Ela é eterna!

 

A Família Mercadinho Paulista se prepara para entregar à população euclidense, literalmente, uma nova loja no Jeremias. E, para somar ainda mais, Ubirajara Formiga acaba de criar a “Confraria Inconfidentes do Piantella”. Um importante médico da região sonha com, pelo menos, uma temporada na Itália. E, por falar em empreendedorismo, é importante registrar a presença do discretíssimo Valdemário Cabral. Encontrei no FB, essa pérola: reunião de Anatalia e William Riley, com os primos em Chelmsford, Reino Unido. Eterna Mariá!

Solidez – A Família Mercadinho Paulista se prepara para entregar à população euclidense, literalmente, uma nova loja no Jeremias. Trata-se de um novo marco para o grupo, que vem desenvolvendo uma série de investimentos — incluindo a Clínica Semeando e a Academia Life Fit. Na área onde atualmente funciona a loja Jeremias, será criado um parque infantil, além de um restaurante e uma doceria. A proposta é unir conveniência, convivência e bem-estar em um só lugar. Esse é um projeto grande e ambicioso, concebido e comandado por Sandra, Joane e Gillon Dionisio, com visão de longo prazo e compromisso com o desenvolvimento da região. E não é apenas no comércio que o grupo investe: existe também um forte investimento em agropecuária e em imóveis, ampliando ainda mais a solidez e a presença do Mercadinho Paulista.

Quando setembro chegar, a nova loja do Jeremias — com tudo elaborado nos mais altos padrões, por escritórios de arquitetura especializados — certamente vai encher os olhos da clientela e, especialmente, de todos que contribuíram para que o grupo chegasse ao patamar em que está hoje.

Inconfidentes confiáveisMeu grande amigo Ubirajara Formiga, que se divide entre Brasília e a sua amada João Pessoa, agora também se divide entre as longas caminhadas — que às vezes ultrapassam dez quilômetros — e as taças de vinho, bons whiskies e ótimas cachaças. E, para somar ainda mais, acaba de criar a “Confraria Inconfidentes do Piantella”, que já conta com nomes como O jornalista Pedro Rogério, o ex-ministro Henrique Hargreaves, Roberto Macedo, o ex-governador Pimenta da Veiga, entre outros. Já me sinto membro honorário, pelo simples fato de estar um pouco distante do endereço onde acontecem os encontros: última sexta-feira de cada mês, a partir das 13h, no Manuelzinho Restaurante — SHCS CLS 404, Brasília. Cheers!

Montepulciano-Toscana

Ciao!-Um importante médico da região sonha com, pelo menos, uma temporada na Itália. Quem sabe, curtindo o bucolismo das ruas de uma pequena cidade da Toscana, degustando bons vinhos, trabalhando menos e ganhando mais, e dedicando mais tempo à família. Nessa jornada, o desejo é educar os filhos em uma economia estável e com hábitos ainda mais saudáveis.

É ferro – E, por falar em empreendedorismo, é importante registrar a presença do discretíssimo Valdemário Cabral, que atua em diversas cidades da Bahia com a sua Gramid Ferragens. Ele constrói a segunda sede em Euclides da Cunha, onde, tempos atrás, iniciou sua trajetória em espaço alugado, com uma pequena loja na cidade. Agora, após adquirir do antigo locador a área que ocupava — e também as áreas adjacentes —, ele ergue uma obra moderna, utilizando o aço que comercializa e aplicando muito vidro. Um exemplo de bom gosto e de arquitetura avançada.

Novo ano – Encontrei no FB, essa pérola: reunião de Anatalia e William Riley, com os primos em Chelmsford, Reino Unido. O casal, depois de um ano tumultuado, se prepara para nova turnê entre Berlim, Genebra, onde mora a filha Melissa e depois, Sidney para marcar presença em casa da filha Karen. Que o resto de 2026 e o próximo anos, sejam só de saúde e alegrias!

Eterna — Encerrando a coluna, lembro que no dia 15 de agosto de 1971, portanto, há 55 anos, sofri a maior dor que um filho pode enfrentar. Minha mãe, Mariá, tinha apenas 45 anos e ainda deixava filhos pequenos. Ela partiu precocemente.

A noite que envolveu essa perda — e que, como lembrou a querida Raymunda Barbosa, uma das melhores amigas dela em casa de quem eu morava em Salvador, enquanto eu era estudante — foi assim, segundo ela: “Celso, foi uma noite de muita aflição.” Foi mesmo. E, embora detalhes não valham a pena, foi uma noite absolutamente impossível de esquecer. Mas, também parafraseando a Raimunda — é a vida!

Mariá completou o centenário em 1º de janeiro deste ano e foi avó de Ricardo, aos quase 100 anos. Querida e inesquecível, segue viva em todos nós que tivemos o privilégio de conviver com ela.

Os 45 anos, valem por uma eternidade!

                                                                                                           Por Celso Mathias

Laços de Família – Muita coisa que você não sabe sobre esta cidade

Para que a memória da cidade não se perca mais ainda, matéria publicada originalmente em 2 de fevereiro de 2012 – Com Yayá morava a prima Ceci Campos irmã de Belarmino Campos, e de Tidinha, mãe de João e Ismael Abreu. Ceci fora criada junto com as irmãs, Nazinha, Zizinha e Luti. Na medida em que elas foram casando, Ceci que aos quinze anos tivera uma decepção amorosa optou por ir morar com Yayá na Rua dos Ricos. Na foto, da direita para a esquerda, Zizinha, Luti, Yayá, Adelina (irmã de Ceci) e Lourinho, irmão das duas últimas. As crianças, Nonato, Regina, Albertinho e Danuza filha de Zizinha.

Sempre que passo em determinados pontos dessa cidade, minha memória viaja no tempo em direção ao passado. Dia destes olhei para a descaracterizada fachada da bela casa da Rua da Igreja onde hoje, embora lacrada, estão as instalações da loja do Zezé Calço Pé e fui lembrando de momentos em que pude conviver com o glamour daquele recanto. À frente da casa, havia um reles gramado que se estendia em direção da casa da minha madrinha Divina Maia, onde hoje mora seu filho Hildebrando e seguia até perto da antiga Igreja Matriz já, lamentavelmente, demolida. No gramado rolava sempre uma bola de meia. As exceções eram feitas quando de férias, os filhos de Zeca Dantas traziam boas bolas de borracha para um jogo mais animado do qual invariavelmente participava o Hildebrando.

Mas o melhor de tudo não estava no gramado. Estava exatamente na casa da fachada com uma mistura de estilos que lembra o Art Déco. Ali morava o casal Viriato e Rosália pai das duas mais lindas mulheres que a cidade já viu; Virisália (obviamente cruzamento dos nomes do pai e da mãe) e Celeste. Sempre rondando o pedaço, Torrado, personagem rocambolesca que alimentava um amor platônico pela bela Zalinha (Virisália). Ela casou-se com um engenheiro alemão e foi feliz até morrer precocemente no Rio de Janeiro. Torrado morreu de amor e álcool!

