Um giro por Salvador

Hoje é dia de cantar parabéns para Arlindinho Andrade. Joane e Gil Dionisio, em noite de bons vinhos. Visita do empresário Zezé Bastos e do escritor Dionísio Nóbrega. Durante viagem de negócios em Dubai o empresário holandês Paul Struijk. No Restaurante Cosa Nostra, o big manager da Rede Bel Cosméticos, Luciano Rodrigues. No Amado-Salvador, Sara Brito e eu, com o big boss Ivo Barbosa comemorando com Cristal, a sua 65ª Bel Cosméticos. Essas meninas sabem tudo de vinho em Sampa. Ubirajara Formiga e a bela sobrinha Carolina. Laporte, o melhor sorvete do planeta. Em Vitória, com o médico Humberto Freire. Fester Adams. Guilherme Arantes!

Dinay Oliveira e Marilda Silva, entre Gervásio Oliveira, (no dia da grande festa de aniversário dele, em maio passado, no Palácio da Aclamação) e Arlindinho Andrade. Aliás, hoje é dia de cantar parabéns para ele que tem mais de um milhão de amigas e amigos Feliz Aniversário, Arlindinho!

 

 

 

 

 

Joane e Gil Dionisio, em noite de bons vinhos, bons charutos e especialmente, de boas conversas.

 

 

 

 

 

 

A agradável visita de dois amigos do coração e da velhíssima guarda. O empresário Zezé Bastos e o escritor Dionísio Nóbrega. Bom recebe-los e relembrar tantos momentos bons da nossa infância e adolescência. Namasté!

 

 

 

 

 

Durante viagem de negócios em Dubai o empresário holandês Paul Struijk (cultivando uma longa barba), do ramo de mineração, produtos químicos, energia e recursos naturais. Ele é apaixonado pela Bahia, onde tem um belo apartamento e uma legião de bons amigos!

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao meio dia no Restaurante Cosa Nostra, o big manager da Rede Bel Cosméticos, Luciano Rodrigues que recusou o nosso Mais, em troca de uma Coca Cola. Somente business.

 

 

 

 

 

 

 

À noite, no Amado-Salvador, Sara Brito e eu, com o big boss Ivo Barbosa comemorando com Cristal, a sua 65ª Bel Cosméticos.

Carla Sousa, Gerlucia e Sandra, ente Janete e Gabriela David. Worldwine e Clrets. Essas meninas sabem tudo de vinho em Sampa. São excelentes profissionais da área!

 

 

 

Ubirajara Formiga e a bela sobrinha Carolina, degustando cerveja, cachacinha de Minas e uma gostosa costela à Cícera, uma das especialidades da casa!

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o francês/baiano, Georges Laporte, no Glacier Laporte, Largo de São Frnacisco-Salvador, onde ele, além de bom papo, oferece o melhor sorvete do planeta, tradição de família, importada da França. Um lugar imperdível!

 

 

 

 

 

 

 

SAUDADE- Em Vitória, com o médico Humberto Freire, um paraibano/euclidense, que foi, além de médico de toda a minha família, meu mestre e inspiração. Não tenho dúvida que está em ótimo lugar!

 

 

 

 

 

 

 

 

Essas imagens não têm qualquer truque de Photoshop ou qualquer outra ferramenta digital. O primeiro é Fester Adams, um monstrinho do bem. O outro, dispensa comentários!

 

 

 

 

 

 

 

Na próxima quinta e sexta-feira, dias 28 e 29 de julho, tem um programa imperdível no Yacht Clube da Bahia: Guilherme Arantes se apresenta à 21h.

 

 

 

 

 

                                                                                                                              Celso Mathias

Um século de Jayme Amorim

Com o então prefeito Enock Canário e senhora

Este texto foi produzido há vinte e dois anos na data de falecimento de meu pai Jayme Amorim (era com ”y’, que ele gostava de grafar o nome dele) e publicado à época na edição impressa da Revista VidaBrasil. Hoje, data em que ele completa   um século, digo “completa”, porque pessoas como ele, são eternas, ao menos nos corações de quem com ele conviveu. Aos que acompanharam sua trajetória de vida, uma lembrança do que foi esse guerreiro: um homem que jamais será esquecido!

Neto do português Leovergildo Amorim da Rocha, filho de Maria Amorim da Silva, e de José Amorim da Rocha, modesto professor que no final do século XIX foi o principal alfabetizador dos seus conterrâneos no município de Tucano, Jayme Amorim da Silva foi vereador por sete legislaturas consecutivas na cidade de Euclides da Cunha, tendo inclusive presidido a Câmara de Vereadores. Abandonou a política quando o cargo de vereador, até então exercido gratuitamente, passou a ser remunerado. Era um político à antiga mesmo!

Em frente, o então prefeito e hoje, deputado federal, José Nunes

Paradoxalmente, foi o homem mais avançado do seu tempo. Por suas mãos, a cidade conheceu o primeiro fogão a gás, as portas de aço e o que havia de mais moderno à época em materiais para construção. A sua pequena loja, “O Crediário”, mudou o perfil arquitetônico da cidade e o estilo de vida de muitos cidadãos.

Tudo começou no início da década de 60, quando ele abriu no local onde hoje está instalada a Cristais Center Decorações, uma pequena loja onde comercializava geladeiras usadas, as primeiras a enfeitar as salas das residências mais privilegiadas da cidade e ainda alimentadas a querosene, já que à época, a cidade não contava com energia elétrica durante o dia. Um gerador instalado na Rua Major antonino, logo depois do Hotel Lua, fornecia energia para iluminação, apenas entre 18 e 23 horas.

                                                                                                               

Já no final dos anos 60, o empreendedor construiu, no local onde hoje funciona a loja de eletrodomésticos Sergisat, o primeiro edifício de 02 pavimentos na hoje badalada Av. Ruy Barbosa e ali instalou também a primeira loja de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção da região. Jayme Amorim foi o mais importante comerciante da sus época, tendo introduzido no mercado local, dezenas de novos produtos.

 

Este é um singelo perfil do homem que movimentava as seções do legislativo local em inflamados debates, e que, na sua brilhante oratória, cativava plateias

 nas sessões que aconteciam às Sextas e Sábados à noite, o melhor programa da cidade.

 

Autodidata, dono de um português irretocável, recebeu ainda em vida e saudável, várias homenagens, entre elas, uma rua cuja placa estampa o seu nome na cidade que adotara para viver e que o adotou como Cidadão Honorário e filho distinto.

