes contribuíram para essa situação. O alinhamento da administração municipal com a estadual, cujos objetivos todos conhecem e, especialmente, a retirada de uma grande força do comércio varejista local, que são os 10 mil alunos, mais professores, motoristas, acompanhantes e demais figuras do setor que somam algo como cerca de 12 mil pessoas fora de circulação.

Some-se a isso, a absoluta falta de atuação dos órgãos que representam os interesses do comércio local. Na Avenida Rui Barbosa, de onde foram retiradas com muito sacrifício dezenas de barracas, elas estão voltando a ocupar espaço e, onde nos bons tempos um imóvel comercial não ficava sem inquilino, uma semana sequer, hoje, 09 pontos comerciais estão fechados.

 

Inúmeras lojas fechadas na principal avenida

Para contribuir com essa triste realidade, a administração municipal se dá ao luxo de pagar os salários dos mais de mil funcionários públicos municipais na sexta-feira vésperas de um feriado na terça-feira e estabelecer ponto facultativo na segunda-feira, retirando do movimento comercial, a grande massa do maior empregador da região.

Enquanto isso os 15 vereadores, entre eles, o que fez mais de uma dezena de queixas contra o atual prefeito, no Ministério Público Federal, em Paulo Afonso, aprovaram por unanimidade, um empréstimo de R$15 milhões para obras. Pelo menos em relação ao denunciante, ficou complicado, sustentar as denúncias que fez.

Sem qualquer critério ou fiscalização, as calçadas estão sendo invadidas pondo em risco a segurança do pedestre

A pandemia está sob controle, o comercio local quebrado, os líderes da categoria não defendem os interesses dela, a cidade paralisada, sem estímulos para retomar a normalidade, sequer se fala no retorno às aulas e muito menos sobre como estão sendo administrados os milhões destinados ao transporte escolar, manutenção das escolas e merenda escolar.

Esquina da Avenida Ruy Barbosa com a Avenida Almerindo Rehem. Será que dias piores virão?

Aguardem para breve, a privatização quase total da saúde do Município, defendendo interesses, sabem de quem?

                                                        Por Celso Mathias

Acima de qualquer suspeita

Era para esperar você na esquina de casa. E eu fiz de conta que seria como sempre, mesmo sabendo que não. Há coisas vividas que não eram pra ser. Bem assim com a gente que, sem querer, transou lá em casa naquele dia de chuva. ― Ok, você queria, e eu acabei querendo também. ― Claro que não tem nada de mais transar, mas não tipo eu e você. Qualquer outro estaria ok. Mas você? Não era pra ser, repito desde então pra mim mesma. Não era. Mas agora está feito, e o melhor é fazermos de conta que não aconteceu. Pulamos aquela parte e continuamos bons amigos como sempre.

Você se atrasou. Novidade. Você raramente se atrasa. Entrei no seu carro e seguimos viagem. Como eu previa, ambos tentamos manter nosso modo normal: tudo menos tocar naquele assunto. Até porque nosso encontro envolvia coisas mais sérias. Eu não dei sinal algum do tipo bom te rever. Nem você. Mal nos olhamos. Percebo que nem de longe se toca no assunto que parece morto e enterrado. Fico em silêncio. Procuro ler alguns sinais que eventualmente venham de você. Nada. Isso me angustia. Não quero perder meu amigo, meu companheiro, o cara que não esquece do meu café, que me traz presentes inesperados, porque sempre lembra de alguma coisa da qual eu gosto. Agora esse clima entre nós. E tudo por conta de uma transa.