Aquela casa fora construída para abrigar o glamour. Foi ali que nasceram os irmãos José, Antonio e Deusdete. As irmãs Lutigard (Luti), Maria Assunção (Yayá), Alzira (Zizinha), e Ana (Nazinha), filhas de Joaquim Alves Campos e Maria Moreira Campos. De todos, continua viva e saudável, apenas a professora Lutigard, a Luti, casada com o bem sucedido comerciante e fazendeiro Raimundo Tomaz de Aquino. São filhos do casal Nonato, Regina, Marlos e Albertinho, bom advogado e bon vivant!

A figura que quero centrar nessas memórias é a de D.Yayá do Correio que ganhou o apelido por ser a agente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em Euclides da Cunha durante algumas dezenas de anos, especialmente na minha pré adolescência.

Eu morava em frente à casa de Yayá onde também funcionava a Agência dos Correios na Rua dos Ricos.

A Rua dos Ricos ocupa a localidade que na primeira metade do século passado era conhecida como Bolandeira. D. Luti, a interlocutora desse passado, comenta com olhar de quem O visita:“Essa terra era toda de minha mãe que a vendeu por um valor simbólico ao então prefeito José Camerino que a comprou para construir a sede da Prefeitura. Ele pagou o equivalente à despesa de três semanas na nossa casa. No início dos anos cinquenta, Raimundo comprou de volta para construirmos essa casa onde estamos até hoje e que foi a terceira da rua. Primeiro foi a Prefeitura, depois a casa do professor Teophilo onde agora mora o médico Aristides Queiroz e a casa de D. Pombinha, hoje existe apenas o terreno que pertence ao Samuel”.

E prossegue emocionada,“Minha mãe, em consequência da fragilidade da saúde de sua avó Amélia, foi mãe de leite do seu tio Zequinha. Nessa pequena cidade, todos temos laços de família. Minha irmã Nazinha, por exemplo, casou com Zé de Apromiano, nosso primo. Já meu pai, era irmão de Apromiano. Somos primos de Renato campos (ex-prefeito) por parte de pai e de mãe. A mãe deles, D. Lili, também era prima do meu marido”.

A casa de D. Yayá tinha muro baixo e um bem cuidado jardim. Uma porta lateral dava acesso à sede dos Correios onde um balcão a separava da clientela. Baixinha, delicada, de pele muito branca e cabelos negros à altura dos ombros, ela atendia a todos com um doce sorriso e sabia exatamente o que e a quem entregar no balcão.

E era uma delícia saborear na língua o gosto da cola do selo que abria a nossa relação com o universo. Sem internet, com um telégrafo precário, sem televisão, a carta era tudo isso junto e muito mais; trazia traços reveladores na caligrafia e às vezes até o perfume de quem a escreveu. Um contraste absoluto com o que transformaram os Correios, que perdeu, além da confiança da população, a identidade de outrora. Hoje nem o usuário nem os próprios funcionários sabem se aquilo é um banco ou uma agência de cartas e encomendas.

Jovem, bonita e bem-sucedida, Yayá teve dois namoricos; com Zuca, pai da prefeita Fátima Nunes e outro com Potámio Batista. Ambos não prosperaram; ela não alimentou a relação.

Com Yayá morava a prima Ceci Campos irmã de Belarmino Campos, e de Tidinha, mãe de João e Ismael Abreu. Ceci fora criada junto com as primas, Yayá, Nazinha, Zizinha e Luti. Na medida em que elas foram casando, Ceci que aos quinze anos tivera uma decepção amorosa optou por ir morar com Yayá que adquirira a casa construída por Santos do DNER na Rua dos Ricos.

Ao contrário da Ceci de José de Alencar, Ceci Campos teve uma vida tranquila. Morava confortavelmente, trabalhava na Cooperativa Agrícola e, ainda por cima, por puro diletantismo, ajudava a prima Yayá no atendimento dos Correios. Quarenta e dois anos depois de ser abandonada, reaparece já viúvo o seu grande amor João Edésio com quem contrai núpcias aos sessenta anos e muda-se para Queimadas com o marido com quem vive até falecer aos oitenta anos.

Yayá morreu em 1997 aos 87 anos de idade, solteira e sem filhos deixando a marca da doçura e do equilíbrio que pautaram a sua existência.

Somos todos órfãos da Rua dos Ricos, onde mesmo os pobres nasciam ricos de esperança, da ausência de preconceitos e com a certeza da igualdade que permeava os nossos corações infantis.

 

                                                                                                      Autor: Celso Mathias

 

A EDIÇÃO ORIGINAL DESSA MATÉRIA EM FEVEREIRO DE 2012 RECEBEU 4.608 ACESSOS E DEZENAS DE COMENTÁRIOS QUE VALEM A PENA SER REVISTOS:

 

 

Os Sapatos do Freddy

 

Em 1978, o músico americano Freddy Cole — irmão caçula do lendário Nat King Cole, dono de uma trajetória brilhante e também intérprete de Jazz e Blues — dividiu o palco com o nosso Roberto Carlos, no Especial de Natal da Rede Globo.

No ano seguinte, em 1979, desembarquei no aeroporto JFK. Ali, me aguardavam o saudoso amigo Hélcio de Antônio André — irmão do Helinho — e, para conhecimento das mais novas gerações, o tio do Ferrari. Estavam com eles a mulher, também saudosa, Patrícia, e o filho Charles, ainda criança. Eles haviam saído de Rochester e percorrido 335 milhas a bordo do Datsun da família apenas para me recepcionar.

Em 1987, a Aoki Corporation, capitaneada por seu Chairman Hiroshi Aoki — conhecido no Ocidente como Jhon Aoki — comprou o The Algonquin Hotel, em Nova York. Logo depois, a empresa conduziu a mais extensa restauração e modernização do edifício, ao longo de 1988 a 1990. Na mesma época, Jhon Aoki e sua esposa Chieko construíram um hotel fazenda nas montanhas capixabas, além de duas belas residências para a família do casal.

Foi por intermédio dessa ligação dos Aoki com o Espírito Santo que iniciei uma parceria com a hotelaria do grupo. Por muito tempo, — especialmente nos anos 90 —, praticamente me dividi entre Vitória (ES) e Nova York, cidade para a qual, imprimi, na minha indústria gráfica, um guia de Manhattan. Nesta, mantive full time no The Algonquin Hotel, na 44th Street, berço da Round Table, criada em 1919, onde um grupo famoso de escritores e críticos como Dorothy Parker e Harold Ross (fundador da The New Yorker) reunia-se e influenciava debates que ecoariam por décadas.