 

 

 

 

 

 

 

 

Na vida pessoal, um pai exigente, severo e autêntico. Fez o que pode para encaminhar na vida os seus dez filhos. Marido extremoso, ficou viúvo aos 47 anos e três anos depois perdeu um dos filhos, meu irmão Humberto Muquiado, em trágico acidente automobilístico; dois duros golpes que balançaram aquele Jacarandá, mas não o derrubaram

 

 

Estivemos afastados por muito tempo. A distância física e a diferença de pontos de vista de dois homens de temperamento forte nos fizeram endurecer um com o outro, até que o tempo fez com que nos descobríssemos muito parecidos…E aí, foi tão pouco o tempo que tivemos para nos amar, nos respeitar e admirar. Mas ainda tivemos tempo! E como foi bonito descobrirmos juntos os mundos. Em quantas esquinas do planeta parei para telefonar lhe e descrever o que via

 à minha frente! Quantas vezes rimos e nos emocionamos estando a milhares de quilômetros de distância um do outro. Os mesmos quilômetros que ironicamente nos separaram no último Adeus à sua matéria. No momento em que ele morreu, eu cruzava o oceano atlântico em um compromisso profissional. Hoje, meu herói, meu amigo descansa em paz. O que você me ensinou, continua vivo ativo e forte como você.

Parabéns, meu pai, pelos seus 100 anos!

 

                                                                                                                     Celso Mathias

O Cabra forte do sertão descansa em paz: dois anos sem João Costa

 

 

Conheci João Costa Soares, o Paulistinha, há pouco mais de dez anos e iniciamos nossa aproximação há sete, quando escrevi essa matéria. De lá para cá, nos tornamos mais que amigos; quase irmãos! Perdemos na tarde desta quarta-feira, dia 13/05/2020, esse ser singular, com o qual convivi quase uma década de boas conversas e afinidades. Como irmãos, algumas vezes o aconselhava, assim como o mais velho faz com o mais novo. Mas na grande maioria das vezes, ele, embora cronologicamente, um ano mais novo do que eu, me deu aulas de sabedoria, humanidade e, principalmente de honestidade, com ele mesmo e com os outros. Guerreiro aguerrido e valente, enfrentou com dignidade a doença que o consumiu nos últimos dois anos. Do que escrevi sobre ele há sete, acrescentaria virtudes que só quem conviveu de perto com ele, conhece. Descansa em paz amigo, guerreiro, ousado. Você já é eterno no coração de todos nós! MATÉRIA ORIGINALMENTE PRODUZIDA EM 20 DE MARÇO DE 2013 e reeditada em 13 de maio de 2022, data em que relembramos dois anos da passagem desse guerreiro!  ***Cabra forte do sertão ***Ele tinha apenas 12 anos quando recebeu uma reprimenda do pai, após ter sido denunciado pela família de uma vizinha que se sentira ofendida ao saber que o menino João não se cansava de admirar as belas formas da filha que costumava banhar-se no pequeno açude da fazenda Lajinha a cerca de dez quilômetros da cidade de Monte Santo. Aborrecido com a severidade do pai, João juntou-se a um comerciante ambulante e foi tanger mulas entre a Bahia e Sergipe. Conheça uma singular história de vida.

Depois de vários meses atuando como tropeiro e enfrentando o desconhecido por estradas longas e empoeiradas dormindo em redes armadas sob arvores e enfrentando todo tipo de adversidade, o menino franzino de pouco mais de treze anos foi convidado por um tio para ganhar a vida no Rio de Janeiro.

Convencido de que na então Capital Federal estaria a realização do seu sonho, João tratou de, junto com a mãe, D. Maria Alvina Soares de Sousa convencer o pai, Napoleão Bonaparte Costa Souza a lhe prover de recursos para a vigem. Foi com o forte comerciante e fazendeiro. Laurentino que a família obteve os recursos para a aventura do menino-homem. “Pai, eu não nasci para trabalhar com a enxada. Meu futuro não está aqui. Eu vou mais volto para lhes oferecer uma vida melhor”, disse João Costa Soares ao se despedir e iniciar a longa viagem até o Rio de Janeiro.

A Lajinha é um povoado do município de Monte Santo a cerca de 30 km de Euclides da Cunha e um manancial de bons comerciantes. No passado, Manoel Costa Torre, bisavô de João chegou a ser um dos mais poderosos proprietários de terra da região. Teria sido doação dele para a Igreja Católica, as terras onde está erguida a Via Sacra e o alto da Santa Cruz. O avô, Rosendo Costa de Aquino, não muito afeito aos negócios, era um homem letrado. Foi buscar na História da França, o pomposo nome do filho: Napoleão Bonaparte.

É bom registrar que não é de agora que se manifesta a veia comercial dos filhos da Lajinha. Nos anos 40 migraram para São Paulo Cirilo e José Alves dos Santos, irmãos mais velhos do Zeca do Armarinho. Estabelecidos em Santo Amaro, os irmãos Alves, embora sem muita instrução, eram donos de um imenso tino comercial. Foram os pioneiros no comércio de móveis e eletrodomésticos na região Sul da capital paulista chegando a dominar o setor.

O golpe de estado de 1964 colheu o menino da Lajinha em pleno Rio de Janeiro convivendo com algumas trapalhadas do tio que o convidara a viver na cidade grande. E foi no Rio, entre os altos e baixos do tio, dormindo em vagões de trem, sendo cuidador de animais, ou seja, vivendo literalmente de bicos que João começou a receber as mais duras e importantes lições da escola da vida.

Aos dezoito anos a difícil vida lhe presenteia com a possibilidade de se desenvolver como cidadão ao ser convocado para ingressar nas Forças Armadas para ser soldado do Exército. Reprovado em consequência da baixa estatura e sem ter para onde ir, o menino caiu nas graças do comandante que o entrevistara e foi convidado para cuidar dos animais da corporação. Habilidoso com os animais, ali permaneceu até ser convidado para cuidar de um dos canis da polícia militar.

Não demorou muito e João foi mais uma vez é atraído pelo tio para recomeçar, desta feita na Baixada Santista. E é aí que a vida do lajinheiro começa a tomar outro rumo. De porteiro a dono de hotel até chegar a “Rei da Noite” na cidade de Santos foi um pulo e muitas histórias. Voltou à terra natal e como prometera a Napoleão Bonaparte, levou toda a família para viver com ele em Santos. Ganhou dinheiro, embrenhou-se pela complicada vida noturna de uma cidade portuária até conhecer Sandra Pinto acrescentando Soares ao nome dela para constituir uma bela família.

 

 

Com a esposa Sandra, sócia e companheira de todas as horas, no início da construção da loja 2

Cansado da noite, João voltou às origens para viver com mais tranquilidade e gerar Joane, filha do casal e hoje braço direito dos dois na empresa que se consolida como o maior supermercado fora de redes na Bahia.