Estamos na estrada, quietos. Sem música, que você não colocou. Não pintou a alegria comum de nos reencontrarmos a cada poucos dias. Nem o beijo no rosto. Nem o sorriso. Nem os assuntos do dia, a nossa agenda. Sinto a mudança. Viajar com você foi sempre ótimo. Tão divertido que a gente não contava pra ninguém que o trabalho era só desculpa para ouvir Guns ou Pink Floyd bem alto. Especialmente aquele CD que você descolou só pra mim, com Time e os relógios: waiting for someone or something to show you the way. Parar em trechos bonitos das estradas. Procurar a melhor vista. Tirar fotos. Comprar folhagens. E rir da vida, rir dos outros e das coisas que nos acontecem e das que não nos acontecem também. Tirando aquela parte de a gente ter dado uma transada acidental, — acho que foi mesmo um acidente —, sempre fomos alegres companheiros. Receio agora que deixaremos de ser.

Fico teorizando sobre arrependimentos. Que droga aquilo acontecer e estragar o que éramos. Penso na Bíblia. — Que horror! — Mas eu penso, sim, na Bíblia, naquela parte que Adão e Eva se sentem nus, se escondem um do outro e depois ele — só pra variar — culpa Eva pelo pecado de quem comeu quem e, no fim, ficou tudo na conta da cobra e da maçã. Claro que há culpas. Naturalmente que somos eu, a mulher errada, e você, o cara errado, que transaram. Imperdoável. Ainda por cima, segredo, por conta das implicações e das possíveis complicações também. Distraio-me com esses pensamentos e cuido você que dirige quieto. Era previsível que nos estranhássemos. Vamos ao faz de conta que nada aconteceu, mas parecemos culpados e sem graça.

Quilômetros percorridos. Eventualmente, conversas republicanas. Acho que até do tempo falamos antes de ficarmos quietos. Você nem mesmo parecia de bom humor. Eu sem saber direito o que dizer. Reparei que você, sem mais nem menos, saiu para o acostamento da estrada e retornou sem dizer nada. Parou logo adiante em um posto de gasolina. Saiu do carro sem nem mesmo olhar na minha cara. Fiquei no ar. Nem abastecer você abasteceu. Só foi até a loja de conveniência, voltou para o carro e continuou dirigindo como quem retorna. Não lhe perguntei nada. Tirei meu celular da bolsa e me concentrei nas mensagens recebidas e ainda não lidas, enquanto você dirigia em silêncio até parar o carro e me dizer: — Chegamos.

Ergui os olhos e só vi a fachada vermelha de um motel. Olhei para você, e perguntei:

— Como assim?

E você:

— Decidi não te dar chance de me dizer que não.

Pensei que você tinha razão e que talvez eu lhe dissesse que não. Mas só porque era a coisa mais certa a fazer. O portão abriu. Uma decoração um tanto quanto curiosa, mas creio que fazia parte do contexto. Tentei agir naturalmente. Era o quarto 401. Entramos. Você abaixou o portão. Estávamos diante do que deveria ser uma espécie de pagode vermelho e dourado. Subimos dois lances de escadas. Você abriu a porta para eu entrar no quarto. Depois aprovou a cama redonda, montada entre quatro colunas com cortinas que caíam de uma espécie de dossel. Havia espelhos à nossa volta e até no teto havia um, redondo, não muito grande, mas bastante estratégico. De cada canto da cama, correntes e algemas forradas de um tecido bordado que combinava com o verde das cortinas.

Você estava mesmo decidido. Acho que já estava excitado antes de chegar lá e eu não notei nada. O que dizer daquilo tudo? Deixei que você me abraçasse e me beijasse. Ah, você sabe beijar. Faz isso tão bem que beijar você já é quase uma transa. E enquanto nossas bocas simulavam nossos corpos, eu via você se livrar de suas roupas, enquanto procurava, aos poucos, livrar-me das minhas, desta vez, mais devagar, porque você queria me olhar. Eu quis aplacar a força da luz que vinha da janela aberta. Mas você não deixou.  Me senti então como a belle de jour que não gosta de sol, fascinada que sou pela escuridão. Enfim, você concordou em fecharmos ao menos as cortinas. Fico atenta a você, aos seus gestos. Quero interpretar tudo, mas é com o meu corpo que compreendo você. Meu cérebro tropeça nessa linguagem, vinda que sou de homens tão outros, tão diferentes. Há uma vontade que nos acontece a dois, e que contraria tantas coisas, beirando pecados e culpas. Mas, se era chegada a hora de a gente pecar, que fosse então um pecado bem mortal e impenitente. E, visto que era recíproco, eu não iria me proibir de desejar você.