Na 46th Street, rua dos Brasileiros — depois denominada Little Brasil — já funcionava o Restaurante Via Brasil, comandado pelo mineiro boa-praça Luizinho. Um gentleman discreto, sempre impecavelmente vestido, com um elegante colete sob o blazer. O Via Brasil, que hoje está às vésperas de completar meio século, tornou-se ponto de referência em Nova York: não apenas para os brasileiros, mas também para todos os apreciadores da boa cozinha brasileira, sobretudo a feijoada, servida aos sábados. Por lá já passaram celebridades de cá e de lá, inclusive Lisa Minelli — e essa eu conto depois.

O encontro com Freddy

Hoje, quero falar de um encontro inesquecível com nada menos que Freddy Cole — aquele que, em 1978, participou do dueto com Roberto Carlos.

Numa tarde de sábado, deparei com o Freddy bebendo uma caipirinha no balcão do Via Brasil, enquanto aguardava a feijoada. A conversa foi fluindo, e eu percebi que Freddy se encantou com algo em especial: meu sapato de couro de crocodilo. Eram sapatos que eu havia ganhado de presente do meu amigo Wildson Pina, cabeleireiro e empresário de sucesso em Vitória. Foi ali que ele inaugurara uma loja com os calçados do renomado Fernando Pires, sapateiro de estrelas globais.

Brincando, eu disse ao Freddy que ele só não “os” ganharia de presente — porque o meu 41 estava bem longe do 46 que ele pisava.

O show e a frase no camarim

Tempos depois, vejo anunciado, no Restaurante Lareira Portuguesa, em Vitória, um show com o Freddy. Às pressas, encomendei um sapato similar ao meu e, no dia do show, fui ao camarim do artista. Ao adentrar, ele abriu os braços e falou, com aquela alegria que só as pessoas verdadeiras irradiam:

“Oh, the man with the beautiful shoes”.

Freddy Cole, nascido em Chicago, nos deixou aos 88 anos, em 27 de junho de 2020, em Atlanta, Geórgia.

Assisti ao show, comi um bacalhau impecável e guardei, além das memórias, os sapatos — e os tenho até hoje. Que me perdoe o Fernando Pires: os sapatos, são extremamente charmosos, mas, não são lá muito confortáveis!

 

                                                                                                           Por Celso Mathias

A Valise

Não era isso que eu procurava.
Estava na Hemeroteca digital, mergulhada em outro assunto.
Queria outra coisa. Do meu século XX, só que em suas primeiras décadas.
Varria a página do jornal virtual, quando a notícia apareceu.
Pequena. Uma coluna lateral, sem importância nenhuma para quem passasse os olhos por ali rapidamente. Mas eu não passei depressa.
Detive-me.

Valise achada!
Um policial encontrou ante-hontem, á tarde, numa barca da Cantareira, em viagem para esta cidade, uma valise contendo várias peças de roupa branca para senhora, 5 amuletos, 1 baralho de cartomante, 1 caderninho de notas, 1 “pince-nez” com aros de ouro, 1 grampo de tartaruga, grampos pretos, 1 escova de dentes, 1 medalha de prata, 1 atacador, 1 par de meias pretas, 1 nota de 2$000 e 1 cartão de visita pertencente a D. Maria Diniz Bezerra, residente á rua S. José n. 169, no Fonseca. A valise ficou depositada no gabinete do Chefe de agentes, na Policia Central, onde póde ser procurada.

Anoto a referência: O Fluminense. Rio de Janeiro, Nyctheroy, 2 jul 1920, n. 11.356, Anno 43. Releio a notícia. Agora devagar. Aos poucos. Um policial encontrou, anteontem, à tarde, numa barca da Cantareira, em viagem para esta cidade, uma valise contendo várias peças de roupa branca para senhora.
Parei para saborear cada palavra. O policial. Figuro-me o homem surpreso com seu achado. Depois imagino a mala sendo aberta, por certo, já no gabinete da autoridade local.
Roupa branca. Várias peças. E continuei lendo, porque havia mais — havia muito mais dentro daquela pequena valise encontrada na barca que cruzou a Baía de Guanabara em julho de 1920.
Um tesouro. Um achado que prendeu toda minha atenção. Imaginei então 5 amuletos, 1 baralho de cartomante, 1 caderninho de notas, 1 pince-nez com aros de ouro, 1 grampo de tartaruga, grampos pretos, 1 escova de dentes, 1 medalha de prata, 1
atacador, 1 par de meias pretas, 1 nota de 2$000 e 1 cartão de visita pertencente a D. Maria Diniz Bezerra, residente à rua S. José n. 169, no Fonseca.
Esqueci o que eu procurava no jornal. Afinal, encontrei uma valise. Precisava explorá-la, como exploraria um dado da minha pesquisa.
A barca da Cantareira fazia a travessia entre o Rio e Niterói. Em 1920 não havia ponte. Havia a Baía, a barca e gente que ia de uma margem à outra. Havia a dona da mala também.
Mas quem era ela?
O cartão de visita diz D. Maria Diniz Bezerra, Rua São José, 169, Fonseca. Fonseca onde? Procurai e achareis. Bingo: o Fonseca é um bairro de Niterói, confirmei. Explorei: vinte e poucos minutos a pé desde a barca.
Mas o cartão não é necessariamente dela, a dona da valise. Um cartão guardado dentro de uma bolsa pode ser de qualquer pessoa. Pode ser de uma cliente. Pode ser o endereço de onde ela veio ou para onde ela ia. Pode ser nome de alguém que deveria encontrar, ou evitar.
Enfeitiçar?
Como saber?
Quanto mais exploro e olho, menos sei.
Releio o inventário.
Várias peças de roupa branca para senhora. E escova de dentes, e grampos, e meias. Ela ia pousar em algum lugar, ou já havia pousado. A valise estava na volta. Ela vinha de Niterói para o Rio — ou era o contrário? O jornal diz em viagem para esta cidade, e esta cidade que era Niterói. Então ela vinha do Rio.
Ela foi ao Rio trabalhar? Ficou? Dormiu lá? Ou veio para dormir em Niterói, a valise ficou na barca e ela seguiu distraída? Teria vindo a Niterói para ler a sorte da titular do cartão?
Busco respostas no conteúdo da valise.
Cinco amuletos. Não um — cinco. Cada qual com sua função, imagino: proteção, prosperidade, amor, saúde, viagem. Um arsenal. Objetos apotropaicos — linda palavra, apotropaico, que designa objeto que afasta o mal — não afastaram o suficiente. Deixaram-se perder. Ironia silenciosa que o jornal não percebeu. Os cinco amuletos de proteção, esquecidos numa barca, entregues à polícia, listados numa nota de rodapé de O Fluminense.
Ela não parece uma amadora.

