Crônica

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Solidão incomoda Solidão incomoda Solidão incomoda, é verdade. Mas, seguramente, não aos solitários. Incomoda aos outros. Gente que, não conseguindo aceitar o fato de que há quem prefira ficar só, procura com inacreditável persistência inventar mil motivos para o que entendem como uma espécie de patologia social daquele que, sim, gosta de ficar sozinho. Inclusive no Natal. Inclusive no Ano Novo. Inclusive no próprio aniversário. Inclusive quase sempre.
sábado, 14 de dezembro de 2019
Imaginação Imaginação Quando caminhávamos juntos não era exatamente pelas ruas que seguíamos. Porque o entorno, em que pese fosse real, enfeitava-se magicamente à nossa passagem. Nunca era exatamente uma rua ou outra paisagem qualquer em si, porque esses lugares todos se carregavam de algum tipo de emoção só comparável àquela de um sonho realizado.
domingo, 15 de setembro de 2019
Modo viagem Modo viagem Recentemente voltei de uma viagem com amigas.Além de aproveitar cada momento, o assunto principal foi saber se teríamos algo a dizer sobre viagens, quando já estamos, todas três, naquela idade na qual, delicadamente, se referem a nós como meninas. Foi mesmo divertido, quando o colaborador da companhia aérea, — um bonitão, aliás —, olhou para nós e, depois de conferir os check-ins, deu um sorriso irresistível e saiu com essa:
sábado, 13 de abril de 2019
A vida nos anos 50 quando eu era feliz e não sabia A vida nos anos 50 quando eu era feliz e não sabia Muitos dos contratos de bairro entre o comerciante e o cliente começavam pela palavra de honra e um aperto de mão. As mãos tinham a sua importância nos anos 50. Não só porque se faziam muitas coisas com as mãos; também porque as pessoas que faziam coisas com as mãos ainda não tinham começado a ser desrespeitadas e substituídas por máquinas. Não existiam retiros para idosos. Nem creches.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Coisas que só acontecem com bibliófilos Coisas que só acontecem com bibliófilos C’est la vie! Chegou o dia em que o desapego se impôs. Tive de me desfazer da metade de minha biblioteca. Imposição cruel. Sacrifiquei boa parte da literatura, todas as enciclopédias ― a literária, inclusive, com seus mais de vinte volumes ―, e todos os livros dedicados a temas, digamos assim, mais leves. Foram diversos carregamentos de pesadas caixas que vi sendo levadas para longe de mim, deixando-me desolada. Em compensação, ― porque parece que sempre é preciso buscar desesperadamente recompensas aos nossos sacrifícios ―, a renúncia me impôs uma revisão geral de tudo.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
A morte do homem moderno A morte do homem moderno É em vão que se busca o homem moderno. Ele morreu ao final do último século.De pagão na Antiguidade a obediente filho de Deus no Medievo, ele deu ouvidos um dia ao discurso de Descartes. Aos poucos, descobriu a razão, e assimilou um método que mudaria a face do mundo. Fez-se revolucionário ao depois, porque desconfiou do poder, desejou a liberdade e a igualdade.Modernizou-se, enfim. Mudou a face do mundo e a sua própria. A luz divina substituiu-se pela luz da razão e pela força da vontade.
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