Estamos no início dos anos 90. João está de volta a Bahia onde comercializa gado, terras e, ao contrário do que muitos imaginam, já tinha uma situação financeira estável. Fizera o pé de meia na noite santista. Sandra está gravida da primeira e única filha, Joane. Para um irmão, João abrira na Rua Oliveira Brito o Mercadinho Paulista. Em 20 de março de 1991, ele e Sandra assumem o negócio. Ela no caixa e ele no Balcão.

Passados 22 anos, o Mercadinho Paulista que hoje ocupa uma área de 1200m² no Centro da Cidade de Euclides da Cunha, prepara-se para inaugurar ao lado do Centro de Abastecimento mais uma loja, desta feita com mais de 2500m²construída e montada dentro dos mais rigorosos critérios de conforto e modernidade.

Das dificuldades de sobrevivência como tropeiro aos 12 anos de idade, da vivência humilde no Rio de Janeiro tratando animais e morando improvisadamente ao início difícil na Baixada Santista ao sucesso como “Rei da Noite” até encontrar Sandra, mudar de vida e recomeçar em Euclides da Cunha, surgiu um homem maduro, simples e singular.

Com a filha Joane, desde cedo atuando nos negócios da família

 

 

 

 

 

Exigente com seus colaboradores age às vezes como um pai carinhoso e brincalhão e às vezes como um severo chefe de polícia. “O cliente é o dono do Mercadinho Paulista. Todos nós, incluindo eu, somos empregados do cliente e temos de atende-lo e trata-lo como ele quer”, vaticina entusiasmado.

 

 

 

 

Baixinho e extremamente ágil, realiza façanhas incríveis: Monta a cavalo, dirige por incansáveis horas, sobe em arvores, aparta cabras, carrega sacolas de clientes, remove caixas ajuda na faxina; é incansável para os 62 anos completados hoje, dia 20 de março!

 

 

 

 

Simples, mas nunca simplório, João tem a exata dimensão do que, do que representa no contexto onde atua. Sabe quanto vale o seu trabalho, quanto valem os seus negócios, quantos empregos gera, e não são poucos, quanto paga de impostos, e é muito; talvez o maior volume da região.

Olhar aguçado, raciocínio rápido e muita objetividade foram ferramentas que adquiriu e desenvolveu na escola da vida. Aponta erros e soluções com rapidez e naturalidade. Não se prende a coisas pequenas.

Com Sandra e o genro Gil, tratado como filho e e desde cedo, atuando na empresa

Curioso e interessado em todas as atividades desenvolvidas dentro dos seus negócios, conhece um pouco de tudo e participa de tudo. Da informática, da eletricidade, da refrigeração, da composição e conservação dos alimentos, da engenharia, da tributação, de todos os números e ações que compõem a sua atividade. Não prioriza a mais correta aplicação das palavras, mas o perfeito entendimento do seu universo pessoal e profissional.

Sempre cortejado nos eventos da ABASE – Associação Bahiana de Supermercados e da APAS, onde neste ano de 2022, será representado pelo genro, Gil, a filha Joane e o irmão, Batista
Sempre centro das atenções, João está na sequência de fotos, com o ex-ministro Delfin Neto, com o médico Luiz Carlos Dantas, com o ex-governador Geraldo Alckmin, com o senador Jacques Wagner, com empresário Alair Martins e com o palestrante Luiz Marins

 

Certo dia, enquanto ao telefone simulava um ataque de fúria com um fornecedor, ria e piscava o olho para os que estavam em volta. Ao desligar o telefone, desmanchando-se em risos afirma aos que assistiam a cena ”esse é o meu papel. Se eu não fizer assim eles não baixam o preço e aí não posso vender mais barato para o meu cliente”, justifica-se.

 

 

 

 

 

 

Deus é o seu mantra. Todas as perspectivas estão sempre acompanhadas de um “Se Deus assim nos permitir”. Segundo ele, essa expressão o enche de energias positivas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É generoso, porém nunca esbanjador; não tem o melhor carro. Tem o mais apropriado e seguro. Não tem as melhores moradias; tem as que lhe oferecem conforto, segurança e bem-estar. No seu amplo apartamento em um condomínio de classe média alta em Salvador, foi flagrado dormindo em um colchonete no chão da sala em frente ao aparelho de TV. Questionado por um colaborador ao qual havia cedido uma das suítes da casa, respondeu rindo: “Meu amigo, sempre faço isso. É para não esquecer as minhas origens”.

 

 

 

 

 

 

João Costa Soares, um brasileiro, um nordestino, um homem simples que não quer esquecer as origens. Simples, mas não simplório. Como ele mesmo gosta de bradar: “Cabra forte do Sertão”!

 

 

 

 

Na eterna Copacabana o branco que encanta

Pelos corredores do Copacabana Palace passaram reis e rainhas, a fina flor de Hollywood, as grandes vozes da canção do século XX. Até eu fiquei por lá uma temporada com direito a boas conversas à beira da piscina com a atriz e escritora Maitê Proença com direito a esticadas no recém-inaugurado Gero Carioca em companhias dos queridos amigos Anatalia e William Riley. Branca. Imponente. Imune à sombra.

A fachada do Hotel Copacabana Palace faz frente à praia musa da Bossa Nova. Na entrada do edifício 1702 da Avenida Atlântida, projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, há uma fila de automóveis da série milionária onde, num forno tropical, saem cavalheiros engravatados e senhoras que se equilibram em sapatos com saltos do cume da Torre Eiffel.

É regra. Antes de entrar no luxo passa-se a fronteira. Três seguranças — criaturas abençoadas pela largura dos dorsos — miram alto a baixo, direita e esquerda. O capitão-porteiro não faz caratê. Usa luvas. Só as despiu para saudar a princesa Diana. Jorge Freitas, o funcionário mais antigo da unidade hoteleira inaugurada a 13 de Agosto de 1923, dispõe de quatro décadas no ponto crucial: a porta. Viu. Ai se viu! Bill Clinton tomando sorvete. O riso compulsivo de Nicolas Sarkozy. O rigor de Bono Vox perante as fãs. A “bituca” a derreter nos dedos de Mick Jagger. A descontração de Mário Soares.

 

Rod Stewart, paciência, não voltará a pôr os calcanhares neste éden carioca. Certa noite quis transformar a sua suíte no Maracanã. Chamado pelos incomodados para interferir no “baba” do pop star, o então gerente Klaus Flunkert, um alemão carismático e considerado no ramo da hotelaria como um dos melhores profissionais do planeta, seduzido pelo bom humor e a paixão de Stuart pela bola, antes de terminar a farra teria feito varias tabelinha com o cantor, naturalmente preservando o mobiliário quase secular.