E o baralho de cartomante? Em 1920, o Rio ― que João do Rio já havia descrito como um “caldeirão espiritual” ― era um lugar onde o catolicismo das novenas se misturava ao espiritismo, aos terreiros, ao ocultismo europeu que chegava de navio. O baralho encontrado na valise bem poderia ser o de Madame Lenormand. Talvez importado da França, com suas trinta e seis cartas já abrasileiradas pelas mãos e gestos de quem as lia. Ou talvez fosse um daqueles baralhos espanhóis, de naipes latinos, lido à moda popular. Penso que a dona da valise bem poderia ser uma cartomante experiente.
O pince-nez de ouro e o grampo de tartaruga dizem que ela não era uma cartomante de esquina. Grampos pretos. Cabelo comprido. Gosto de imaginar que havia certo requinte nessa mulher. Escova de dentes. Autocuidado.
Mas, e o caderninho de notas? Aqui a curiosidade me tortura. O que havia ali? Receitas? Simpatias? Endereços de clientes? Nomes que não deveriam estar escritos em lugar nenhum? Os segredos de outras pessoas, guardados dentro da valise, cruzando a Baía numa tarde de julho e depois depositados no gabinete do Chefe de agentes, na Polícia Central, onde podiam ser procurados. Por qualquer um.
A medalha de prata. O jornal não diz o santo. Detalhe julgado irrelevante. Nossa Senhora? São Jorge? Algum sincretismo que o repórter de 1920 não soube nomear? Os amuletos e a medalha coexistindo na mesma valise dizem algo sobre um Brasil espiritual cuja fé não escolhia entre o sagrado e o profano, entre o altar e o baralho.
O atacador. Um. Só um cadarço, solto na valise. É o detalhe mais humano de toda a lista. Banal.
A nota de 2$000. Dinheiro de passagem, de emergência. O troco que sobrou. Não era pagamento — era o que restava depois de tudo.
De que serve o amuleto que não protege a si mesmo?
Ela esqueceu a valise.
Deve ter sido a pressa.
Talvez chegando ao cais.
Talvez distraída com algum pensamento que ocupava mais espaço do que a valise.
Ela desembarcou.
A barca seguiu.
E depois ― quando já não havia mais como voltar ― percebeu que havia deixado tudo para trás.
Tudo? Bem, talvez só a roupa branca, amuletos, baralho, caderninho, pince-nez, grampo de tartaruga, grampos e meias pretas, medalha, atacador, dois mil réis e o cartão de D. Maria Diniz Bezerra, única revelação perdida nesse emaranhado de suposições.
As circunstâncias, porém, não foram inventariadas.
Elas desapareceram.
A valise ficou depositada no gabinete do Chefe de agentes, na Polícia Central, onde podia ser procurada.
Ela foi procurar?
Não sei. O jornal não voltou ao assunto.
Se voltou, eu não encontrei.
Salvei o recorte que nada tinha a ver com a minha pesquisa.
Fiz um post no blog em agosto de 2015.
Esqueci de tudo isso até hoje. Tantos anos depois, o algoritmo do blogger me avisou de uma visita àquela postagem.
Reli.

Como quem encontra um bilhete perdido no fundo da memória.
O mistério da lista continua sem resposta.
Eu continuo curiosa.
Quisera decifrar a lista. Desvendar todo o sucedido.
Quisera saber por que eu não consigo deixar de me intrigar com essas banalidades.

                                                                                               Por Maristela Bleggi Tomasini

Amizades & Famílias

Numa tarde de domingo, em meados de 1999, Renato Machado, Péricles Gomes — leia-se Casa do Porto — e eu participamos de uma degustação. Em menos de um ano de operação em Euclides da Cunha – BA, a bandeira do Mineirão Atacarejo deu lugar à do Supermercados BH. Karol fez idade nova e celebrou esse dia com alegria de verdade, daquelas que começam no coração e se espalham entre os presentes. Ao lado do marido. Olé – Neste domingo, Railda e Daniel Sousa Oliveira, ao lado dos filhos Daniel Filho e Luana, recebem amigos — torcedores do esporte nacional — para assistir Espanha x Argentina na final da Copa do Mundo 2026. Emocionado depoimento do amigo Ubirajara Formiga, sobre a posse do filho, Pedro Henrique que inicia, na Câmara dos Deputados, trajetória que ele já cumpriu.

Avaliou mal – Em menos de um ano de operação em Euclides da Cunha – BA, a bandeira do Mineirão Atacarejo deu lugar à do Supermercados BH. A mudança faz parte da fusão e da integração das operações da rede ao grupo mineiro DMA Distribuidora. Ainda assim, o Mineirão cometeu diversos equívocos na cidade baiana. Primeiro, escolheu um local que, naquele momento, não era adequado devido à distância. Depois, posicionou-se diante de um público acostumado com um atendimento mais personalizado, encontrando, em contrapartida, uma equipe pouco próxima e com perfil mais impessoal. Em seguida, deixou de oferecer condições e promoções realmente competitivas para a região. Por fim, não contou com o peso e o prestígio dos concorrentes locais, especialmente do Mercadinho Paulista, organização fundada há mais de trinta anos pelo saudoso empresário João Costa Soares, hoje administrada pela família, que segue ampliando e modernizando suas lojas, fidelizando uma clientela que trata o “Paulista” com carinho — como o “Supermercado da família euclidense’.

Nova idade – Karol fez idade nova e celebrou esse dia com alegria de verdade, daquelas que começam no coração e se espalham entre os presentes. Ao lado do marido, Luiz Mariano, e com a presença carinhosa dos filhos, Neto e Gustavo, ela recebeu amigos para cantar os parabéns — gente que chegou para somar, para brindar e para fazer desse momento uma festa ainda mais especial. Uma reunião marcada pelo afeto e por risadas que preenchem as pausas, histórias que se renovam a cada abraço. E, claro, não faltaram as delícias que dão gosto a qualquer comemoração: doces, bolos e bons vinhos, nessa atmosfera gostosa de convivência em que família e amizade caminham juntas. É isso aí, Karol, quando a gente reúne pessoas queridas, respeita as memórias e celebra o presente, a festa deixa de ser apenas um aniversário e vira um retrato do que há de mais bonito na vida: amor em família e lealdade nas amizades.

RIP Renato – Numa tarde de domingo, em meados de 1999, Renato Machado, Péricles Gomes — leia-se Casa do Porto — e eu participamos de uma degustação de vinhos em algum lugar do Rio de Janeiro; a lembrança exata, infelizmente, me escapa. Daquela experiência, saímos ainda envolvidos no bom clima da conversa avalizada pelo Péricles, dono de um impressionante circuito de amizades e fomos jantar bem cedo no Bistrô Carême, em Botafogo, restaurante recém-inaugurado, comandado pela Chef Flavinha Quaresma, uma grande amiga do Renato. Talvez fosse cedo demais para o horário, porque havia poucas pessoas no salão. E, à mesa ao lado da nossa, estava nada menos do que o compositor Billy Blanco, que, aos 75 anos, com seus bigodes quase à Salvador Dalí, irradiava simpatias — daquelas que acolhem e colocam todo mundo no mesmo ritmo. A conversa, então, tomou conta do jantar e se estendeu por algumas horas, com a participação da renomada Chef Flavinha Quaresma, que deu ainda mais sabor à noite: não apenas com a comida, mas com presença, conhecimento e atenção. Foi um privilégio, daqueles que emprestam brilho às histórias que eu gosto de contar. Renato Machado, brilhante jornalista, figura querida e respeitada, partiu esta semana deixando um rastro de tristeza e, ao mesmo tempo, boas lembranças para todos que tiveram o privilégio de conviver com ele e aprender com seu profissionalismo, bom gosto e savoir-faire. RIP, Renato!

