O que sei sobre o homem que matou Camata

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Me lembro do discurso inflamado de um jovem deputado do MDB, afirmando sob aplausos: “Precisamos destruir a serpente e esmagar a cabeça da serpente, que está lá em Brasília”. A serpente era o presidente João Figueiredo, aquele que ”prendia e arrebentava”. Durante a campanha, para governador do Espírito Santo, através do saudoso Luiz Aparecido, jornalista que atuou como marqueteiro, me aproximei do candidato estabelecendo uma relação cordial com ele e Rita, que viria ser a mais jovem, bela e carismática Primeira Dama do Estado.

O que sei sobre o homem que matou Camata

 

O Presidente Figueiredo, mesmo tendo conhecimento dos inflamados discursos do Camata, visitou o Espírito Santo ainda no primeiro ano de governo do “Italiano”, que ao contrário de todas as expectativas, terminou por conquistar a amizade e o apoio do sisudo João Batista Figueiredo aos preitos do Espírito Santo.


Pouco antes da eleição de Camata ao governo do Espírito Santo, conheci em voo internacional, um jovem economista que, graduado, se não me engano, pela UFES, acabara de concluir uma pós-graduação nos Estados Unidos. Tratava-se Marcos Venicio Moreira Andrade.

 

Vitorioso na campanha, Gerson Camata, empossado governador, a exemplo do que alguns querem fazer agora, abdicou da Residência Oficial e foi, junto com a jovem Rita, morar no apartamento de três quartos na Rua Eugênio Neto, em frente ao Café 366, um restaurante com shows de música ao vivo e cardápio internacional que eu acabara de inaugurar. Não deu outra, o Café 366 virou ponto de encontro de intelectuais e, principalmente de políticos que frequentavam o local, na esperança de encontrar ali, o Governador Camata; e encontravam! O Café 366 passou a ser frequentado por Camata, que ao encerrar o expediente, por volta de 22 horas, batia o ponto com uma cerveja e longas seções de “causos” que todo mundo adorava ouvir, não só por ele ser o governador, mas por ser de fato, um grande contador de “causos”.

 

E era lá, que Marcos Venicio Moreira Andrade rodeava o Governador, em posse de um Currículo e de uma conversa insistente e chata. Foi nessa época que ele começou a se aproximar da família Camata. Daí para frente, sempre o vi, até que deixei o Espirito Santo, há quase 20 anos, circulando em torno do político e seus familiares, chegando, se não me engano, a estabelecer uma sociedade numa uma loja de revestimento em couro para automóveis, com o saudoso Luizinho Spadeto, um primo de Rita e muito querido por todos.

 

Foi no Café 366, que a Newsletter “Vida”, criada pelo jornalista e publicitário João Batista Zucaratto, para dar as notícias da casa, foi se direcionado para o lado político, por conta das conversas ali estabelecidas. Vida virou VidaVitória, depois VidaBrasil, circulou impressa, ininterruptamente durante 20 anos e hoje, foi transformada no portal www.revistavidabrasil.com.br

 

No Espírito santo, inicialmente, dirigi uma sucursal da Editora do Brasil, onde tive como concorrente, a editora FTC, dirigida por Renato Junqueira, um paulista que se apaixonou por Vitória e construiu, em parceria com um amigo, uma casa rústica e agradável na Ilha do Frade, região nobre da cidade com mansões opulentas. Renato morreu muito jovem e a família vendeu a casa para Gerson e Rita, onde tive o prazer de participar de muitos churrascos regados a boa conversa, amizade, boas companhias e a simplicidade do casal que nunca abriu mão das suas origens de italianos do interior do Espírito Santo.

                                                                                 Posse de Camata

Depois de quase 20 anos longe de Vitória, aos poucos venho reestabelecendo contos com amigos como Wilson Lazaro, Luiz Sérgio Aurich, César Hequenhoff, Valdemar Nielsen, e Amauri Parreira, entre outros. Ontem à tarde, creio que nos primeiros minutos pós tragédia, Amauri Parreira me encaminhou as fotos com a cena do crime. Perplexo até agora, relembro os encontros, as conversas, a simplicidade, o carisma e reflito sobre como é possível, um ser com a trajetória de vida do Camata, pode ter terminado de forma tão cruel.

Ao saber do autor do crime covarde, lembrei do Mark Chapman, o americano insignificante que assassinou O Beatle John Lennon, por se achar o próprio. Ao assassinar Camata, seja lá por qual razão, o criminoso também se suicidou!

Minha solidariedade ao povo capixaba a quem tanto devo e estimo. Minha solidariedade à Rita, Enza e Bruno. Gerson Camata já é eterno no coração de todos que conviveram com esse ser iluminado!


Autor: Celso Mathias
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