 

 

 

 

 

 

 

Já em 1942, Orson Welles, após litros de whisky sem gelo, tivera similar fúria com a ‘nega’ que levara de Dolores Del Rio. Poltrona, dois candelabros e uma mesa acabaram afogados na piscina.

 

 

A porta giratória de freijó e vidros curvos dão o aval. E eis o palácio. Os sentidos dão de caras com o aroma capim-limão. Toalhas quentes embebidas sossegam a umidade das mãos. Água no bule de prata mata a sede com classe.

O Golden Room, aquele que foi o maior palco de espetáculos do Brasil, passou a espaço cultural. Esse piso de vidro recebeu laringes de céu. Maurice Chevalier, Ella Fitzgerald, Yves Montand, Edith Piaff.

 

 

Amália Rodrigues, Tom Jobim e Marlene Dietrich que deixou memória não só pelo talento. A diva alemã, no seu show memorável em 1959, surpreendeu um funcionário ao pedir um balde de champanhe cheio de areia… Os banheiros ficavam longe. E o seu vestido colante impedia-lhe de descer os vinte degraus.

Os tempos mudaram menos a vontade de perdurar o primor de dez mil metros quadrados. Assim, em 1989, o Grupo Orient Express, adquiriu por 23 milhões de dólares o imóvel construído em 1923 pela família Guinle e adaptou sem descaracterizar a grandiosa estrutura criada pelo arquiteto Cesar Mello e Cunha. As obras de reestruturação foram muitas e continuam, No entanto, ninguém ousa tocar no piso de mármore de Carrara, nos cristais da Boemia.

Dois restaurantes novos, porém com alma antiga. Quadra de tênis, SPA, piscina paraolímpica. No prédio principal, foram remodelados cerca de 150 apartamentos e suítes. No anexo, 76 suítes foram s refeitas. Aliás, bendito anexo onde tantos encontros furtivos aconteceram. Tantos, que uma passagem secreta ligava o salão de cabeleireiros às suítes. Ali enfartos já levaram amantes ao cemitério, ali também a princesa Diana foi flagrada por paparazzis em trajes nada convencionais para uma princesa.

Nos idos de 1931, o tio da sua sogra, príncipe de Gales Edward, nobre não muito chegado a banhos, chorou as mágoas por ser rejeitado pela uruguaia Negra Bernardez… talvez até pela falta de um bom banho.

Discreto apesar dos bigodes e daquela foto da língua, quem também pousou lá, foi o físico Albert Einstein. Ele não quis assinar o livro de hospedes! Mas o Copacabana continua lá. Impávido colosso com milhares de histórias contadas e a contar.

 

                                                                           

                                                                                       

                                                                                Celso Mathias

O nosso segredo

 

 

Uma ardência absurda começou a tomar conta do meu corpo. Era quente como fogo, mas, ao mesmo tempo, era fria, refrescante até. Ah! — pensei — você me aprontou! Era isso! A história da tal balinha ultra refrescante habilmente — e põe habilidade nisso — introduzida nas minhas entranhas. Começo a rir, e você também, ao mesmo tempo em que o clima entre nós era mantido no auge do tesão. 

Olho para cima e me deparo com a imagem de nós dois refletida no espelho do teto do quarto do motel. Três horas da tarde, dia de trabalho, meio de semana, e a gente supostamente percorrendo alguma cidade satélite da capital. Volto ao clima, mas não esperava por essa. Não que você fosse fazer de verdade, sem que eu percebesse a manobra da balinha. Já entendi que você gosta de me surpreender. Como essa história de desconversar no meio do caminho. Falar em comprar uma peça para o carro em algum ferro velho da periferia. — Vamos na Robauto, — você falou. Em vez disso, depois de percorrer um trecho meio desabitado, entrou direto num motel. Simples, mas limpo, que você já conhecia dos velhos tempos da ex. 

 

Você tem uma incontornável inocência quando me apronta esse tipo de coisa. Mas acho que, com a gente, não poderia ser de outro modo. São as nossas horas, o nosso tempo apressado tomado às rotinas da vida, tempo de puro tesão, e outra palavra não há diante de corpos que funcionam sozinhos, da castidade à pornografia. Gosto de te olhar nessa metamorfose que te faz ir de ogro desajeitado até a sensualidade absurda de um Casanova. O cara que, quando em casa, família reunida, é capaz de sair da sala sorrateiramente, entrar no banheiro e me chamar para, em silêncio, exibir seu desejo no écran do celular. E eu? Entro no clima na mesma hora e, sempre que dá, me mostro em detalhes para você. Assim migramos de castos amigos e sinceros companheiros para cúmplices do que você chama de o nosso segredo.

No início foi bem difícil para mim e creio que para você também. Agora, nem tanto. Não que sejamos mais cínicos do que a maioria. Talvez mais sonsos, porque, seguramente, ninguém desconfia do que aprontamos quando estamos sozinhos. Bobagem sentir culpa por tão pouco. A gente só tem um tipo de atração que nada tem de fatal, que não prejudica ninguém, e que pouco altera essa rotina de trabalho cansativa, muitas vezes frustrante, de nossas vidas. Daí esses eventuais desvios, pontos fora da curva, que nos levam para um motel. São duas, três horas, às vezes um pouco mais, e pronto. Voltamos ao modo operacional básico. Somos, aliás, normais até demais. Quem nos vê até nos toma por conservadores, pessoas regradas e confiáveis, embora muito bem humoradas. 

Confesso que ainda não me habituei a sentir esse desejo por você, a mais improvável de todas as minhas possíveis escolhas no universo masculino. A sós comigo você é outro, ou melhor, é aquele outro que me apareceu em dia de chuva, feriado, de surpresa lá em casa. Desde então, temos colecionado essas horas extras tão íntimas ao longo das quais você é perfeito nota por nota, como instrumento que jamais desafina. E sei que você nem suspeita disso. Diante de você, sou a que se entrega e sou também esta aqui, que tudo pensa, que tudo lê e que agora escreve, enquanto escuta de longe a outra que goza e que não tem nem vergonha de gritar de prazer, de dar gargalhadas com você. É delicioso sorrir, seja agora, por conta da balinha, seja por conta de todas as outras histórias, secretas, que só têm lugar nesta literatura, subtraídas que são à realidade de nossas vidas.