 

Persistia o mistério que havia em nossos encaixes, uma funcionalidade que acontecia sozinha, desta vez mais completa ainda. Eu olhava para você, gravando seus menores detalhes. Deliciava-me em alisar os seus pelos e sentir seus músculos sob a pele lisa e quente. Você tem uma beleza toda sua, que ninguém adivinha e que sequer suspeita. Descobri seus lugares mais sensíveis, que eu acariciava. Não me reconhecia naqueles desejos todos que nem eram meus, em horas de pura inconsequência misturadas ao medo disso tudo terminar em um dramalhão patético. Nesse ponto, só imagino cada uma das figuras que compõem o seu álbum de família e meu sangue frio congela. Seria um julgamento bem ao estilo da velha Inquisição.

 

E pensar que você planejou tudo! Um lado frio seu que eu desconhecia. Tinha até mesmo um lindo e delicado presente surpresa pra mim bem guardado na sua grande e pesada pasta de trabalho. Não duvido que tenha sacado dinheiro na loja de conveniência do posto de gasolina, para não aparecer o pagamento de um motel no seu cartão de crédito. Que sonso você está me saindo…

E que estilo o seu… A ideia de me torturar foi sua. Ah! Você queria me algemar. E ia mesmo fazer isso, não fossem os meus pulsos e tornozelos tão finos que passavam direto pelas algemas. Eu poderia me soltar facilmente das tais amarras, se quisesse. Mas não me soltei. Então, já que você teve a ideia genial de me torturar, por que não o contrário? Sem hesitar, prendi você pelos pulsos e pelos tornozelos, encaixando bem as algemas. Ao contrário de mim, você não conseguiria se soltar sozinho. E eu, literalmente, abusei de você, bem ali, à minha inteira disposição. Mas, como nada é perfeito, o fecho de uma das algemas travou e, por pouco, não tivemos de acionar a portaria do motel para libertar você da torturadora. Bom, tudo isso nos rendeu boas risadas. Talvez nosso bom humor estivesse voltando afinal.

Nossas diferenças são imensas e, por mais que a vida e que as rotinas nos aproximem, tenho para mim que é arriscado demais se deixar levar sei lá por qual fatalidade que nos embaraça e aproxima. Mas sei também que a vida é um risco e um eterno improviso. Criar e recriar instantes roubados às rotinas é um pouco a gente também. E o que for, afinal, é o que será.

Foram bem umas duas horas ou mais de recreio. Não faltou nem você gritar como Tarzan no final, — pronto, contei —, e ser ouvido por todo o motel e até na China, acho eu. Depois de tudo, um bom banho, nos vestimos e voltamos ao normal, às velhas rotinas e às coisas de sempre, que afetam pessoas comuns e comedidas, acima de qualquer suspeita. E quem nos vê juntos, sérios e respeitáveis, embora divertidos, bem compenetrados em nossas tarefas, com certeza, quem nos vê juntos jamais pensaria em algemas, nem em camas redondas, nem em chineses, nem — francamente — no Tarzan.

                                                                                                           Por Beatriz Basto

Princesa, guerreiro, feras, glória e vitórias

Heloisa completou na data de ontem, 13/10, seu quarto aninho. Edmilson Carvalho, presidente ACACEC festejou seus 74 anos recebendo parentes e amigos na aprazível chácara em frente ao Clube do 100. Depois de um grande susto, a querida amiga Anatalia Riley volta a apreciar as borbulhas da Veuve Cliquot. No próximo dei 07 de novembro, o Estado de Pituaçu recebe um jogo beneficente entre os times de dois euclidenses, o prestigiado fisioterapeuta Lucas Paim e o fazendeiro Rubinho. O que Marilyn Monroe, Jay-Z e Nick Jonas têm em comum? Johnny Depp pode reclamar que “Hollywood o está boicotando”, mas a Justiça do estado da Virgínia. Tony Bennett, que acaba de completar 95 anos e sofre de Alzheimer, é o último representante vivo de uma escola de grandes crooners.

