sexo e a alma feminina

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Messalina, Cleópatra e Catarina, a Grande, ficaram conhecidas pelo furor sexual que não conhecia satisfação. Messalina até se disfarçava de prostituta. Hoje, a ninfomania é vista como uma enfermidade com raízes biológicas e psíquicas.A noite em que Messalina devorou 25 homens parece hoje uma façanha menor. A culpa é das estrelas do cinema pornô americano, que se divertem batendo recordes sexuais; nas horas vagas...

sexo e a alma feminina


Annabel Chong, 22 anos, fez sexo consecutivo 251 vezes, com 80 homens, em 1995. Um ano depois, Jasmine St. Clair superou-a: 300 vezes com 51 homens. Em 1999, a jovem Houston bateu o recorde: 620 vezes com o mesmo número de homens!“Dizia as maiores obscenidades e mexia o corpo convulsivamente, exibindo-se com as poses mais provocadoras”. Uma das primeiras ninfomaníacas diaganosticadas como tal foi assim descrita, em 1841, no Boston Medical Sugery Journal. Chamaram-lhe Miss T, tinha 29 anos (EUA). Os médicos acreditaram que o desmesurado tamanho do clitóris dela estava na origem das suas fúrias sexuais. Neutralizar o órgão do prazer feminino foi então a meta deles para curarem a jovem. Recorreram a aplicação de medicamentos cáusticos na zona, duchas de água fria e sangrias. Ao fim de algumas semanas, Miss T ficou desprovida de desejo sexual. Mas cura não foi realmente a palavra a ser usada para este caso.
O conhecimento da existência de mulheres com apetite sexual insaciável remonta à Antiga Grécia – as célebres ninfas, divindades do prazer e da reprodução, estão na origem da palavra ninfomania.

Mortas de desejo - A atividade sexual excessiva (definição da ninfomania em sentido restrito) só começou a ser considerada doença no século XIX, marcado pela repressão sexual e a moral vitoriana. O neurologista Richard Krafft Ebing, que viveu em finais desse século, afirmou que os casos mais extremos podiam mesmo conduzir à morte. O psiquiatra Maresch deu-lhe razão ao documentar três exemplos em 1871: dizia que as vítimas morriam de esgotamento por causa dos delírios obscenos.
Mas o que mais inquietava os médicos era perceber as causas do problema. Os adeptos do movimento frenológi
co pensaram que a origem estava no cérebro e que as vítimas da doença tinham o cerebelo muito desenvolvido. A autópsia a uma ninfomaníaca, contudo, mostrou que tal idéia estava errada. Mais tarde, avançou-se com a teoria do tamanho excessivo do clitóris, mas também se comprovou não fazer sentido. E assim, através do método tentativa-erro, concluiu-se que a ninfomania era causada por distúrbios psíquicos.

Relações de medo - “A ninfomania é uma variante do comportamento sexual em que a mulher se sente compelida a mudar constantemente de parceiro, sem estabelecer um relacionamento estável com nenhum deles”, explica o psicólogo Gabriel Frada. Acima de tudo, a ninfomania está inscrita na personalidade da mulher. A sua insegurança profunda não lhe permite ligações afetivas consistentes – o fundo psicológico de base é o medo.
Hoje em dia sobram teorias sobre as causas da ninfomania, mas nenhuma delas é totalmente convincente. Até porque a origem da ninfomania varia conforme os casos. Entre as explicações dadas, as seguintes são as mais comuns: tentativa de compensar a privação sexual sofrida na adolescência; ‘inveja do pênis’ e desejo de vingar-se do pai; necessidade de compensar certas tensões emocionais; negação de tendências homossexuais; medo de frigidez; necessidade de ser amada e aceita.

Muito e saudável - Uma mulher com bastante apetite sexual não é necessariamente desequilibrada. Como assinala o psiquiatra Stoller, as relações sexuais são relevantes para a mulher ninfomaníaca, não em termos de gratificação erótica, mas como uma maneira de satisfazer a necessidade de auto-afirmação.
A mulher saudável com bastante apetite sexual tem essa dotação de viver com entusiasmo a cada relação e desejo de renovar o prazer alcançado. Na opinião da advogada paranaense Ive F.“Na prática, quando a mulher consegue dominar o seu interesse sexual indiscriminado e dirigi-lo para um único parceiro, considera-se que o seu apetite sexual não chega aos níveis do que é típico da ninfomania”.
“A ninfomaníaca, embora experimente excitação, raramente chega a atingir o orgasmo, o que a deixa frustada e a leva a procurar novas experiências eróticas. Uma libido excepcionalmente intensa pode não ser patológica; os dotes superiores aos da média não tornam a pessoa anormal”, acrescenta este psiquiatra. “Quando a mulher com grande apetite sexual leva uma vida satisfatória em termos de afeto, profissão, relacionamento interpessoal e atuação social, não necessita de qualquer tratamento”.