Volto a olhar para cima e me vejo no espelho como a outra da qual invejo os olhos brilhantes, a pele rosada, a cintura mais fina, as pernas compridas que enroscam você, te chamando para dentro de mim. Porque nosso segundo tempo é sempre garantido, e chega antes mesmo da  prorrogação. — Aliás, como é que você consegue isso tão rápido, hein? — Misteriosos hormônios, estranhos desejos, o paradoxo: de um lado, o amigo querido; de outro, o amante que surge do nada, me beija e me acorda para a existência de um corpo que não depende sequer de mim mesma, autônomo que age mais rápido do que posso pensar. Logo eu: tão abstrata, tão teórica, tão intelecto, tão palavra que se cala quando se torna vontade. Abro a boca para o seu beijo e te saboreio como fruto proibido, sentindo na minha boca o sabor refrescante da bala misturado ao seu. 

Não faz muito, você viajou por alguns dias. No reencontro, me apareceu como visitante em plena tarde. Formalidades. Eu te avisei pra não chegar tão perto de mim. Mas você insistiu. Quis saber a cor da minha calcinha e sua mão ligeira — de onde essa maestria? — escorregou por dentro do meu jeans, enquanto a outra me puxava para o quarto de onde só saímos horas depois direto  para um banho quente, rindo e brincando, como sempre, depois de quase desmontarmos minha velha cama que, por muito pouco, não cedeu.

Dia desses, nem uma hora depois de um dos nossos pegas de escritório — tesão corporativo do intervalo — entrei em uma cafeteria para entregar documentos a um velho amigo. O sujeito me olhou como se me visse pela primeira vez na vida. Não conseguiu dissimular a surpresa. Perguntou o que eu tinha que estava assim tão bonita. Dei de ombros, sorri, falei que andava me sentindo mais espiritualizada ultimamente. Saí dali e voltei para casa, pensando que a vida é generosa quando dela não se espera mais nada. Você é gratuito. Existencial. Nosso desejo é mera contingência. É físico, extravagante, amoral, obsceno, pragmático. Verdadeira raridade, porque nos respeitamos e cuidamos um do outro. Além disso, temos o nosso segredo. E isso é tudo.

                                                                               

 

 

 

                                                                             Por Beatriz Basto

 

 

A importância do olfato na degustação do vinho

Desde que nascemos, aprendemos a ver ouvir, tocar, gostar. Mas nenhuma iniciação parece destinada a melhorar e apurar o nosso olfato. Podemos dizer que este sentido se desenvolve por si mesmo, sem que exercícios o estimulem ou disciplinem. O olfato evolui, pois, de forma diferente, segundo os indivíduos, e daí a variabilidade das sensibilidades e das capacidades de atenção  olfativa entre uma pessoa e outra. O olfato, muito desenvolvido quando nascemos, continua a ser sensível durante a infância.

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Fragmentos

Hotel Lua em meados dos anos 50

Texto produzido em 2006 e reeditado para o novo formato da Revista VidaBrasil

E, no Café Society, enquanto mastigava caramelos de café com leite, assistia a meu pai ingerir sua dosezinha de Jurubeba para forrar o estômago antes da Brahma gelada. Olhava para o outro lado da Avenida e enxergava o espetacular Hotel Lua, para mim, um dos lugares mais importantes da cidade, pois, lá, eu sentia a conexão com o mundo, através dos seus ilustres hóspedes: os viajantes. Lá, também morava Zeca Dantas que, vez por outra, atravessava a avenida e vinha até o Café Society beber cerveja.

Mordi aquele pãozinho dourado, crocante, e viajei de mala e cuia para Euclides da Cunha. Fui parar em um ensolarado fim de tarde sentado ao batente de “O Crediário”,(onde está a letra T) para quem não sabe a primeira loja de eletrodomésticos

da cidade. E olha que, naquele tempo, sequer existia essa expressão. “O Crediário” vendia de tudo. Fogão, geladeira, rádio Zilomag, porta de aço, bateria Heliar e até tratuá que nada mais era do que o piso externo de origem francesa, corruptela de “trottoir”, palavra que, hoje define uma atividade não tão nobre.

Na seta, O Crediário de Jaime Amorim da Silva anos 60

Do outro lado da “imensa avenida”, era assim que eu a enxergava até ali pelos meus 10 anos, estava a padaria de João Costa, o produtor daquela delícia que, até hoje, frequenta a minha memória gustativa. João Costa, além de padeiro, era também, delegado de polícia. Um homem alegre, inteligente e de uma impressionante velocidade de raciocínio. Naquela época, era assim! Os mais importantes cidadãos eram os comerciantes. Era também padeiro, o Raimundo Thomaz, ainda vivo e saudável, aos quase 90 anos e à frente dos seus negócios que dizem ser grandes.

O dono de “O Crediário” era meu pai, Jaime Amorim, que todos os dias, ao final da tarde, ordenava ao Dedé de Tutu ou ao

Jaime Amorim

Chico da Judite “Chico, vai ali ao João Costa e traz seis amanteigados”. Eles eram ajudantes do meu pai. O amanteigado era o pão quentinho feito pelo João Costa e untado com uma generosa quantidade de manteiga “Radiante” que era aplicada ao pão com uma espátula de madeira. O Dedé, hoje, deve ser um homem com cerca de 60 anos e vive em São Paulo. O Chico foi brutalmente assassinado em um dos becos da cidade, com menos de 20 anos de idade. Era um sujeito espirituoso, um piadista nato. Sua morte causou imensa consternação.

 

 

O sol escaldante desaparecia no fim da tarde e, a noite começava no Café Society ou Bar de Zezito como preferiam outros. O Café Society ficava na esquina da “imensa avenida”, a Ruy Barbosa, com a Praça Duque de Caxias, então apelidada de “Praça do Pau de Oliveira Brito”. Quem conhece a história da cidade sabe o porquê do apelido. Quem não conhece não pergunte porque não vou explicar, mas posso garantir que não tem nada de imoral.

Praça Duque de Caxias, então apelidada de Praça do Pau de Oliveira Brito

Foi o Zezito do Belo, ou Zezito do Bar ou Zezito do Alto-falante quem deu esse apelido à praça. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Fundou o primeiro cinema da cidade, o primeiro serviço de alto-falantes, foi proprietário de um dos

Zezito Campos entre a bela Alba Carvalho e o governador Lomanto Júnior

primeiros automóveis e, ainda por cima, em pleno sertão baiano, onde há pouco tempo Lampião passara semeando brutalidade e terror, inaugura um bar cujo nome é Café Society, expressão em voga no Jet Set mundial.