Edmilson com os filhos, Ricardo e Dária e com a esposa Genuzia e a amiga Val

Guerreiro – Edmilson Carvalho, presidente ACACEC festejou seus 74 anos recebendo parentes e amigos na aprazível chácara em frente ao Clube do 100. As dezenas de presenças se deliciaram com comidinhas típicas da região, vinho, cerveja gelada e muita alegria. O aniversariante, fundador da Guarda Mirim e da ACACEC, tem feito um relevante trabalho social que merece todo apoio e reconhecimento do povo de Euclides da Cunha. Apesar das dificuldades que enfrenta, em breve, ele poderá dar uma bela notícia aos usuários da instituição. 

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A princesa – Heloisa completou na data de ontem, 13/10, seu quarto aninho. Para festejar, os pais Joane e Gillon Dionísio, receberam nos jardins da agradável vivenda do casal, amiguinhas e amiguinhos, em especial, da Escola O Saber. De Salvador, veio a vó paterna Adelice e os tios Marlon e Gilvan. A avó materna Sandra ajudou na organização da festa para a neta querida. E como o tempo passa muito rápido, um registro de Joane com Heloisa ainda engatinhando!

 

 

Feras beneficentes – No próximo dei 07 de novembro, o Estádio de Pituaçu recebe um jogo beneficente entre os times de dois euclidenses, o prestigiado fisioterapeuta Lucas Paim e o fazendeiro Rubinho, comandante das Fazendas Reunidas Limeira. Nos dois times, verdadeiras “feras” que atuaram em grandes de times da Bahia, do Brasil e até da Seleção Brasileira. Uma boa oportunidade para reverem campo, esses grandes profissionais da bola!

Um luxo só – O que Marilyn Monroe, Jay-Z e Nick Jonas têm em comum? Todos os três visitaram uma propriedade histórica em Holmby Hills, Louisiana, que recentemente chegou ao mercado por US $ 115 milhões (ou seja, mais de R$ 600 milhões) que pertenceu a Cher e Tony Curtis.

Apelidado de Estate Owlwood, a histórica casa 1.2201 metros quadrados foi construída em 1936 e projetada em estilo renascentista italiano pelo arquiteto Robert D. Farquhar. A casa principal possui nove quartos e 10 banheiros (além de um elevador e uma enorme escada em espiral), e há também uma casa de hóspedes, alojamento de equipe, quadra de tênis e uma piscina olímpica com casa de piscina na propriedade. Em toda a propriedade, você encontrará molduras elaboradas, grandes lareiras de mármore, cornijas esculpidas à mão, lustres de cristal e acessórios dourados.

Vitória – Johnny Depp pode reclamar que “Hollywood o está boicotando”, mas a Justiça do estado da Virgínia (EUA) acaba de entregar à estrela da franquia ‘Piratas do Caribe’ uma grande vitória em seu processo por difamação de US$ 50 milhões contra Amber Heard, com quem ele foi casado de 2015 a 2017. Os advogados do ator afirmam que ele está “satisfeito” depois que uma juíza se recusou a abandonar o polêmico caso.

 

Vitória 2 – Depois de um grande susto, a querida amiga Anatalia Riley volta a apreciar as borbulhas da Veuve Cliquot servida pelo Maridão William. Como estamos falando aniversários, voltamos a comemorar o dela em 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, que naturalmente, não se importará se comemoramos também o dia de Nossa Senhora da Vitória, pois Anatalia acabou de vencer o COVID 19 (já estava com as duas doses de Coronavac) e 10 dias de intubação. Viva Anatalia!