Base biológica - As teorias explicativas da ninfomania não se limitam contudo ao campo da psicologia. Segundo alguns autores, a origem desta patologia reside por vezes em fatores de ordem neurofisiológica.
A conduta sexual é re
gulada pelo sistema límbico, situado no cérebro. Enquanto o núcleo amigdalóide e o hemisfério esquerdo regulam a inibição da sexualidade, o hipotálamo e o hemisfério direito elaboram a estimulação e desenvolvem a organização erótica e o orgasmo. Quando estas duas últimas áreas registram maior atividade, é provável que se produza uma exaltação da conduta sexual. A influência é tal que, se um traumatismo afeta as áreas citadas, pode em determinadas ocasiões, provocar a ninfomania. Os neurotransmissores também influenciam o nosso comportamento erótico. Nas ninfomaníacas, dá-se uma hiperfunção dos sistemas dopaminérgico e noradrenergético (a dopamina e a noradrenalina são ativadoras sexuais, em oposição à serotonina e às endorfinas, que são inibidoras).
Nos tratamentos feitos atualmente, a psicoterapia está na primeira linha, uma vez que a doença é quase sempre de origem psicológica. Procura-se que a paciente aprenda a vincular sexo e afeto, assim como a eliminar alterações psicológicas que costumam acompanhar a ninfomania – paranóia, ansiedade e depressão.
Quando se suspeita de problemas de ordem neurofisiológica, recorre-se a estimulantes da serotonina, para inibir o sistema dopaminérgico, tranquilizantes e antidrôgenos para reduzir a testosterona, o hormônio que faz aumentar o desejo. Segundo Gabriel Frada, porém, “as tentativas para tratar a ninfomania com hormônios não resultaram bem até aos dias de hoje.”
Mas não deve existir a mínima hesitação em recorrer ao tratamento, caso a mulher suspeite sofrer do problema: “quando não há esse sentido de realização e a mulher se autoculpabiliza, é aconselhável a consulta a um especialista em psicologia profunda. A resolução dos conflitos internos permitirá depois um desenvolvimento mais produtivo das potencialidades da paciente.” E, daí, um final feliz

Devoradoras de homens - “Consigo dormir com mais homens do que você num só dia!”, teria dito Messalina à prostituta mais solicitada de Roma. Um desafio que concretizou, ao satisfazer 25 homens em 24 horas. Pelo menos é o que reza a lenda, que define bem a ninfomania: quantidade, insatisfação, um desejo irreprimível. Messalina foi um exemplo de ninfomaníaca que a História registrou. Há exemplos cuja exatidão se desconhece: ninfomania ou apenas um apetite sexual elevado e alvo da curiosidade pública?


Cleópatra, a previdente - O sexo era para esta jovem rainha tão essencial como comer. Teve o primeiro amante aos 12 anos e aos 16 já estava seduzindo César. Foi apenas o início de uma carreira cujas memórias sobreviveriam até hoje. Cleópatra tinha um templo especial onde viviam jovens robustos que serviam apenas para satisfazê-la. Pouco lhe importava, por isso, se alguém resistisse aos seus encantos – tinha sempre um templo recheado de prevenção...



O castelo de Gala - A união entre Gala e o pintor Dalí foi sempre estranha. Ele abominava contatos físicos, ela adorava. Tanto que perdeu a conta dos amantes que teve. Aos 75 anos, Dalí ofereceu-lhe o Castelo de Púbol. Gala usou-o para todo o tipo de cerimônias sexuais (orgias incluídas) com adolescentes. Um dos seus preferidos chegou mesmo a construir uma casa de um milhão de dólares, graças à generosidade de Gala.



