MORRE UM LORDE; Zé Penedo

segunda-feira, 1 de março de 2010

Em decorrência de uma forte amizade entre meu avô Jose da Rocha Amorim e o velho Antonio Penedo, pai de José, meu pai Jaime Amorim tinha por ele uma profunda admiração. Ao ponto de todos nós acharmos que fossemos até parentes.Consaguíneos não, mas de estima e consideração; éramos.

MORRE UM LORDE; Zé Penedo


Conheci nos anos 60 aquele tabaréu do Pé de Serra, povoado do município de Tucano. Tabaréu que  diga-se  de passagem nada tinha de tabaréu. Sempre me pareceu um Lorde. Mesmo quando eu não sabia exatamente o que era um Lorde.

Em decorrência de uma forte amizade entre meu avô Jose da Rocha Amorim e o velho Antonio Penedo, pai de José, meu pai Jaime Amorim tinha por ele uma profunda admiração. Ao ponto de todos nós acharmos que fossemos até parentes. Consanguíneos não, mas de estima e consideração; éramos.

Meu avô que alfabetizou muita gente no Pé de Serra, pode ter sido quem “letrou” o Zé Penedo.

José Penedo foi feirante, militar, administrador municipal, deputado federal por quatro legislaturas e candidato a vice-governador na chapa de Josaphat Marinho em 1986. Foi também diretor do Baneb e do Ministério da Educação. Já maduro, formou-se em direito e inscreveu-se na OAB, um sonho acalentado desde a juventude.

Apesar de não termos uma convivência estreita, herdei do meu pai, o carinho por ele, depois por sua mulher Tereza e sua filha Júlia.

Não foram muitas as oportunidades que tivemos de conversar, mas foram ricas e inesquecíveis. Homenageei-o num evento  em Vitória. Recebi na minha casa  ele, Tereza,Sandra e Rodrigo Maciel, Fátima e José Nunes.Rimos, passeamos em Guarapari,degustamos  moqueca capixaba, bebemos vinho e nos divertimos como crianças.Ali, senti que estava ocupando no coração dele o lugar do meu pai . Tempos depois fui recebido por ele, Tereza e a pequena Júlia no AP do Rio Vermelho e depois no Artur Moreira Lima.

Em Buenos Aires, nos encontramos por acaso e bebemos boas taças de portenhos tintos.Em outra oportunidade estivemos juntos no hotel que a família possui em Caldas do Jorro. Na sofisticada simplicidade da casa , tivemos  longas conversas . Numa delas, contou-me que deixara a política por não se adaptar ao estilo e a certas nuances do panorama político dos anos 90 na Bahia.

A última vez que o vi foi na palestra que o historiador José Dionísio Nóbrega proferiu no Instituto histórico e Geográfico da Bahia sobre a família Campos no dia 15 de Outubro de 2008. Presente ao acontecimento, a prefeita eleita Fátima Nunes que nos emocionou ao anunciar que a Biblioteca Pública Municipal de Euclides da Cunha teria o nome de Jaime Amorim da Silva.

Inteligente, raciocínio rápido, amigo, elegante, companhia agradável, sábio, coerente... Tantos outros adjetivos servem para definir esse homem que passou quase quarenta anos na vida pública e saiu dela sem um arranhão.

José Penedo Cavalcanti de Albuquerque morreu no início da tarde de sábado (27), aos 78 anos, (coincidente mente a mesma idade que morreu seu compadre Jaime Amorim da Silva) no Instituto do Coração em São Paulo, por conta de complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca. Deixa um enorme vazio e um exemplo que infelizmente não tem sido seguido pelos homens públicos;honestidade e coerência .

Descansa em paz Lorde Zé!


Autor: Celso Mathias
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Existe 2 comentários para esta publicação
segunda-feira, 1/3/2010 por Antonio Eugenio Cersosimo Minghini
advogado
Meus sentimentos à familia e à Nação Brasileira.
segunda-feira, 1/3/2010 por Maria
MORRE UM LORDE; ZÉ PENEDO.
Meus Sentimentos aos familiares e amigos próximos. Conheci também este Grande Homem! Descanse em Paz.
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