 

Gloria – Tony Bennett, que acaba de completar 95 anos e sofre de Alzheimer, é o último representante vivo de uma escola de grandes crooners, como Frank Sinatra, Gene Austin, Nat King Cole, Bing Crosby e Dick Haymes. Nessa constelação de vozes notáveis, notabilizou-se por interpretações de standards americanos com apreço inconfundível pelo jazz. Nascido em 1926, no subúrbio nova-iorquino do Queens, Anthony Dominick Benedetto é neto de imigrantes italianos da empobrecida Calábria, e aos 10 anos já trabalhava para ajudar a família. Aos 18, em 1944, foi convocado para lutar na Alemanha durante a II Guerra — e sofreu preconceito nas fileiras do Exército americano por sua ascendência italiana. Ao voltar para casa, em 1946, começou a cantar em clubes de jazz do Greenwich Village, onde foi descoberto por uma gravadora. Em sua carreira de mais de setenta anos, vendeu 50 milhões de discos e apresentou-se para multidões ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

O grande cantor, já em um estágio muito avançado da doença, transforma-se completamente quando toma o microfone e encara a plateia. Nessa condição, brilhou ao lado de Lady gaga, em recente show no Radio City de Nova Iorque; uma verdadeira glória!

                                                                        Por Celso Mathias & Agpress

Laços de (boas) famílias

 

 

 

Texto produzido em outubro de 2016 e reeditado para o novo formato da Revista VidaBrasil.

 

Essa é uma história de pessoas que tiveram origem em lugares distintos, distantes e transformaram-se em amigos quase irmãos. Falo do capixaba Antônio José Miguel Feu Rosa e do Baiano de Euclides da Cunha, José Mathias de Almeida Neto que muito cedo deixou a cidade natal para se transformar, ao lado do primeiro, em um dos mais respeitados cidadãos do Espirito Santo. Ambos foram desembargadores do Tribunal de Justiça e Feu Rosa, entre outras inúmeras atividades públicas chegou a presidente do TJ.

Zequinha, José Mathias de Almeida Neto, filho do meu avô Joaquim Mathias de Almeida, nasceu na casa onde nasceu minha mãe, todos os meus tios, eu e parte dos meus irmãos. Construída há mais de 100 anos, ainda pertence a membros da família. É a primeira da Rua de Cima, quase em frente ao Vauleza. José Mathias construiu uma carreira brilhante, faleceu aos 65 anos no exercício do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Casarão de Joaquim Matias

Antônio José Miguel Feu Rosa nasceu em Vitória, em 25 de fevereiro de 1934, filho de Pedro Feu Rosa e Leonor Miguel Feu Rosa. Formou-se pela Faculdade de Direito do ES e em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas. Foi deputado estadual em duas legislaturas e federal em outras duas. Além disso, foi jornalista, escritor, professor de Direito da UFES e Procurador do Estado. Foi secretário-chefe da casa civil do Governo do Estado, desembargador do Tribunal de Justiça do ES desde 1982, sendo o Presidente da 1ª Câmara Criminal. Foi Corregedor e Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do ES e eleito Presidente do Tribunal de Justiça para o período de 1994/1995. Faleceu aos 73 anos em 10 de novembro de 2007.

Av. Ruy Barbosa em Euclides da Cunha
Triângulo da Bermudas, Vitória-ES

 

 

 

 

 

 

A juventude dourada que frequenta os luxuosos barzinhos da Praia do Canto em Vitória, pouco sabe desse euclidense que hoje dá nome ao Fórum Criminal do Espírito santo e a juventude euclidense que desfila pela elegante Avenida Ruy Barbosa tem pouca informação sobre o ilustre conterrâneo e desconhecem a história do brilhante capixaba Antônio José Miguel Feu Rosa que inclusive chegou a visitar Euclides da Cunha em companhia do amigo.