Entre o cinema e a vida real - O rosto de Vivien Leigh desenhava-se nos seus filmes, onde fazia quase sempre uma femme fatale, como em Lady Hamilton ou César e Cleópatra. Casada em 1940 com Lawrence Olivier, deu-lhe 20 infernais anos de matrimônio. O ator inglês aguentou contínuas infidelidades, muitas públicas. E acabou por abandoná-la (por outro lado, nunca se viu livre dos rumores que o diziam homossexual). No fim da sua vida, Olivier explicou a separação: “Tive que escolher e escolhi sobreviver”.


Excessos de Messalina - Casada aos 16 anos com o imperador Cláudio quando este tinha 49, tratou logo de copiar o estilo de vida das prostitutas recebendo no palácio todos os clientes que a desejassem. Quando isso não era suficiente, punha um véu e ia para as ruas à cata de homens. Se gostasse de algum, obrigava-o a deixar mulher, filhos, profissão, enfim, tudo por ela. E se o desejado resistisse, como o fez Valerio Asiático, a morte era o destino que ela lhe dava



O diabo em Maria Madalena - A Bíblia não diz expressamente que Maria Madalena era ninfomaníaca – em vez disso, refere-se a ela como prostituta, a pecadora que lavou os pés de Jesus Cristo. Uma pecadora onde habitam os sete demônios. E daí retirar-se por vezes o outro significado: na antiguidade, julgava-se que as ninfomaníacas estavam possuídas pelo Diabo.





A provadora real de Catarina, A Grande - A rainha Catarina, A Grande, praticava sexo pelo menos seis vezes por dia, mas os candidatos passavam primeiro pela sua provadora. Miss Prota, assim se chamava a funcionária, recrutava jovens belos e saudáveis, que examinava do ponto de vista da performance sexual. Caso fossem aprovados, iam para o harém da imperatriz, formado por uma média de 21 amantes oficiais.




Estava na cara - Os traços do rosto de Maria Luísa de Parma, esposa do rei espanhol Carlos IV, emanavam uma sensação tal de luxúria que Napoleão, ao observá-la um dia, não se conteve e exclamou: “Tem o destino escrito no rosto!” Mal sabia o general francês que a sua análise acertara em cheio: ao longo da vida, a mulher do rei colecionou inúmeros amantes.


Lady Jane Ellenborough - Um desejo infinito de satisfação sexual marcou a sua vida. Desde pequena, quando fugiu com um grupo de ciganos, até casar como o barão de Ellenborough. O casamento não lhe acalmou os calores: manteve relações com o bibliotecário do avô, o primo, o príncipe Schwarzenberg e o escritor Balzac, que a retratou em Comédia Humana como lady Arabela. As viagens que fazia com frequência ficaram famosas, por motivos óbvios. Aos 70 anos, o apetite sexual mantinha-se intacto. Tal como muito de sua beleza, razão pela qual esteve em ação até morrer.

Anula, a viúva negra - Foi rainha do Ceilão entre 48 e 44 aC. Casou-se com o rei Coranaga, ao qual envenenou e assim que pôde governar sem ele. Para substituí-lo, recorre a um príncipe chamado Tissa, mas acabou por assassiná-lo quando se fartou dele. A lista de acepipes da senhora estendeu-se a um guarda do palácio, um carpinteiro, um lenhador e por aí fora. Explorava-os sexualmente até esgotá-los, mas, nos últimos meses de reinado, conclui que um só homem não chegava. Entregou-se então às mais depravadas orgias.

Qual o limite? - Não existe uma norma válida que determine a frequência
com que uma mulher deve realizar a realção sexual. De país para país, o número médio de relações sexuais varia e nem por isso se considera que uns sejam melhores do que outros. E depois há casos surpreendentes, como a tribo australiana Aranda: as mulheres têm relações sexuais três a cinco vezes por noite e não são consideradas ninfomaníacas. A alta frequência sexual feminina também é bem vista em determinadas culturas matriarcais da África. Nestas tribos a consideração sexual das mulheres aumenta em função do número de homens com que mantêm relações. E em algumas zonas da Índia, as mulheres podem mesmo ter vários maridos.


Autor: Celso Mathias
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Existe 2 comentários para esta publicação
quinta-feira, 21/2/2013 por Aparecida Mendes.
SEXO E A MULHER...
Muito interessante esta matéria. Que libidos insaciáveis! Ontem ouví sobre este assunto, com Dr Eusimar Coutinho. No século 21 as coisas estão mudadas..., parabéns, 4719 leitores.
quarta-feira, 19/12/2012 por Pensador
Bem lida
4579 leitores e nem um comentário. Bela reportagem! Parabéns
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