Poluição, Sex Appeal e...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mente Poluída‏...Estão apelando! Além da sujeira nas nossas ruas em forma de tudo que a plebe anda jogando fora, além da barulheira que invade a nossa alma, agora também somos entulhados e aterrados por uma avalancha de apelos visuais e apelos sexuais.Até a nossa mente acostumada a inúmeras informações com aparências variadas fica confusa numa hora dessas...Faltando ainda duas semanas para o carnaval, Barra, Ondina e arredores já se parecem com o uniforme, o capacete de um piloto de fórmula 1.

Poluição, Sex Appeal e...


As margens das ruas estão cheias de logomarcas de grandes empresas.

De bancos comerciais, cervejarias, concessionárias de serviço telefônico e. também dos governos municipal e estadual."Muita informação", como diria o meu amigo Carquilha.

Isso me lembra as peripécias de Vittorio Stringari, frequentador assíduo do famoso 63 na Ladeira da Montanha (hoje em ruínas). Conta-se que Vittorio, toda vez em que chegava naquela casa de tolerância, dava uma bacolejada geral nas raparigas. Um cheiro no cangote de uma, um tapa na bunda de outra. A mão boba dele apalpava os peitos de todas que encontrava. Eram peitos pequenos, grandes, meio caídos, com ou sem califon...

Fazia isso desde a porta da entrada, atravessando o salão, até a mesa, perto da janela, onde ele gostava de ficar.

Era a maneira bem particular de Vittorio cumprimentar as damas da noite. Depois de invadir a intimidade de uma dúzia e meia de raparigas, ele sentava à mesa, bebia, observando as luzes dos barcos fundeados entre o Forte São Marcelo, o quebra-mar e o prédio da antiga alfândega.

Não se sabe se Vittorio Stringari metia algo mais do que os dedos nos decotes das meretrizes. Dizem as boas línguas, que ele se satisfazia, ficando inebriado por essa profusão de encantos femininos...

O meu cérebro preconceituoso enxerga essa mesma procura infantil na ânsia de quem vai ao Festival de Verão e atrás dos Trios Elétricos a fim de beijar o primeiro que encontrar pela frente, de se enroscar com alguém, com quem não se tenha trocado uma palavra sequer...

É bem capaz que mais uma vez eu esteja equivocado. A tal "pegação geral” da qual se fala, a "beijação" e troca de saliva durante todas as festas populares nada mais são do que bravatas juvenis, conversa pura.

Prof. Shmuel Gefiltfish y Mazzes, que esteve no Festival de Verão, me falou de um novo monstro de Frankenstein. O Dr. Frankenstein, para quem não sabe, quis criar um homem perfeito. Para isso roubava cadáveres, dos quais cortava as partes perfeitas, descartando o que não prestava. Depois de montar uma cabeça inteligente num tronco forte e membros ágeis, ele meteu uns eletrodos na criatura e esperou por um raio capaz de por vida nela. Algo tinha que dar errado... Senão a história seria uma novela das seis ao invés de um filme de terror com Boris Karloff, raios, trovões e tudo mais...

 Os jovens, disse o Prof.Gefiltfish y Mazzes, olham para potenciais parceiras e parceiros como quem olha para o macacão de um piloto de corrida, com os olhos sendo fisgados pelas logomarcas... Num trabalho de um midia-man biruta, embaralhando marcas de cerveja e automóveis com cosméticos e lingeries.

Aqui um pescoço atraente, uma saboneteira, um umbiguinho, um peitoral, um bíceps, um tríceps, um glúteo, um narizinho com ou sem sardas, olhos maquiados, ali um decote lembrando o tsunami de 2004, acolá uma bundinha estufada... Só um cérebro turbinado com algum estimulante bem forte, para juntar todos esses apelos numa só fantasia frankensteiniana!

Penso que nenhum participante dessas pegações eróticas ficará mais satisfeito ou insatisfeito do que ficara antanho o meu velho amigo Vittório Stringari.

Aquelas tentativas são tão infrutíferas quanto o trabalho do Sísifo. Apenas mais agradáveis. Ou não!

Enquanto Sísifo rola aquele enorme pedregulho morro acima, ele não se aborrece com nenhuma poluição sonora ou visual, podendo desfrutar a paisagem amena e pacífica, além do silêncio, quebrado apenas pelo vento mexendo nas copas de oliveiras e cipestres.

O negócio é fugir dessa tsunami de estímulos, procurando um porto seguro... nem que esse porto seguro seja apenas um prato de comida austro-húngara e um copo de cerveja com toque de lúpulo.

Fugir para um lugar, onde não há nenhum merchandising, nenhuma logomarca... a não ser aquela, que mostra um taverneiro barrigudo com suspensórios e um linguição espetado na ponta de um garfo...

Prost


Reinhard Lackinger ...è taverneiro, escritor,apaixonado por Alice , pela boa leitura e, ferrenho crítico de certos costumes..ou maus costumes...

 

 

 

 


Autor: Reinhard Lackinger
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Existe 1 comentário para esta publicação
quarta-feira, 16/2/2011 por Maria
CARNAVAL...
É minha festa número um, mas últimamente nao consigo mais bricar o carnaval. Virou epidemia..., e tdo demais é sobra e sobra dizia minha vó, vai pro lixo!!!
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