E, no Café Society, enquanto mastigava caramelos de café com leite, assistia a meu pai ingerir sua dosezinha de Jurubeba para forrar o estômago antes da Brahma gelada. Olhava para o outro lado da Avenida e enxergava o espetacular Hotel Lua, para mim, um dos lugares mais importantes da cidade, pois, lá, eu sentia a conexão com o mundo, através dos seus ilustres hóspedes; os viajantes. Lá, também morava Zeca Dantas que, vez por outra, atravessava a avenida e vinha até o Café Society beber cerveja, abrir o sorriso largo e a gargalhada estridente brindando com o não menos ilustre, o sobrinho Nelson Bastos. Zeca Dantas se foi aos quase 100 anos. Também longevo, Nelson, aos 93, ainda passeia espigado pelas manhãs euclidenses.

Em frente ao Night Club, Zé de Zezito, morto precocemente em um acidente de automóvel.

Mas não era só o Hotel Lua que fazia a minha conexão com o mundo. Zezito, também! Com seu automóvel, seu serviço de alto-falantes e seu “Night Club”. Isso mesmo, além do Café Society, ele era dono de um legítimo Night Club em Euclides da Cunha nos anos 60, carinhosamente chamado de “Naiti”. Para completar, fundou o cinema que, em seguida, venderia para Jonas Abreu.

Cine Maria da Graça, o cinema de Jonas.

Jonas Abreu viveu e morreu para o cinema, para a família e para os amigos, não necessariamente nessa ordem. Foi no cinema dele, que assisti a um clássico do cinema mundial, Hiroshima Mon Amour, do cineasta Francês Alain Resnais. Era na casa dele que todos íamos, às tardes de domingo, ouvir, na moderníssima radiola Zilomag, o som de Miguel Aceves Mejia, Bienvenido Granda e os sucessos do momento com a turma da Jovem Guarda

 

 

 

Certo dia, meu amigo Herder Mendonça convidou-me para, na sua casa de espetáculos, o saudoso Rock In Rio-Salvador, assistir a um show de Wanderléa, a musa da Jovem Guarda. Aos 60 anos, exuberante e superprofissional, ela adentrou ao palco para se apresentar a uma plateia de uma centena de pessoas. Por um erro estratégico qualquer, a menor em toda a história da casa. Mesmo assim, cantou como se estivesse se apresentando num estádio lotado. No meio do show, deslocou-se do palco, veio até onde eu estava, tomou-me as mãos e cantamos juntos “Uma vez você falou, que era meu o teu amor…” (trecho da canção Ternura, de Roberto e Erasmo Carlos). Digo cantamos, mas não foi bem isso. Ela cantava e eu chorava lágrimas dedicadas àquelas tardes de domingo que Jonas nos proporcionava.

 

                                                                                                                                                 

                                                                                  Por Celso Mathias

Riva: charme e glamour

 

Mais do que simples embarcações, confortáveis e bem-acabadas, os Riva tornaram-se um símbolo do design e da elegância italiana, baseado no que na época havia de melhor em materiais de construção naval: madeiras de mogno da Costa do Marfim, Gabão e Honduras, motores norte-americanos da Chris-Craft, manômetros de longa durabilidade e vernizes das melhores misturas, é claro! Se lhe perguntarem quais são os melhores do mundo, a resposta só pode ser Riva.

 

O barco das celebridades de todos os tempos. Ter um Riva era um sinal inequívoco de distinção e bom gosto, não espantando, por isso, que o príncipe Rainier de Mônaco se orgulhasse do seu “Les Rochers”, Brigitte Bardot do “Drácula”, Marcello Mastroianni e Shopia Loren do “pomentino”, Porfírio Rubirosa do “L’Abromzato” e a família real da Arábia Saudita do “Crude”.

 

Mais do que simples embarcações, confortáveis e bem-acabadas, os Riva tornaram-se um símbolo do design e da elegância italiana, baseado no que na época havia de melhor em materiais de construção naval: madeiras de mogno da Costa do Marfim, Gabão e Honduras, motores norte-americanos da Chris-Craft, manômetros de longa durabilidade e vernizes das melhores misturas, é claro! Se lhe perguntarem quais são os melhores do mundo, a resposta só pode ser Riva, o barco das celebridades de todos os tempos.

Os anos sessenta marcaram o período áureo dos Riva. De Monte Carlo a Portofino, passando por Saint Tropez e outras estâncias da Riviera ou Côte d’Azur, a elegância passeava nos mais variados modelos. Ter um Riva era um sinal inequívoco de distinção e bom gosto, não espantando, por isso, que o príncipe Rainier de Mônaco se orgulhasse do seu “Les Rochers”, Brigitte Bardot do “Drácula”, Marcello Mastroianni e Shopia Loren do “pomentino”, Porfírio Rubirosa do “L’Abromzato” e a família real da Arábia Saudita do “Crude”.

A esta lista dos mais famosos proprietários Riva podemos ainda a acrescentar Dino de Laurentis, Lamborghini, Jean-Paul Belmondo, Liz Taylor, Kirk Douglas (na foto com a jovem Brigitte), Richard Burton, Sean Connery, Peter Sellers, o xá da Pérsia, o rei Hussen da Jordânia e, mais recentemente, a família Pitangui com um modelo júnior, batizado de “Plástica”.

A fama dos Riva confunde-se com o próprio percurso de Carlo Riva, que, com pouco mais de 14 anos, já seguia atentamente o trabalho de seu pai Serafino, na Cantieri Riva, o modesto estaleiro da família. Aí, começou desenhando modelos de pequenos barcos de corrida, sendo o “Brun-Ella” o mais bem-sucedido em competições oficiais.

 

Quatro anos mais tarde, num conceito estético e técnico mais ambicioso do que aquele que caracterizava o trabalho do pai, desenhou o seu primeiro modelo de dois motores. Mais do que apresentar um barco moderno, começava a revelar-se uma evidente diferença de gerações entre pai e filho, fato que trouxe para a relação entre os dois uma tensão quase permanente.

Serafino apreciava silenciosamente o trabalho de Carlo, mas sempre se mostrou relutante em aceitar os seus planos. Por seu lado, pleno da juventude, apoiado nos conhecimentos adquiridos no Instituto Técnico Industrial de Cremona, e fascinado pelos barcos da americana Chris Craft, Carlo Riva queria mais. Desejava produzir em escala industrial barcos de excelente qualidade e revolucionar um estaleiro familiar sem grandes objetivos e que vivia apenas de entusiasmo e carolice.