Enquanto candidato a deputado federal, Antônio José Miguel Feu Rosa teve no juiz José Mathias de Almeida Neto, um discreto, porém determinado eleitor. Mais tarde, nomeado desembargador na cota da OAB, Feu Rosa foi eleitor de Mathias para ocupar a vaga de desembargador onde foram pares.

João Miguel Feu Rosa

 

 

Surge então um novo membro da família Feu Rosa, o economista João Miguel que ingressa na política Capixaba e, entre outras atividades, é eleito duas vezes deputado federal. Entre os seus eleitores; José Mathias de Almeida Neto! 

 

A essa altura, o jovem advogado Pedro Valls Feu Rosa filho do desembargador Antônio José ingressa na magistratura e, ao assumir uma Vara na capital do Espírito Santo chama a atenção dos meios jurídicos pelo ritmo que imprimiu ao trabalho e passa a ser visto como um brilhante juiz.

Apontado para ocupara uma vaga no Tribunal de Justiça aos 27 anos de idade, Pedrinho como é conhecido círculo familiar, foi envolvido em uma enorme polêmica.

 

Um belo dia recebo na sede da Revista VidaBrasil, meu sisudo tio José Mathias de Almeida Neto. Viera dar um depoimento a favor de “Pedrinho” em quem ele enxergava o perfil do juiz que provocaria as mudanças necessárias no Judiciário Capixaba. Como a polêmica girava em torno da idade de Pedro Valls Feu Rosa e no fato dele ser filho de um desembargador, José Mathias argumentou: O fato de o ator Michael Douglas ser filho do veterano Kirk Douglas influencia para que ele seja bom ou mau ator?

Tempos depois meu tio José Mathias é diagnosticado com um câncer que lhe ceifa a vida aos 65 anos. Para seu lugar foi escolhido o jovem juiz Pedro Valls Feu Rosa de apenas 27 anos de idade.

Hoje, por iniciativa de Antônio Jose Miguel Feu Rosa, o Fórum Criminal da cidade de Vitória tem o nome de José Mathias de Almeida Neto e, como “O tempo é o senhor da razão”, o atual decano do TJ-ES Pedro Valls Feu Rosa é, aos 46 anos de idade, o seu presidente, eleito por unanimidade e reconhecido dentro e fora do Brasil como personalidade de notório saber jurídico, respeitado pelas importantes decisões e mudanças que vem implantando no judiciário do Espírito Santo e sendo copiado pelo mundo afora.

Feu Rosa pai e filho desembargadores contemporâneos no TJ-ES

E aqui entra mais um elo nesse laço de família. Meu sobrinho, o jovem advogado Gabriel Amorim, sobrinho neto de José Mathias e já admirador e conhecedor da obra de Pedro Feu Rosa, acaba de ser recebido pelo próprio no gabinete da Presidência do TJ-ES para duas longas horas de boa conversa, reminiscência e planos futuros. Tudo indica que Gabriel aos 23 e Pedro aos 46 ainda terão pela frente muitos encontros porque para pessoas como eles, o céu não é o limite.

 

                                                                                                   

                                                                                             Por: Celso Mathias

Apolo

No final dos anos 80, o empresário capixaba Apolo Jorge Rizk, já consolidara o negócio iniciado com o pai, Nagib Rizk, a Concessionária Ford Contauto e, com pouco mais de 40 anos, atuava em diversas frentes, como agropecuária, Concessionária Honda, Ford Caminhões e consórcios. No início dos anos 90, com a liberação da importação de veículos, foi um dos pioneiros com as marcas Suzuki, Peugeot e Subaru e entrava no rol de empresários top do país. Cortava os céus do brasil em um Learjet 35, além de dois aviões a pistão, dimensionados para as pistas das suas fazendas.

Ainda muito jovem, casou com uma jovem da família Helal. O casamento durou muito pouco, mas o relacionamento entre as duas famílias permaneceu sem arranhões. Com a segunda esposa, a médica baiana, Fátima Figueiredo, teve os filhos Apolo e Gabriel Chalouri Figueiredo Rizk.

