Eu e o vinho — “Euvinho”

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Aos 27 anos, eu perambulava pelas pequenas vinícolas de Bordeaux, movido pelo prazer, pela aventura e pela descoberta. Portanto, há meio século, eu já me encantara com aquele líquido fantástico, que começava a se revelar aos poucos.

Escrevo estas “mal traçadas” linhas, agora também para as pessoas que não conhecem exatamente minha trajetória na comercialização de vinhos — iniciada há cerca de 25 anos, quando retornei a Salvador. É preciso desmistificar a ideia de que o apreciador de vinho seja uma forma de esnobismo. Isso ocorre, especialmente na região onde hoje vivo.

Depois de ter percorrido tantos caminhos entre vinhos, vinhedos e pessoas importantes do mundo do vinho — e, por alguns instantes, ter estado junto delas — continuo a constatar que dei minha contribuição para que centenas de pessoas se afeiçoassem ao vinho. Fui eu, de uma forma ou de outra, que ajudei o vinho a chegar àquelas mãos.

Sem ser pretencioso, sei que inúmeras pessoas que vejo pelas redes sociais, com uma taça de vinho e um charuto, se inspiraram no trabalho que faço na divulgação dessas culturas.

Vinho é, sim, um caminho para o prazer, com algum refinamento. Mas — e isso é importante — não é, em nenhum momento, exibicionismo. É, quando devidamente apreciado, saúde e prazer.

Não sou o teórico. Nem sou o “enochato”. Aprendi um pouco sobre vinho, bebendo vinho! O vinho é um ser vivo, dinâmico. E, se a gente aprende a beber com ele — junto, do jeito certo — a experiência muda completamente. Nos momentos mais difíceis, aprendi a beber bom vinho com o que dispunha no bolso. No auge, bebi os melhores vinhos do mundo e, algumas vezes, em companhia de donos de adegas muito poderosos e de produtores importantes do planeta.

Nessa trajetória, um dia encontrei em Vitória, Péricles Gomes: um mineiro hoje radicado em São Paulo, onde comanda a Casa do Porto e o Restaurante Refúgio. De certa forma, ele me estimulou a ser, além de apreciador, um comerciante de vinhos. Apesar de estarmos há muito tempo distantes, continua sendo além de amigo: um parceiro importante. Para mim, um dos mais relevantes comerciantes de enogastronomia. Péricles é agregador, apaixonado pela família, pelos amigos e pelo que faz.

 

 

Além dele, tive passagens marcantes com gente importante do mundo do vinho, pelo mundo afora. No final dos anos 80, tive a oportunidade de abraçar, em Oakville, no Napa Valley, o lendário Robert Mondavi. Em Mendoza, hospedado na pousada da Salentein, tive o privilégio de jantar ao lado de uma figura rara: o pouco conhecido empresário holandês Mijndert Pon, fundador das Bodegas Salentein e do império Pon Holdings. No continente europeu, uma tarde inesquecível na Bairrada, acompanhando o Mago Luis Pato e de sua filha Felipa, em um dia de degustação à mesa com o famoso leitão da região. E, em Salvador, recebi o enólogo francês radicado no Chile, Jean Pascal Lacaze — enólogo do Domus Aurea, entre outros.

 

Mais recentemente, na Bahia, tive o prazer de conhecer e me tornar cliente dos extraordinários espumantes de Adolfo Lona, argentino — quase brasileiro —, e, na mesma leva, a honra de conhecer, ao meu ver, um dos mais importantes enólogos da atualidade: o francês Pascal Marty. Leia-se: Chateau Mouton Rotschild, Opus One, Alma Viva e, agora, vinhos fantásticos da sua própria vinícola, no Chile, a Viña Marty.

 

 

Para mim, outra marca importante na relação com o vinho é o Renato Savaris, enólogo e proprietário da Maximo Boschi. Embora, por um capricho do destino, ainda não nos tenhamos encontrado pessoalmente, somos amigos há mais de dez anos. E, dos produtos dele, aqui na Bahia, eu já fiz com que chegassem às mãos de felizes consumidores: mais de 600 caixas. Sim: 600 caixas — 3.600 garrafas — das suas “pérolas” líquidas.

 

O charuto é outro instrumento de prazer que cruzou meu caminho há mais de 50 anos. Tanto ele quanto o vinho, quando usados com moderação e equilíbrio, afastam as verdadeiras “drogas” e trazem, além do prazer, harmonia.

Sim, sou apaixonado pelo vinho e também pelos charutos. Para mim, é um complemento da vida: enxergo a vida pelos cristais das taças, pelas borbulhas dos espumantes e encontro na fumaça dos charutos caminhos mais bonitos para seguir.

Em Cuba, ali no centro de Havana, visitei a Romeo y Julieta. Tentei fazer o mesmo com a Cohiba, mas o acesso é restrito. Recentemente, os caminhos do prazer me levaram ao José Antônio Martins Monteiro, proprietário da JAMM Cigar — marca que

me fez repensar os “Habanos”, especialmente na relação preço/qualidade.

 

Hoje, embora muitos não entendam, eu sou uma espécie de curador: ajudo você a escolher o melhor que pode beber, pelo que quer — e pelo que dispõe — para gastar. O mesmo raciocínio aplico aos charutos.

 

Sim, há cerca de 5 anos, periodicamente, faço sorteios de kits de vinhos. Encontrei nessa prática uma forma de levar bons vinhos não só aos habituais consumidores, como também de abrir esse universo para novos apreciadores.

 

E assim sigo: com gosto, com propósito e com a convicção de que vinho — como qualquer prazer bem acompanhado — começa com conhecimento e termina em alegria.

 

EUVINHO é a minha marca para comercialização de vinhos.

 

Nos links você vai encontrar depoimentos sobre a minha contribuição ao vinho, pelas pessoas citadas nessa matéria.

                                                                                      Por Celso Mathias

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