Olé – Neste domingo, Railda e Daniel Sousa Oliveira, ao lado dos filhos Daniel Filho, Luana e Davi, recebem amigos — torcedores do esporte nacional — para assistir Espanha x Argentina na final da Copa do Mundo 2026. É um jogo que, pela história recente do torneio, reacende a conversa sobre o futebol — inclusive sobre o segundo pior desempenho do Brasil em Copas —, mas que, acima de tudo, serve de pretexto para reunir quem a gente quer por perto. No grupo sempre diverso de amizades, é certo que vão aparecer diferentes opiniões e, sim, torcedores de lados contrários. Afinal, quando o assunto é futebol, a rivalidade faz parte do tempero.Mas o que realmente importa nesses encontros é outra coisa: a força da família, a presença das amizades verdadeiras e a alegria de brindar a cada momento — com taças de bons vinhos, conversas boas e aquele clima gostoso de casa cheia. Olé!

Emocionado depoimento do amigo Ubirajara Formiga, sobre a posse do filho, Pedro Henrique que inicia, na Câmara dos Deputados, trajetória que ele já cumpriu. Assino em baixo e compartilho a emoção do amigo!

“Depois de onze anos, hoje voltei à Câmara dos Deputados por uma razão muito especial: assistir à posse do meu filho, Pedro Henrique, como Analista Legislativo daquela Casa, após sua aprovação em um dos concursos mais concorridos do país.

Durante a solenidade, vieram à minha memória as inúmeras vezes em que o levei comigo, ainda menino, geralmente às sextas-feiras, quando o movimento era menor, para acompanhar o meu trabalho na Presidência e na Liderança do PFL. Confesso que a emoção foi intensa e difícil de conter.

Na Câmara dos Deputados passei grande parte da minha vida profissional. Comecei a frequentá-la em 1982, quando passei a atuar como assessor parlamentar de Jarbas Passarinho, então ministro da Previdência Social, e também de Iris Rezende, ministro da Agricultura e Abastecimento.

Em março de 1989, fui convidado pelo meu conterrâneo e amigo, de saudosa memória, Édme Tavares, para integrar sua equipe na 2ª Secretaria da Câmara, onde permaneci até fevereiro de 1991. Naquele mesmo mês, iniciei uma longa e gratificante trajetória ao lado do deputado Inocêncio Oliveira, a quem tive a honra de assessorar até fevereiro de 2015. Acompanhei-o em todas as funções que exerceu na Mesa Diretora da Câmara, da Presidência à 4ª Secretaria, passando também pela Liderança do PFL.

Hoje, ao ver meu filho trilhando os mesmos corredores e iniciando sua própria história na instituição que marcou a minha vida, sinto um misto de orgulho, gratidão e profunda emoção. É como se o tempo fechasse um ciclo, unindo passado, presente e futuro.

Que Deus esteja sempre ao seu lado, meu filho, iluminando seus passos, orientando suas decisões e lhe concedendo sabedoria, humildade e coragem para cumprir, com honra e dignidade, cada missão que lhe for confiada.

Tenho muito orgulho de você. Que esta seja apenas a primeira de muitas conquistas em sua brilhante trajetória”.

 

                                                                                                  Por Celso Mathias

 

Eu e o vinho — “Euvinho”

Aos 27 anos, eu perambulava pelas pequenas vinícolas de Bordeaux, movido pelo prazer, pela aventura e pela descoberta. Portanto, há meio século, eu já me encantara com aquele líquido fantástico, que começava a se revelar aos poucos.

Escrevo estas “mal traçadas” linhas, agora também para as pessoas que não conhecem exatamente minha trajetória na comercialização de vinhos — iniciada há cerca de 25 anos, quando retornei a Salvador. É preciso desmistificar a ideia de que o apreciador de vinho seja uma forma de esnobismo. Isso ocorre, especialmente na região onde hoje vivo.

Depois de ter percorrido tantos caminhos entre vinhos, vinhedos e pessoas importantes do mundo do vinho — e, por alguns instantes, ter estado junto delas — continuo a constatar que dei minha contribuição para que centenas de pessoas se afeiçoassem ao vinho. Fui eu, de uma forma ou de outra, que ajudei o vinho a chegar àquelas mãos.

Sem ser pretencioso, sei que inúmeras pessoas que vejo pelas redes sociais, com uma taça de vinho e um charuto, se inspiraram no trabalho que faço na divulgação dessas culturas.

Vinho é, sim, um caminho para o prazer, com algum refinamento. Mas — e isso é importante — não é, em nenhum momento, exibicionismo. É, quando devidamente apreciado, saúde e prazer.

Não sou o teórico. Nem sou o “enochato”. Aprendi um pouco sobre vinho, bebendo vinho! O vinho é um ser vivo, dinâmico. E, se a gente aprende a beber com ele — junto, do jeito certo — a experiência muda completamente. Nos momentos mais difíceis, aprendi a beber bom vinho com o que dispunha no bolso. No auge, bebi os melhores vinhos do mundo e, algumas vezes, em companhia de donos de adegas muito poderosos e de produtores importantes do planeta.

Nessa trajetória, um dia encontrei em Vitória, Péricles Gomes: um mineiro hoje radicado em São Paulo, onde comanda a Casa do Porto e o Restaurante Refúgio. De certa forma, ele me estimulou a ser, além de apreciador, um comerciante de vinhos. Apesar de estarmos há muito tempo distantes, continua sendo além de amigo: um parceiro importante. Para mim, um dos mais relevantes comerciantes de enogastronomia. Péricles é agregador, apaixonado pela família, pelos amigos e pelo que faz.

 

 

Além dele, tive passagens marcantes com gente importante do mundo do vinho, pelo mundo afora. No final dos anos 80, tive a oportunidade de abraçar, em Oakville, no Napa Valley, o lendário Robert Mondavi. Em Mendoza, hospedado na pousada da Salentein, tive o privilégio de jantar ao lado de uma figura rara: o pouco conhecido empresário holandês Mijndert Pon, fundador das Bodegas Salentein e do império Pon Holdings. No continente europeu, uma tarde inesquecível na Bairrada, acompanhando o Mago Luis Pato e de sua filha Felipa, em um dia de degustação à mesa com o famoso leitão da região. E, em Salvador, recebi o enólogo francês radicado no Chile, Jean Pascal Lacaze — enólogo do Domus Aurea, entre outros.