Através do saudoso publicitário Antônio Barros, baiano de Santa Bárbara, me aproximei de Apolo Rizk, aparentemente um homem muito rígido e sisudo. Descobri então, se tratar de alguém que transbordava simpatia e bom humor ente seus familiares, colaboradores e amigos.

Juntos, contamos muitas histórias nos almoços de sexta-feira no Restaurante Taurus, onde a marca do “Turco”, era retirar o relógio do pulso ao sentar à mesa. E aí, o almoço se estendia até o final da tarde. Nos voos bate/volta para São Paulo a fim de tratar de negócios, mas onde sempre sobrava espaço para um bom almoço e em muitas outras oportunidades, mais no meu, do que no escritório dele.

Voluntarioso, mesmo trabalhando muito, sempre sobrava espaço para aconselhar um amigo e até presentear com algum mimo para descontrair. Entre outros, guardo até hoje, esse apoio de livros que ele me presenteou em um dessas ocasiões. Unindo o útil ao agradável, sempre comprava os presentes na Loja de Decoração de D. Rute, a mãe dele.

Em 1993, uma quase tragédia, que acompanhei de perto, marcou para sempre o destino da família Rizk. O filho caçula, Gabriel Chalouri Figueiredo Rizk, foi retirado dos braços da mãe e sequestrado por profissionais que não deixaram rastro. Acompanhei de perto o episódio que custou uma grande quantidade de dólares, recolhidos às pressas entre vizinhos e amigos da elegante Ilha do Frade, onde vivia a família. Louco pelos filhos, os que acompanharam de perto o episódio tiveram a oportunidade de ver o desespero de um pai e certos aspectos que envolvem terceiros e quem sabe um dia, o grande negociador para o final feliz, Cel. Luiz Sérgio Aurich, possa contar!

A partir desse episódio, Apolo transferiu a família para Boca Raton, na Florida e passou a se dividir entre a mansão da Ilha do Frade e do lugar que escolhera para que os filhos vivessem com mais segurança e recebessem melhor educação.

Na virada do ano 1998/1999, marcamos um encontro em Londres. Eu, partindo de Paris, onde me encontrava, ele, Fátima, Apolinho e Gabriel, partindo de Orlando. Sempre discreto, me falou sobre a felicidade de viver incógnito em Boca, onde comprar uma Mercedes 600SL de 12 cilindros e podia passear com a família sem ser notado. Em Londres, nos hospedamos no London Hyde Park Hotel e ele alugou uma Mercedes Limusine de época com motorista e tudo mais, fazendo para mim uma recomendação: aqui, somos amigos e você não é jornalista. Câmara fotográfica está terminantemente proibida.

Naquela cidade, visitamos lojas de departamentos, rimos muito e Apolo parecia uma criança provocando sustos sob o fog londrino. À noite, reservou um belo restaurante para jantarmos, mas antes, em um local onde haviam grades de proteção muito altas, a baiana Fátima Figueiredo, em ritual de agradecimento, esforçou-se para atirar flores ao Tâmisa, despertando a curiosidade de policiais que por ali passavam e muitos risos no então marido.

Tempos depois, ele e Fátima se separaram. Com ela, continuaram os filhos que nos Estados Unidos foram educados e preparados para a vida. Muitas vezes, conversava comigo sobre o desenvolvimento dos dois, das excelências de Gabriel e da veia musical de Apolinho. Mantivemos proximidade e amizade fraternal, até 2001 quando deixei o Espirito Santo e por opção me isolei, mas nunca deixei de acompanhar a trajetória brilhante do grande cidadão e empresário. Já sabia que ele estava doente, e que há tempos, os dois filhos tinham voltado a morar em Vitória e dar seguimento às atividades do pai. Ontem, Apolinho e Gabriel ficaram órfãos. Apolo lhes deixou, muito além dos bens materiais, uma história de honradez, empreendedorismo e caráter. Descanse em paz, amigo velho!