Apolo

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No final dos anos 80, o empresário capixaba Apolo Jorge Rizk, já consolidara o negócio iniciado com o pai, Nagib Rizk, a Concessionária Ford Contauto e, com pouco mais de 40 anos, atuava em diversas frentes, como agropecuária, Concessionária Honda, Ford Caminhões e consórcios. No início dos anos 90, com a liberação da importação de veículos, foi um dos pioneiros com as marcas Suzuki, Peugeot e Subaru e entrava no rol de empresários top do país. Cortava os céus do brasil em um Learjet 35, além de dois aviões a pistão, dimensionados para as pistas das suas fazendas.

Ainda muito jovem, casou com uma jovem da família Helal. O casamento durou muito pouco, mas o relacionamento entre as duas famílias permaneceu sem arranhões. Com a segunda esposa, a médica baiana, Fátima Figueiredo, teve os filhos Apolo e Gabriel Chalouri Figueiredo Rizk.

Através do saudoso publicitário Antônio Barros, baiano de Santa Bárbara, me aproximei de Apolo Rizk, aparentemente um homem muito rígido e sisudo. Descobri então, se tratar de alguém que transbordava simpatia e bom humor ente seus familiares, colaboradores e amigos.

Juntos, contamos muitas histórias nos almoços de sexta-feira no Restaurante Taurus, onde a marca do “Turco”, era retirar o relógio do pulso ao sentar à mesa. E aí, o almoço se estendia até o final da tarde. Nos voos bate/volta para São Paulo a fim de tratar de negócios, mas onde sempre sobrava espaço para um bom almoço e em muitas outras oportunidades, mais no meu, do que no escritório dele.

Voluntarioso, mesmo trabalhando muito, sempre sobrava espaço para aconselhar um amigo e até presentear com algum mimo para descontrair. Entre outros, guardo até hoje, esse apoio de livros que ele me presenteou em um dessas ocasiões. Unindo o útil ao agradável, sempre comprava os presentes na Loja de Decoração de D. Rute, a mãe dele.

Em 1993, uma quase tragédia, que acompanhei de perto, marcou para sempre o destino da família Rizk. O filho caçula, Gabriel Chalouri Figueiredo Rizk, foi retirado dos braços da mãe e sequestrado por profissionais que não deixaram rastro. Acompanhei de perto o episódio que custou uma grande quantidade de dólares, recolhidos às pressas entre vizinhos e amigos da elegante Ilha do Frade, onde vivia a família. Louco pelos filhos, os que acompanharam de perto o episódio tiveram a oportunidade de ver o desespero de um pai e certos aspectos que envolvem terceiros e quem sabe um dia, o grande negociador para o final feliz, Cel. Luiz Sérgio Aurich, possa contar!

A partir desse episódio, Apolo transferiu a família para Boca Raton, na Florida e passou a se dividir entre a mansão da Ilha do Frade e do lugar que escolhera para que os filhos vivessem com mais segurança e recebessem melhor educação.

Na virada do ano 1998/1999, marcamos um encontro em Londres. Eu, partindo de Paris, onde me encontrava, ele, Fátima, Apolinho e Gabriel, partindo de Orlando. Sempre discreto, me falou sobre a felicidade de viver incógnito em Boca, onde comprar uma Mercedes 600SL de 12 cilindros e podia passear com a família sem ser notado. Em Londres, nos hospedamos no London Hyde Park Hotel e ele alugou uma Mercedes Limusine de época com motorista e tudo mais, fazendo para mim uma recomendação: aqui, somos amigos e você não é jornalista. Câmara fotográfica está terminantemente proibida.

Naquela cidade, visitamos lojas de departamentos, rimos muito e Apolo parecia uma criança provocando sustos sob o fog londrino. À noite, reservou um belo restaurante para jantarmos, mas antes, em um local onde haviam grades de proteção muito altas, a baiana Fátima Figueiredo, em ritual de agradecimento, esforçou-se para atirar flores ao Tâmisa, despertando a curiosidade de policiais que por ali passavam e muitos risos no então marido.

Tempos depois, ele e Fátima se separaram. Com ela, continuaram os filhos que nos Estados Unidos foram educados e preparados para a vida. Muitas vezes, conversava comigo sobre o desenvolvimento dos dois, das excelências de Gabriel e da veia musical de Apolinho. Mantivemos proximidade e amizade fraternal, até 2001 quando deixei o Espirito Santo e por opção me isolei, mas nunca deixei de acompanhar a trajetória brilhante do grande cidadão e empresário. Já sabia que ele estava doente, e que há tempos, os dois filhos tinham voltado a morar em Vitória e dar seguimento às atividades do pai. Ontem, Apolinho e Gabriel ficaram órfãos. Apolo lhes deixou, muito além dos bens materiais, uma história de honradez, empreendedorismo e caráter. Descanse em paz, amigo velho!

 

 

 

 

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