 

Determinado, Carlos Riva conseguiu um reconhecimento do famoso criador das armas Beretta, que lhe encomendou um barco com pagamento adiantado. Mais do que uma nova embarcação para caça aos patos no lago de Como, Beretta quis perceber se este pequeno investimento funcionaria como semente de um novo negócio. Porém, o interesse de Beretta não demoveu o seu pai, que se manteve irredutível na sua desconfiança. As relações entre os dois entram então no período mais delicado e, numa noite de janeiro de 1950, Carlo acabou por fazer um ultimato: ou o pai o deixava desenvolver a sua estratégia ou nunca mais contaria com ele. Sem escolha, Serafino cedeu e acordou com Carlo um período de três anos, ao fim do qual teria de estar perfeitamente convencido de que o negócio ia de vento em popa. Caso contrário, teria de devolver-lhe tudo e desistir para sempre dos seus planos. A combinação consumou-se e foi mesmo formalizada no notário. Carlo não só cumpriu os termos do acordo, como lançou mão do planejamento e construção de um novo estaleiro numa zona mais a sul do lago Iseo. A nova Cantieri foi inaugurada com pompa e circunstância pelo presidente da Câmara de Sarnico, em outubro de 1954, e ao fim de quatro anos o nome Riva começou a ser conhecido.

Mas, para poder oferecer ao mercado barcos de alta qualidade, Carlos Riva sabia que havia problemas a ultrapassar. Um deles era a confiabilidade dos motores italianos, cujo desempenho em competição não tinha paralelos em barcos de passeio. Como sabia bem que eram os americanos da Chris-Craft que produziam motores dessa qualidade, rapidamente preparou uma viagem aos EUA, onde tentou obter o exclusivo da marca. Em 1952, na companhia de um tradutor da embaixada italiana, visitou Roy Clark, o diretor de vendas da Chris-Craft na sede da empresa garantindo a exclusividade dos seus motores para a Europa.

 

Com a melhor motorização, Carlo Riva rapidamente projetou a fama dos seus barcos além das margens do lago que o viu nascer. Primeiro, lançou o Scoliattolo, depois o Corsaro – de dois lugares e muito veloz -, Saebino – antigo nome do lago Iseo -, o Ariston, mais tarde o Tritone, o Florida – homenagem ao Estado americano com tradição no sky náutico – Junior, Olimpic e o famosíssimo Aquarama. Começavam, então, os anos dourados dos Riva.

Na crista da onda, Carlo não perdeu tempo e tudo fez para internacionalizar a sua marca. Às feiras de Milão e ao centro de exposições em Roma, sucedeu-se a abertura, em 1964, de um “show-room” em Nova York, mais propriamente no Rockefeller Center, em plena Quinta Avenida. Diante deste estava o famoso clube “21”, na época passagem obrigatória de centenas de celebridades, que passavam as suas noites no coração de Manhattan. Em poucas semanas, os Riva deram-se a conhecer os mais endinheirados compradores e as encomendas dispararam. Independentemente das suas fortunas, Carlo Riva aproveitou para instituir o princípio de que todos os clientes merecem igual atenção, que nenhum barco seria entregue sem o seu pronto pagamento. Como o próprio recorda, “muitas vezes não era fácil dizer a um rei que não poderia tocar no seu barco até o pagamento estar concluído! ”

Na fábrica, a partir do seu escritório panorâmico, Carlo Riva acompanhava ao pormenor todos os passos da linha de montagem. A cada trabalhador, nos seus trajes de trabalho, assim como às ferramentas, depósitos de madeira e de ferragens atribuiu uma cor, o que lhe permitia perceber se alguma “peça” deste “puzzle” estava fora do lugar e se havia algum problema.

O mesmo rigor era aplicado aos fornecedores de componentes. Entre as várias histórias que Carlo Riva ainda hoje confirma, conta-se a do seu cliente Fritzz Lizenhof, o presidente da germânica VDO que produzia instrumentos de navegação para automóveis e aviões. Lizenhof, que comprava Rivas como quem muda de camisa, propôs que fosse a sua fábrica a fornecer os manômetros para os Riva. Carlo Riva torceu o nariz, explicou-lhe que o mar e água salgada eram terríveis adversários e que não o queria perder como cliente. O presidente da VDO insistiu e nos meses seguintes os seus engenheiros fizeram inúmeros testes, mas os instrumentos mostravam-se frágeis. Então, ficou célebre o dia em que Carlo Riva pegou um martelo e, qual controle de qualidade, diante dos técnicos alemães, desfez os instrumentos da VDO em pedaços! Fritz Lizenhof não desanimou e, ao fim de dois anos, os manômetros da sua marca conseguiram resistir ao martelo Riva. Formalmente, em 1964, foram aprovados os protótipos que viriam a equipar os barcos de Sarnico. Na época, Carlo Riva justificava-se: “sejam reis ou industriais, todos os meus clientes são importantes e os meus barcos tem de ser perfeitos. Tudo quanto não seja a perfeição arruinará o meu nome”. Para sublinhar o seu cuidado, comprometia-se a compensar os futuros proprietários em cem dólares por cada dia de atraso na entrega, multa que nunca teve de pagar.

Projeto atual em parceria com a Ferrari

Dobrada a década de sessenta, começou a ganhar forma um dos derradeiros desafios de Carlo Riva: a construção de barcos em fibra. Gerard Kouwenhoven, amigo da família e responsável pelos negócios nos EUA, alertou-o para a autêntica revolução que estava varrendo os construtores norte-americanos. Em poucos anos, os catálogos destas marcas passaram a apresentar exclusivamente modelos em fibra de vidro, alteração que agradava aos novos clientes, pois estes barcos exigiam custos de manutenção mais baixos. Gerard aconselhou Carlo Riva a preparar-se para estes ventos de mudança que, em breve, chegariam à Europa.

A “difícil” decisão foi tomada e os primeiros Riva com peças em fibra ganharam forma em 1969. Esta novidade acabou por gerar polêmica e Guido Prina, o mais bem-sucedido distribuidor de barcos da Itália, referiu-se a Carlo Riva como um “tolo”, afirmando que “a fibra nunca seria bem aceita no país”. Em Genova, na maior feira náutica transalpina, Carlo foi recebido como um traidor do seu próprio negócio. O tempo encarregou-se de mostrar a todos que era o único que estava certo…

