Um século de Jayme Amorim

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Com o então prefeito Enock Canário e senhora

Este texto foi produzido há vinte e dois anos na data de falecimento de meu pai Jayme Amorim (era com ”y’, que ele gostava de grafar o nome dele) e publicado à época na edição impressa da Revista VidaBrasil. Hoje, data em que ele completa   um século, digo “completa”, porque pessoas como ele, são eternas, ao menos nos corações de quem com ele conviveu. Aos que acompanharam sua trajetória de vida, uma lembrança do que foi esse guerreiro: um homem que jamais será esquecido!

Neto do português Leovergildo Amorim da Rocha, filho de Maria Amorim da Silva, e de José Amorim da Rocha, modesto professor que no final do século XIX foi o principal alfabetizador dos seus conterrâneos no município de Tucano, Jayme Amorim da Silva foi vereador por sete legislaturas consecutivas na cidade de Euclides da Cunha, tendo inclusive presidido a Câmara de Vereadores. Abandonou a política quando o cargo de vereador, até então exercido gratuitamente, passou a ser remunerado. Era um político à antiga mesmo!

Em frente, o então prefeito e hoje, deputado federal, José Nunes

Paradoxalmente, foi o homem mais avançado do seu tempo. Por suas mãos, a cidade conheceu o primeiro fogão a gás, as portas de aço e o que havia de mais moderno à época em materiais para construção. A sua pequena loja, “O Crediário”, mudou o perfil arquitetônico da cidade e o estilo de vida de muitos cidadãos.

Tudo começou no início da década de 60, quando ele abriu no local onde hoje está instalada a Cristais Center Decorações, uma pequena loja onde comercializava geladeiras usadas, as primeiras a enfeitar as salas das residências mais privilegiadas da cidade e ainda alimentadas a querosene, já que à época, a cidade não contava com energia elétrica durante o dia. Um gerador instalado na Rua Major antonino, logo depois do Hotel Lua, fornecia energia para iluminação, apenas entre 18 e 23 horas.

                                                                                                               

Já no final dos anos 60, o empreendedor construiu, no local onde hoje funciona a loja de eletrodomésticos Sergisat, o primeiro edifício de 02 pavimentos na hoje badalada Av. Ruy Barbosa e ali instalou também a primeira loja de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção da região. Jayme Amorim foi o mais importante comerciante da sus época, tendo introduzido no mercado local, dezenas de novos produtos.

 

Este é um singelo perfil do homem que movimentava as seções do legislativo local em inflamados debates, e que, na sua brilhante oratória, cativava plateias

 nas sessões que aconteciam às Sextas e Sábados à noite, o melhor programa da cidade.

 

Autodidata, dono de um português irretocável, recebeu ainda em vida e saudável, várias homenagens, entre elas, uma rua cuja placa estampa o seu nome na cidade que adotara para viver e que o adotou como Cidadão Honorário e filho distinto.

 

 

 

 

 

 

 

 

Na vida pessoal, um pai exigente, severo e autêntico. Fez o que pode para encaminhar na vida os seus dez filhos. Marido extremoso, ficou viúvo aos 47 anos e três anos depois perdeu um dos filhos, meu irmão Humberto Muquiado, em trágico acidente automobilístico; dois duros golpes que balançaram aquele Jacarandá, mas não o derrubaram

 

 

Estivemos afastados por muito tempo. A distância física e a diferença de pontos de vista de dois homens de temperamento forte nos fizeram endurecer um com o outro, até que o tempo fez com que nos descobríssemos muito parecidos…E aí, foi tão pouco o tempo que tivemos para nos amar, nos respeitar e admirar. Mas ainda tivemos tempo! E como foi bonito descobrirmos juntos os mundos. Em quantas esquinas do planeta parei para telefonar lhe e descrever o que via

 à minha frente! Quantas vezes rimos e nos emocionamos estando a milhares de quilômetros de distância um do outro. Os mesmos quilômetros que ironicamente nos separaram no último Adeus à sua matéria. No momento em que ele morreu, eu cruzava o oceano atlântico em um compromisso profissional. Hoje, meu herói, meu amigo descansa em paz. O que você me ensinou, continua vivo ativo e forte como você.

Parabéns, meu pai, pelos seus 100 anos!

 

                                                                                                                     Celso Mathias

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3 comentários

  1. O conheci e gostava de ouvi-lo. Eu achava ele muito parecido com meu avô. O jeito de andar e de falar eram muito parecidos. Grande homem!
    Verdadeiramente uma reserva moral de Euclides da Cunha.

  2. Esse documentário  que relata a vida de Jaime Amorim, me traz muitas recordações  boas e me sinto muito orgulhosa  por ter convivido ao seu lado. Pude viver todas essas etapas  em que estão inseridas  nesta reportagem.
    Falar de Jaime Amorim é muito gratificante  pois ele nos deixou muitas marcas  de boas ações.
    Era um homem temente a Deus, mas não praticava  nenhuma religião, tinha um coração grande e principalmente para com os menos favorecidos. O dom de partilha era especialidade dele.
      Pai exemplar  que incentivava os filhos a estudar e  a crescer na educação  e no conhecimento. Foi com ele que também iniciei  a minha  a minha trajetória  nos estudos, na época  em que era difícil  concluir  o curso de magistério. Jaime Amorim nos contava muitas histórias  de Vida e era apaixonado por política. Tive uma larga experiência  na Câmara de vereadores  ao seu lado, a sua voz  era a voz do povo e por isso todos o aplaudiam  quando ele ia à Tribuna pois o seu discurso era contagiante no sentido de defender principalmente aqueles  que não tinham voz. A Câmara de vereadores era um cinema, o único divertimento da comunidade pois ouvir Jaime Amorim era uma lição de Vida.
    Nossa saudades eterna deste grande guerreiro.

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