Mr. Vegas: o Ciro que eu conheci

Lendo a Revista VidaBrasil com a gerente internacional do Le Bristol de Paris, Gabrielle Hirn

 

Há dois anos, na data de hoje, perdíamos o empresário Ciro Batelli. Eu, perdi um amigo! E, pelas circunstâncias que Ciro nos deixou, fiquei esses dois anos imaginando que recado deixar para a família Batelli e para outros

inúmeros amigos, que como eu, apesar dos 85 anos de ele tinha, a morte foi uma surpresa. Ciro era um homem do mundo, um cidadão do mundo, mas com o temperamento e a postura da gente boa de Ribeirão Preto, onde nasceu e chegou a exercer a advocacia, profissão que abraçara na juventude. Versátil, foi além de advogado, produtor de fotonovelas, empresário da noite em São Paulo, até que a força do destino o levou para a direção do Caesars Atlantic City, onde o conheci por volta de 1985, durante show de Roberto Carlos.

Em Atlantic City, Ciro fez o inimaginável. Multiplicou as receitas do Casino, divulgou a atividade na Europa e no Oriente Médio, ali, transformou-se na maior autoridade do mundo, naquele ramo e também, uma grande autoridade em gente, no ser humano. Dali, para a vice-presidência da rede de hotéis-cassino Caesar Palace, em Las Vegas, foi um pulo, levando ao lugar uma leva de brasileiros para conhecer, curtir e gastar na cidade, o que lhe valeu o apelido de Mr. Vegas.

Com o ator Tony Curtis, amigo e vizinho em Las Vegas

O Ciro era um vetor de amizades. Conseguia transformar seus amigos em amigos entre si. Se relacionava com os garçons, crupiês, gerentes e pessoal da limpeza, da mesma forma como se relacionava com os bilionários donos e/ou acionistas dos grandes casinos, como Steve Winn do Bellagio e Sheldon Adelson do Venetian.

 

 

 

De 1985 em Atlantic City até 2002 quando deixei os circuitos internacionais, encontrei com Ciro  mais uma dezena de

Em Vitória na festa de VidaBrasil, com Gilberto e Mara Amaral, eu e o legendário Aramis Maia e o saudoso Paulo Cabral, presidente dos Diários Associados.

vezes, sempre em grandes eventos. Em Nova Iorque, em São Paulo, em Brasília, em Las Vegas, em Vitória, quando participou do aniversário da Revista Vida Brasil, da qual já fora capa e em Montevidéu, onde em companhia, entre outros dos grandes amigos dele e meus, Gilberto Amaral, Amauri Jr e Nelson Sardelli, entertainer brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de cinquenta anos e morador de Las Vegas.

 

 

 

Com o grande amigo Gilberto Amaral e a diva do jazz Dione Warwick

Nelson é uma figura impressionante e dono de uma trajetória que merece destaque. Na linda capital uruguaia, fomos participar, em um hotel de luxo da cidade, de um Casino de Ciro, em sociedade com o filho Fernando Batelli, à época, com pouco mais de 20 anos, um jovem que herdara o melhor do pai e da mãe Cristina!

Ciro com Vicent Falcone e o grande amigo Nelson Sardelli que aparece no detalhe com Mariska Hargitay.

O brasileiro Nelson Sardelli, morador de Las Vegas era também um dos grandes amigos de Ciro. Nelson tem uma história que merece um capítulo à parte. Famoso no mundo inteiro pelo romance que teve nos anos 60 com a grande atriz norte-americana Jayne Mansfield, fez carreira artista por lá e brilhou em importantes palcos e filmes. Há quem diga que ele seria o pai da premiada atriz Mariska Hargitay, nascida em 1964, filha de Jayne com Mickey Hargitay.

 

 

De Las Vegas, conheci o strip, através da Vênus Alada do Rolls Roice Corniche Branco, que Ciro ganhara dos acionistas do Caesars Palace, onde reinara como principal executivo. O “brinquedo inglês”, somava-se à Ferrai vermelha e a outros bólidos que Ciro guardava na garagem da mansão da Rua Batelli, onde morava e onde me recebeu na imensa sala com um autorretrato pintado por nada mais nada menos do que o ator Anthony Quinn e a ele dedicado.

Naquele dia, conheci também a ainda muito jovem Flávia, sua filha, o filho Fernando a sogra, Tata Lorichio, a quem Ciro dedicava um carinho muito especial e finalmente, a mulher Cristina, que comandava o Trilussa, luxuoso restaurante do casal, no Las Vegas Strip, onde almoçamos com muitas histórias, risadas e bons vinhos. Sendo amigo do marido, ela também me recebeu como se nos conhecêssemos a longos anos.

Roberto Carlos, Silvio Santos e a mulher, Isis, Faustão, Arnold Schwarzenegger, Cher, Dione Warwick, Ringo Star, Shirley MacLaine, Rudolf Nureyev, o então vice-presidente do Estados unidos, Dan Quayle e muitos outros do mesmo naipe, faziam parte do rol de amizades dele. Mas se você pensa que isso fazia de Ciro alguém presunçoso, comete um enorme equívoco. Com a mesma naturalidade que frequentava os lugares mais sofisticados do planeta e tinha amigos tão influentes e poderosos, tive a oportunidade de ir com ele em pequenos casinos arredores de Las Vegas, onde durante o dia, os mais simples empregados dos grandes Casinos, crupiês, seguranças, garçons e faxineiros, iam fazer suas apostas, comer sanduiches baratos e conversar. Talvez essa simplicidade foi que o tornou tão sábio para fazê-lo conquistar o que conquistou nessa passagem terrestre.

Sardelli, Lorraine, Ciro, Cristina, Tata e um amigo
Reportagem na Revista VidaBrasil em novembro de 1998

Pois, falar em sofisticação, brilho, luzes, boa música, carros de luxo, bons vinhos, bons conhaques, boa gastronomia e principalmente, boas amizades, Ciro era mestre em tudo isso, além de ser bom pai, bom filho, bom marido, bom genro e amigo inigualável. Tanto que, a sua partida aos 85 anos, pareceu precoce a todos nós. Eu, particularmente levei um grande susto. Por volta de maio de 2019, seu filho, Fernando postara nas redes sociais, uma foto num leito do INCOR e, embora recebendo soro, não tinha aparência de que estivesse padecendo de uma doença grave. Imaginei que aquele jovem de apenas 43 anos, tivesse sofrido um pequeno acidente de carro ou moto, sem gravidade. Em 05 de agosto do mesmo ano, tive a notícia da morte de Ciro. Ao ler sobre o assunto, descobri que Fernando Batelli morrera em 10 de junho vítima de câncer. Me dei conta então da tragédia que envolvera a família Batelli. Imaginei a grande dor do pai já no final da vida e mais ainda a de Cristina, Flávia e Tata ao perder em tão pouco tempo, duas pessoas tão queridas.

Que os dois estejam em paz, bem assim os que aqui ficaram!

Lendo a Revista VidaBrasil com a gerente internacional do Le Bristol de Paris, Gabrielle Hirn

 

 

Por Celso Mathias

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