A nova forma de construir barcos de recreio, aliada à excitação sindical que desestabilizou a Itália dos anos sessenta, acabou por desgastar Carlo Riva. Paralelamente, iam-se sucedendo as propostas para parcerias ou mesmo de aquisição do Cantieri Riva por parte das marcas internacionais, como a própria Chris-Craft, a Brunswick ou a Whitthaker. Depois de vários meses de namoro, aceitou negociar com a Whitthaker, com quem se comprometeu a manter-se à frente do negócio durante dois anos, para poder acompanhar a total reconversão dos barcos para a fibra. Gerard Kouwenhoven esteve presente nestas negociações, que tiveram lugar num restaurante em Milão, e recorda que “Carlo ainda hesitou. Disse-me, com lágrimas nos olhos, que não conseguiriam vender o negócio da família, aquilo a que se havia dedicado de corpo e alma ao longo da vida”. Porém, às quatro da manhã, o negócio foi fechado. Dois anos mais tarde, em 1971, Carlo Riva optou por afastar-se, sugerindo o nome de Gino Gervasoni para seu sucessor. “Senti que ali nada tinha que ver comigo. ”

Longe do seu negócio de sempre, Carlo Riva dedicou-se à construção da primeira marina italiana, situada em Rapallo, bem perto de Portofino, e que foi batizada com o seu nome. Ao mesmo tempo desenvolveu clínicas de restauração especializadas nos barcos que produziu ao longo de décadas. Com o Porto, Carlo Riva pôde cumprir um sonho antigo e com estaleiros de recuperação de “Rivas” manteve-se junto à grande paixão da sua vida. Carlo Riva deixar à família a herança de, através da restauração, perpetuar no tempo os mais de 3.700 barcos que lançou ao mar. Deixa-lhes, também, o orgulho de ostentarem o sobrenome Riva, que ficará para sempre associado aos mais belos barcos do mundo. A todos deixa-nos um inestimável legado de “glamour”, excelência e bom gosto.

                                                                 Por Celso Mathias

Um juiz

Mas nunca me fugiu da memória a cena daquele juiz apoiado em uma bengala, ereto, a distribuir justiça com serenidade ímpar. Desembargador José Mathias de Almeida Neto, não sei por onde andas. Mas ….

                                                                                                                                                         

Conheci, certa vez, um juiz. Mas bastaria o cargo para definir um ser humano? Não. Diga-se, então, que era daqueles operosos. Mas seria esta qualidade bastante para dizer a que veio? Não. Acrescente-se ter sido magistrado probo. Receberia sua vida, com mais este atributo, um significado final? Não. 

Faltaria algo: um momento supremo conferindo ao seu espírito uma medida de grandeza.

Por um capricho da vida pude testemunhar este momento. Chegou-lhe a velhice. Alcançou-o a doença, com rara agressividade. Sentindo fortes dores, já não conseguia restar sentado – apenas deitado ou de pé.

Eis como este juiz não perdeu uma única sessão do Tribunal de Justiça que integrava: ficava de pé, ao lado do seu assento vazio. As horas se passavam. Seu semblante, carregado de dor. Mas lá estava aquele juiz, impávido, a participar de todos os julgamentos, envergando sua toga com uma dignidade difícil de descrever. Assim foram seus últimos dias. Suas derradeiras horas.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Desembargador José Mathias de Almeida Neto, uma lição de amor à Justiça.                                                                                                                                                                          

 

 

As décadas se passaram. Mas nunca me fugiu da memória a cena daquele juiz apoiado em uma bengala, ereto, a distribuir justiça com serenidade ímpar. Foi o seu momento supremo – e um dos mais belos que jamais testemunhei.

Vou à janela. Contemplo o meu país tão conflituoso. A minha gente tão dividida. Será que não compreende, como aquele juiz, que as coisas da vida passam, e passam muito depressa?

                                                                                             Seus pares o homenagearam dando o seu nome ao Fórum Criminal de Vitória

Lanço um olhar às instituições, tão ricas em títulos e símbolos. E tão distantes do carinho de todo um povo. Uma pena que não percebam, como aquele juiz, que cargos não fazem homens – e sim o inverso.

 

Vejo o desânimo a grassar. Que diferença podemos fazer, afinal? A nos responder a imagem frágil daquele juiz fazendo obstinadamente a sua parte. Cumprindo com o seu dever – mesmo sabendo estar já de partida.

Percebo, finalmente, a falta de fé. Fé nas pessoas. Na virtude. No ideal. Na pureza. Na grandeza. No Brasil, enfim. Talvez nos falte, em verdade, enquanto maioria silenciosa de pessoas de bem e do bem, a firmeza que aquele juiz tão bem representa.

Desembargador José Mathias de Almeida Neto, não sei por onde andas. Mas sei o que estás a fazer: muita falta neste nosso Brasil.

                                                            Por Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa, além de um vastíssimo currículo que não cabe aqui, em 1990, aos 23 anos, assumiu por Concurso Público, o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Muqui/ES. Em 1992 foi promovido a Juiz de Direito da Comarca da Capital. Em 1994, aos 27 anos, foi eleito Desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Programador de computadores, autor de diversos “softwares” dedicados à área jurídica, cedidos gratuitamente a diversos Tribunais do Brasil.

 

NDR-Pedro Valls Feu Rosa ocupa no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, a vaga aberta com a morte aos 64 anos, do Desembargador José Mathias de Almeida Neto, que costumava se referir ao então jovem juiz Pedro Valls Feu Rosa, como o futuro da Magistratura do Brasil.

 

A elegância do gesto

 

 

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância. Ela é um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É mais do que um fraque e uma cartola! É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto…

 

 

…. É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Elegância é dar passagem a pé ou em qualquer veículo, àqueles que precisam passar.

A elegância está nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.

 

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

 

É elegante estender a mão, cumprir horários, dar bom dia, boa trade, Boa noite, até amanhã, um abraço, respeitar as leis de trânsito, não estacionar nos acessos e nem nos espaços destinados a pessoas com necessidades especiais, em frente garagens.

 

É elegante respeitar as filas e ceder o lugar àqueles ou àquelas que têm privilégios legalmente garantidos. É elegante respeitar a lei!

 

É elegante respeitar a lei do silêncio!

É elegante não ficar espaçoso demais!

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Elegância é nem pensar em atirar lixo na rua…

Sobrenome, joias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. Educação enferruja por falta de uso.

Elegante é admirar a nobreza e a ética repudiando àqueles que cultivam a “Lei de Gerson”.

“Lembre-se de que colheremos infalivelmente aquilo que semearmos. Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas. Fique alerta quanto ao momento presente. Plante apenas sementes de sinceridade e de amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade. Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou.”

Elegância é estender sempre a mão ao cumprimento, aos desamparados.

É não ter curiosidade sobre a vida pessoal e os negócios dos seus semelhantes.

Elegante é não ter inveja!

Elegância é principalmente respeitar. Aos mais velhos, aos mais jovens, aos compromissos e especialmente a si mesmo!

Essas regaras caem bem em qualquer lugar do planeta!

 

                                                                     Autor: Celso Mathias