 

Mais recentemente, na Bahia, tive o prazer de conhecer e me tornar cliente dos extraordinários espumantes de Adolfo Lona, argentino — quase brasileiro —, e, na mesma leva, a honra de conhecer, ao meu ver, um dos mais importantes enólogos da atualidade: o francês Pascal Marty. Leia-se: Chateau Mouton Rotschild, Opus One, Alma Viva e, agora, vinhos fantásticos da sua própria vinícola, no Chile, a Viña Marty.

 

 

Para mim, outra marca importante na relação com o vinho é o Renato Savaris, enólogo e proprietário da Maximo Boschi. Embora, por um capricho do destino, ainda não nos tenhamos encontrado pessoalmente, somos amigos há mais de dez anos. E, dos produtos dele, aqui na Bahia, eu já fiz com que chegassem às mãos de felizes consumidores: mais de 600 caixas. Sim: 600 caixas — 3.600 garrafas — das suas “pérolas” líquidas.

 

O charuto é outro instrumento de prazer que cruzou meu caminho há mais de 50 anos. Tanto ele quanto o vinho, quando usados com moderação e equilíbrio, afastam as verdadeiras “drogas” e trazem, além do prazer, harmonia.

Sim, sou apaixonado pelo vinho e também pelos charutos. Para mim, é um complemento da vida: enxergo a vida pelos cristais das taças, pelas borbulhas dos espumantes e encontro na fumaça dos charutos caminhos mais bonitos para seguir.

Em Cuba, ali no centro de Havana, visitei a Romeo y Julieta. Tentei fazer o mesmo com a Cohiba, mas o acesso é restrito. Recentemente, os caminhos do prazer me levaram ao José Antônio Martins Monteiro, proprietário da JAMM Cigar — marca que

me fez repensar os “Habanos”, especialmente na relação preço/qualidade.

 

Hoje, embora muitos não entendam, eu sou uma espécie de curador: ajudo você a escolher o melhor que pode beber, pelo que quer — e pelo que dispõe — para gastar. O mesmo raciocínio aplico aos charutos.

 

Sim, há cerca de 5 anos, periodicamente, faço sorteios de kits de vinhos. Encontrei nessa prática uma forma de levar bons vinhos não só aos habituais consumidores, como também de abrir esse universo para novos apreciadores.

 

E assim sigo: com gosto, com propósito e com a convicção de que vinho — como qualquer prazer bem acompanhado — começa com conhecimento e termina em alegria.

 

EUVINHO é a minha marca para comercialização de vinhos.

 

Nos links você vai encontrar depoimentos sobre a minha contribuição ao vinho, pelas pessoas citadas nessa matéria.

                                                                                      Por Celso Mathias

Você lembra que Euclides da Cunha tinha?

 

Que saudades das matinês do Cine Maria da Graça! Sim: se você não sabe, esta cidade já teve um cinema — um dos instrumentos de cultura mais importantes do século XX. No domingo à tarde, a rapaziada colocava a melhor roupa para assistir Zorro, Durango Kid e Bill Elliott; e, à noite, eu cheguei a ver verdadeiras pérolas como “Hiroshima, Mon Amour”, de Alain Resnais. Eram sessões que não só entretinham: também formavam o olhar, a conversa e o imaginário da juventude.

E Euclides da Cunha não se limitava às telas. A cidade também já teve festas de São João memoráveis, com as casas familiares lotadas de parentes que vinham da capital. Era encontro de gente, de história e de alegria — com sanfoneiros regionais animando as noites, e com “feras” da cultura nordestina como Pedro Sertanejo, Oswaldinho e Dominguinhos. Havia música, mas também havia respeito, tradição e aquele senso de comunidade que hoje parece mais raro.

Depois, vinha o conforto de um Hotel Conselheiro que oferecia suítes agradáveis para receber viajantes ilustres — e, em certos momentos, até artistas globais. Tinha piscina e um pátio romântico, num clima de acolhimento que combinava com a hospitalidade da cidade.

E não dá para esquecer que Euclides da Cunha também teve o “pé no chão” de uma cidade que gerava movimento: já teve até matadouro municipal, onde criadores locais e de municípios vizinhos vinham abater suas criações. Isso fortalecia a economia, criava renda e movimentava a cadeia produtiva da região.

A cultura e o saber também tinham espaço: a cidade já contou com uma Biblioteca Pública em um casarão histórico, na praça mais antiga, que é referência por abrigar a Igreja Matriz. Era um tipo de lugar que guardava memória — e incentivava estudo, leitura e consciência do mundo.

Havia ainda o lado do convívio social, com um clube social (hoje abandonado) que reunia as principais famílias em encontros e festas, com bandas e cantores conhecidos nacionalmente. Ao mesmo tempo, a AABB — sede bem montada, do clube dos funcionários do Banco do Brasil — era frequentada por sócios e famílias da região, funcionando como mais um espaço de sociabilidade e lazer.

Para completar o circuito do dia a dia, Euclides da Cunha já teve uma banca de revistas que também funcionava como livraria, reunindo pessoas mais cultas e bem informadas — um verdadeiro termômetro intelectual da cidade.

E até na mobilidade, a cidade tinha estrutura: foi palco de pista de pouso municipal, asfaltada, com cerca de 1.500 metros. Por ali já pousaram várias vezes, com segurança, jatos de médio porte. Sem exagero, poderia ter sido transformada em aeroporto regional, com voos regulares para a capital.

No cotidiano urbano, as calçadas largas em avenidas principais permitiam a circulação com tranquilidade, sem esbarrar em mesas, cadeiras, móveis e ambulantes das mais diversas atividades — sinais de uma cidade que soube organizar fluxo e vida.

Por fim, a cidade já teve Centro de Cultura e também um Centro de Abastecimento que funcionava, garantindo sustento e dinâmica.

No fim das contas, Euclides da Cunha já foi — e, em muitos aspectos, ainda é — uma cidade acolhedora, com comércio forte, uma espécie de Feira de Santana da região, que atraía pessoas, criava oportunidades e dava identidade ao lugar. Essas lembranças não são apenas saudade: são prova de que a cidade já teve grandeza em forma de cultura, organização e gente.

Se você lembrar de mais alguma coisa que essa cidade já perdeu, comente aqui!

 

                                                                                                   Por Celso Mathias

E viva São João!

Aída e José Bastos, amigos de infância, sempre animados, curtem o São João.  Quem pousou em São Paulo na semana passada foi o euclidense Fábio Bastos. Ele cultiva e estreita amizade com Antônio Augusto do Amaral Carvalho, o Tutinha. Karol, Luiz e Mariano Neto estão curtindo merecidas miniférias, entre Buenos Aires e Bariloche. Essa é Ana Paula em uma noite de festa. No dia a dia, ela é conhecida como Paulinha do Mercadinho Paulista. Nem sempre acontece, mas dia desses recebemos novamente o cidadão Henrique Lobo, uma verdadeira fera em climatologia. Armindo Albuquerque. Ele não aparece por acaso: chega trazendo boa luz para o ambiente, no modo de falar e no jeito de pensar. E, para completar o “pacote”, ao constatar que me hospedei no melhor hotel da cidade — o San Marino — tive o prazer de conhecer seu proprietário, José Mauro: uma figura ímpar.

Imbassaí – Aída e José Bastos, amigos de infância, sempre animados, curtem o São João entre o elegante apartamento no Parque da Cidade, em Salvador, e a residência de praia do casal, no balneário de Imbassaí.

Rumo ao topo – Quem pousou em São Paulo na semana passada foi o euclidense Fábio Bastos. Ele cultiva e estreita amizade com Antônio Augusto do Amaral Carvalho, o Tutinha, presidente do Conselho do Grupo Jovem Pan. Ontem, Tutinha recebeu do município de São Paulo a Medalha Anchieta, entregue em conjunto com o Diploma de Gratidão, concedidos a pessoas físicas nascidas na cidade por ações e trabalhos prestados em prol dos cidadãos paulistanos. Esse reconhecimento é para quem vai além das funções primárias e tem o propósito de contribuir de forma significativa para o avanço da cidade. Fábio, Juiz de Direito da Capital, é um dos nomes mais importantes da Magistratura baiana e tem uma trajetória sólida rumo ao topo da carreira — em qualquer uma de suas esferas!

Cheers – Karol, Luiz e Mariano Neto estão curtindo merecidas miniférias, entre Buenos Aires e Bariloche. E, como a sorte sempre soube em que porta bater, em um sorteio surpresa realizado em um restaurante top da cidade, o casal foi contemplado com uma caixa de Ángelica Zapata. Sorte é para quem merece! Cheers!

The Best – Essa é Ana Paula em uma noite de festa. No dia a dia, ela é conhecida como Paulinha do Mercadinho Paulista. Ana Paula é o rosto de muitos outros colaboradores que atuam nas lojas criadas pelo saudoso João Costa Soares, e que são muito bem administradas pela família, responsável por expandir seus negócios para diversos outros segmentos. Não apenas a Paulinha, mas também os demais atendentes que circulam pelas lojas — pessoas que conhecem com profundidade o que fazem — se destacam no atendimento. Basta observar: quando um cliente procura informações sobre o produto que costuma adquirir, alguém se aproxima, escuta o diálogo e, com educação, pede licença para ajudar, esclarecendo: “Olha, o produto que o senhor costuma levar é esse aqui.” São atitudes como essa que transformam o local e fazem dele uma referência, entre as preferências de grande parte dos consumidores da região.

Henrique Lobo em casa – Nem sempre acontece, mas dia desses recebemos novamente o cidadão Henrique Lobo, uma verdadeira fera em climatologia. Mais do que isso: um ser humano de excelente qualidade, com a maior simplicidade e portador de uma energia muito especial. Conversamos sobre o mundo, que ele conhece tão bem, e também sobre nossas famílias — interligadas pela amizade fraterna que temos com Péricles Gomes, seu cunhado, e com Beatriz, sua irmã. Antes do jantar, como de praxe, fizemos uma oração. Henrique é conhecido mundialmente por seus estudos sobre rios em mais de 50 países. Ele tem amplo conhecimento da bacia do Rio Doce — um dos pilares do seu trabalho — mas também consegue discorrer, com naturalidade e profundidade, sobre qualquer fenômeno climático em qualquer lugar do planeta. Uma bênção!

Wine Music Brasil 2026 – Muitas amizades começam na infância e, com o tempo, viram um reencontro raro — daqueles que só a gente encontra de verdade depois dos 50, 60, 70 anos. É como se o relógio do cotidiano desacelerasse, mas a memória continuasse viva, pronta para puxar de volta quem fez parte da nossa história. Outras “amizades de infância” só nascem depois dos 70. Uma dessas é Armindo Albuquerque. Ele não aparece por acaso: chega trazendo boa luz para o ambiente, no modo de falar e no jeito de pensar. Armindo tem sempre a palavra certa, com naturalidade — e, junto disso, um traço marcante: bom gosto e sofisticação. Qualidades que não se anunciam, mas se percebem. Armindo, ao lado de Pascal Marty, Marcelo Magalhães, Adolfo Lona, do Alfredo e da Fátima, com suas fantásticas adegas, e de Péricles Gomes, elo entre todos nós, além de Claude Troisgos — um dos participantes marcantes da Wine Music Brasil de 2025 —, forma parte desse círculo especial. E Claude, por enquanto, virou a chave: vai curtir uma viagem de dois meses, sozinho, pilotando sua potente moto da França até a Turquia, encarando a rotina com mais leveza, atitude e liberdade — do jeito que gente boa faz: reinventando-se sem perder a essência.

Pois, com fé em Deus, vamos nos reencontrar em agosto, no Palacete Tira-Chapéu, para mais uma edição da Wine Music Brasil. Vamos lá?

Quero voltar lá! – Esse trecho da música de Luiz Gonzaga e seu eterno parceiro Zé Dantas — “Delmiro deu a ideia / Apolônio aproveitou / Getúlio fez o decreto / e Dutra realizou…” — era a única lembrança que eu tinha de Paulo Afonso, que visitei há 70 anos.

Semana passada, por conta de compromissos profissionais, fiz uma rápida visita e colhi do lugar as melhores impressões. Contrariando o padrão da grande maioria das cidades da região, Paulo Afonso é uma cidade limpa e bem organizada, com vias públicas largas, trânsito fluindo bem e pessoas muito gentis. Sinceramente, me senti como se estivesse em outra civilização.

E, para completar o “pacote”, ao constatar que me hospedei no melhor hotel da cidade — o San Marino — tive o prazer de conhecer seu proprietário, José Mauro: uma figura ímpar, conhecida e respeitada em Paulo Afonso. Empresário de sucesso, ele presenteou a cidade com um hotel que vale mais do que as estrelas que carrega e que, aliás, recebeu a alcunha de “Hotel das Estrelas”. Isso porque, com frequência, artistas globais e músicos dos mais variados gêneros escolhem a casa como hospedagem. Quero voltar lá!

                                                                                      Por Celso Mathias

 

 

 

Novos ares!

 

 

O mês de abril foi marcado por uma celebração especial: a Sandra Soares, comandante do grupo Mercadinho Paulista e atuante em diversas frentes empresariais, comemorou idade nova cercada de carinho e afeto. No último dia 04 de maio, o empresário Ivo Barbosa literalmente entregou as chaves das 72 lojas Bel Cosméticos ao fundo L Catterton. Coração dividido entre Brasília e Jampa, Renata e Ubirajara Formiga, ao lado do casal amigo, Nadja e Rui César Leitão. Na Dinamarca, meu globetrotter predileto, Luis Henrique Costa. A foto, que tomei emprestada do Instagram, foi feita para homenagear um amigo que não encontro há cerca de 50 anos: Clineu Capelossi. Valter Menezes Oliveira e sua Denise estão em São Paulo curtindo uma idade nova para ele.

Sandra – O mês de abril foi marcado por uma celebração especial: a Sandra Soares, comandante do grupo Mercadinho Paulista e atuante em diversas frentes empresariais, comemorou idade nova cercada de carinho e afeto. Na ocasião, reuniram-se familiares e amigos na vivenda da família, onde foi preparado um jantar na agradável área de lazer da casa. Entre conversas, risadas e bons momentos compartilhados, a noite ganhou ainda mais brilho, deixando claro o quanto Sandra é querida por todos.

Foi uma celebração à altura da aniversariante — cheia de união, gratidão e amor.

Celso Moraes e Ivo Barbosa

Novos ares – No último dia 04 de maio, o empresário Ivo Barbosa literalmente entregou as chaves das 72 lojas Bel Cosméticos ao fundo L Catterton.

Dono de ampla experiência global em investimentos no setor de beleza e cuidados pessoais, com mais de 30 investimentos atuais e anteriores — incluindo KIKO Milano, Oddity (controladora da IL MAKIAGE), The Honest Company, Elemis, Maria Nila, TULA, Merit, Nutrafol e Intercos, entre outras — o L Catterton deu um novo passo no fortalecimento do mercado de multimarcas.

Após meses de negociações, o L Catterton anunciou a fusão das lojas Bel Cosméticos com a rede Mundo do Cabeleireiro, que conta com 50 lojas, criando a maior plataforma multimarcas especializada em beleza do Brasil: serão mais de 130 lojas distribuídas pelos principais estados do país.

Com a fusão, Ivo Barbosa e Marina Moraes — cofundadora do Mundo do Cabeleireiro — integrarão o Conselho de Administração, enquanto Celso Moraes, também do Mundo dos Cosméticos, assumirá como CEO do grupo.

Ivo Barbosa, que por mais de 30 anos conduziu a rede com inspiração e dedicação — que começou como Bel Center, depois se tornou Bel Salvador e, por fim, Bel Cosméticos — merece e deve reduzir substancialmente as atividades operacionais.

Parabéns e boa sorte a todos no novo negócio!

 

Imortais – Coração dividido entre Brasília e Jampa, Renata e Ubirajara Formiga, ao lado do casal amigo, Nadja e Rui César Leitão, curem muito à vontade uma manhã ensolarada da agradável capital da Paraíba, hoje considerada uma das capitais mais aprazíveis do país. Nadja e Rui, são Imortais da Academia Paraibana de Letras!

É preciso saber viver – Na Dinamarca, meu globetrotter predileto, Luis Henrique Costa, fotografado pela amada Ana Carolina Tinelli, degusta um tinto, em um novo circuito que inclui a Dinamarca, fundo para essa foto. É preciso saber viver!

C’est top – A foto, que tomei emprestada do Instagram, foi feita para homenagear um amigo que não encontro há cerca de 50 anos. À esquerda, entre parceiros da sua atividade comercial, está Clineu Capelossi — amigo que ganhei no Alto de Pinheiros, irmão da querida e saudosa Claudia, e de uma família de empreendedores com a qual tive a oportunidade de conviver.

A imagem foi registrada em Genebra, durante a Watches and Wonders 2026. O evento trouxe resultado altamente positivo e excelentes conquistas, reforçando ainda mais seu papel como um grande agente cultural e verdadeiro emblema do ecossistema relojoeiro.

Se ainda mantém o timing, Clineu deve ter unido útil ao agradável, transitando pelo Montreux Jazz Club, C’est top!

Especiais – Valter Menezes Oliveira e sua Denise estão em São Paulo curtindo uma idade nova para ele. Na Casa do Porto e no Restaurante Refúgio, foram recebidos pelo Péricles, figura impagável e indispensável para quem quer desfrutar de bons vinhos e apreciar uma culinária excepcional. A mesa foi completada com a presença de sua sobrinha Fernanda e do respectivo marido Gabriel — um grupo de pessoas de altíssima qualidade, que fez do encontro um momento ainda mais especial.

 

                                                                                     Por Celso Mathias

 

 

 

Você sabe mesmo fumar charutos?

 

 

Derivado da palavra Tâmil “curuttu”, enrolar em espiral, que deu origem também à palavra “cheroot” em inglês e “cheroute” em francês, a palavra pode ter chegado à Europa com os navegadores portugueses. Aqui algumas dicas para quem aprecia o sofisticado hábito de dar baforadas em “Habanos” ou nos legítimos “Baianos” que nada devem aos primeiros e permitem que não só milionários possam fuma-los. Conheça os principais formatos, medidas e tire dele o melhor proveito e porque não; a melhor fumaça.

 

1 – Você que está começando, procure manter um registro dos charutos que experimentou anotando sua opinião sobre cada um deles. O registro o ajudará a lembrar-se das suas aventuras.

2 – Nunca deixe o seu charuto apagado por mais de meia hora. O alcatrão e a nicotina acumulados na ponta o deixam amargo quando novamente aceso. Só acenda um charuto quando tiver tempo suficiente, pelo menos 45 minutos, para saboreá-lo do começo ao fim. 

3 – Nunca masque ou morda a ponta de um charuto. Segure-o na mão ou apoie no cinzeiro. O ato de fumar estimula a salivação. Assim, se você deixar o charuto na boca, ele ficará molhado, entupindo o furo e prejudicando a puxada.

4 – Se você é um principiante e, não importa preço ou marca, nunca compre muitos charutos de uma só vez, pois suas preferências podem variar à medida que for aprendendo mais sobre o assunto.

5 – Se espera encontrar uma fonte confiável e consistente de charutos de qualidade – um lugar que lhe dará prioridade quando os charutos que você deseja chegarem – estabeleça um bom relacionamento com uma tabacaria e torne-se um cliente fiel.

 

6 – Bebidas e charutos combinam, por isso, alguns bares e restaurantes oferecem o produto para venda. Além disso, apesar das restrições, permitem que você leve o seu para fumar, sem cobrar por isso, diferentemente do que ocorre com as bebidas, em que é cobrada uma taxa de “rolha” caso você leve a sua garrafa.

 

7 – É muito importante, muito difícil e extremamente dispendioso classificar charutos pela consistência que apresentam de caixa para caixa. Entretanto, a capacidade que um fabricante tem de produzir grandes charutos ao longo do tempo é primordial para a classificação da marca. Os iniciantes devem se concentrar nos charutos avulsos, mas não hesitar em analisar outro exemplar da mesma marca e formato em uma ocasião posterior comparando-o.

As diversas bitolas. Uma questão de gosto e/ou aparência.

                                                                                                      Por Celso Mathias